Mega-plano de urbanização da Quinta dos Ingleses vai mesmo avançar

Depois de dezenas de anos de avanços e recuos, a Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, vai mesmo ser reurbanizada. O plano de reestruturação urbanística foi aprovado esta terça-feira à noite em Assembleia Municipal e nem os protestos de vários moradores foram suficientes para voltar a adiar o projeto. Mas não se verá tão cedo o resultado: O plano implica 20 anos de construção.

O mais recente plano de reurbanização - Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS) - tinha sido apresentado em novembro pela Câmara de Cascais (PSD/CDS-PP) e prevê a transformação dos 54 hectares daquele espaço abandonado num ninho de empresas, 906 fogos, um hotel de cinco pisos e ainda 20 hectares de espaços verdes. Será o maior parque urbano de Cascais, com espaços sociais, educativos, e dedicados à cultura.

À reunião de Assembleia desta terça-feira, onde o projeto acabaria aprovado, acorreram cerca de duas centenas de moradores que, contra o projeto, esperavam que o plano ficasse por terra. Vários tiveram oportunidade de falar e deixaram claro que este deveria ser chumbado porque "não respeita a lei" ou porque "não foram realizados os estudos devidos". Os moradores lembraram o "elevado risco de cheias" e lembraram ainda que o plano previsto é "um atentado à costa portuguesa".

As vozes não chegaram e a maioria PSD/CDS-PP aprovou o projeto que há mais de 50 anos se mantinha no papel. A presidente da união de freguesias de Carcavelos e Parede também deu o seu aval, contrariando as expectativas dos que ali se juntaram.

A maioria chegou a admitir que o plano não é o ideal e sim o possível. Mas sem sinais de apaziguamento, os moradores acabaram por ser convidados a sair.

Mas a luta pode não ficar por aqui. Os dois grandes movimentos de moradores -- que também acorreram à reunião desta semana -- o Fórum por Carcavelos e a Cidadania Cascais ameaçaram avançar para vias judiciais, caso o Plano fosse aprovado.

Que espaço é este?

A Quinta Nova ou de Santo António foi responsável pela produção de vinho durante séculos estando, de acordo com a informação veiculada pelo site da Câmara de Cascais, documentada desde meados do século XV.

Mas foi a partir do século XIX que o destino destes 54 hectares com vista para a praia se alterou: uma praga comprometeu a produção de vinho e em 1870 o palácio e a quinta acabariam por receber a instalação do Cabo Submarino, ue estabelecia a ligação entre Inglaterra e Bombaím, na Índia, e, posteriormente, com os Açores, Cabo Verde e Brasil.

A fixação de uma colónia de ingleses no local foi a responsável pela alteração do nome daquele espaço, que é hoje conhecida por Quinta dos Ingleses. Desta ocupação restam ainda vários edifícios como o hospital ou o Queen's building. Por seu lado, o solar da Quinta é atualmente ocupado pelo colégio St. Julian"s School.

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