Medidas de apoio à economia podem exceder 20 mil milhões de euros

O ministro das Finanças alertou para o facto de o "abuso e a má utilização dos instrumentos disponiveis será hoje e no futuro paga por todos".

Todas as medidas tomadas até agora pelo Governo podem ultrapassar um montante global de 20 mil milhões de euros, cerca de 9% do produto interno bruto de 2019.

O valor foi assumido esta quinta-feira, 16 de abril, pelo ministro das Finanças na audição regimental na Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República.

"Tudo somado, com as moratórias de apoio às empresas, estamos a falar de valores que podem exceder os 20 mil milhões de euros ao longo de 2020", afirmou Mário Centeno numa resposta ao deputado do PSD, Duarte Pacheco que quis também conhecer os valores de despesa no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"O esforço de execução de despesa adicional aponta para valores que durante o ano facilmente ultrapassarão os 500 milhões de euros", respondeu o titular das Finanças, acrescentando que essa deverá também ser a cifra para a despesa adicional "para o subsídio de desemprego e outras prestações sociais que vão necessariamente ser reforçadas", revelou.

A estes valores somou ainda o adiamento do pagamento de impostos e de contribuições para a Segurança Social que podem atingir os quatro ou cinco mil milhões de euros. Nem tudo é despesa, estando incluídas também as linhas de crédito para fornecer liquidez à tesouraria das empresas e que, para já, tem um limite de 13 mil milhões de euros.

Na intervenção inicial, o ministro alertou para o facto de "na saúde como na economia, o abuso e a má utilização dos instrumentos disponíveis será hoje e no futuro paga por todos".

Mais de um milhão em lay-off

O ministro das Finanças atualizou os dados sobre o número de trabalhadores com suspensão temporária.

"Cada mês de lay-off que envolva 1,5 milhões de trabalhadores e neste momento temos um pouco mais de um milhão, pode ter um custo aproximado de mil milhões de euros", adiantou o ministro.

O apoio de 635 euros por trabalhador mantido e pago no primeiro mês após o fim do lay-off "tem um impacto financeiro muito significativo e que depende do número de trabalhadores que", indicou o ministro sem avançar valores concretos.

"São muitos milhões de trabalhadores que tiveram acesso imediato a esta garantia", afirmou Mário Centeno recusando atrasos no deferimento dos pedidos de apoio aos trabalhadores que estão em casa com filhos até aos 12 anos devido ao encerramento das escolas.

Notícia atualizada às 19h15 com mais informação

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