Energia

Mesmo sem redes de baixa tensão, Iberdrola analisa compra de ativos da EDP

Ignacio Galán, presidente da Iberdrola. Fotografia
Ignacio Galán, presidente da Iberdrola. Fotografia

O presidente da Iberdrola confirmou que a empresa está a analisar se os ativos da EDP encaixam nos seus "critérios de investimento".

Depois do presidente executivo da Endesa, José Bogas, ter voltado a reforçar esta semana o interesse em comprar as barragens e outros ativos hidroelétricos que a EDP está a vender, confirmando que a elétrica espanhola foi uma das convidadas a participar no processo, esta quarta-feira, também em Madrid, foi a vez do presidente da Iberdrola, Ignacio Sánchez Galán, dizer que também está a analisar o caderno de encargos da operação.

O documento, enviado a 10 possíveis compradores, obrigados a assinar um contrato de confidencialidade, continua no segredo dos deuses, sabendo-se apenas que a EDP planeia vender os ativos hidroelétricos que detém na Península Ibérica por dois mil milhões de euros. Resta saber se serão todas ou apenas algumas as barragens incluídas no negócio.

Uma coisa é certa, e foi a própria EDP a confirmá-lo: quem comprar os ativos não poderá contar com a cedência das redes de baixa tensão. Em declarações ao Dinheiro Vivo, João Marques da Cruz, administrador da EDP e da EDP Distribuição, negou que esta cedência faça parte do caderno de encargos do processo de venda das barragens que a EDP tem em curso. A confirmação deste ponto chegou também entretanto por parte de fonte conhecedora do processo, que teve acesso ao caderno de encargos.

No que diz respeito a um possível interesse na compra dos ativos da EDP, aos quais também concorrem a Endesa, a Naturgy, a britânica Electricity North West (ENW) e o fundo o fundo Brookfield, o presidente da Iberdrola confirmou que a empresa está a analisar “oportunidades em todo o mundo”, pelo que fará uma análise e verá se estes ativos encaixam nos “critérios de investimento” antes de tomar uma decisão.

“Neste momento, a nossa equipa está a fazer o que tem de fazer, lendo, analisando e tirando os valores do negócio, para que quando tomemos uma decisão seja a correta”, disse Galán citado pelo jornal La Vanguardia.

Por outro lado, a Iberdrola está ela própria a ponderar levar a cabo uma rotação de ativos. De acordo com o El Confidencial, a elétrica espanhola que também opera em Portugal está em negociações avançadas para vender parte da sua carteira de projetos eólicos marinhos, por um valor entre 700 e mil milhões de euros.

Esta quarta-feira a Iberdrola apresentou os resultados relativos ao primeiro semestre de 2019, revelando um resultado líquido de 1.644,4 milhões de euros, que representa um aumento de 16,6% por comparação com os primeiros seis meses de 2018. A empresa atribui esta melhoria ao crescimento dos negócios de redes e geração de eletricidade, e clientes. Galán explicou que a empresa está a executar o seu plano estratégico a um ritmo mais acelerado que o esperado e anunciou previsões para os resultados anuais com o resultado líquido a crescer “mais de 10%”.

Sobre a compra das barragens da EDP, Bogas recordou que há um processo formal já em andamento para a aquisição desse pacote de ativos hidráulicos da EDP na Península Ibérica, tendo sido fixado o dia 31 de julho como prazo final para a apresentação de ofertas não vinculativas.

Em conferência de imprensa, o responsável explicou que a Endesa está interessada nesses ativos, como em todas as oportunidades que surjam para crescer no mercado ibérico, mas sempre procurando a criação de valor para os acionistas.

Em março, a EDP anunciou iria realizar vários processos de venda de ativos, para um encaixe de 6.000 milhões de euros, com o objetivo de alcançar financiamento para sua aposta nas energias renováveis. A empresa referiu a intenção de encaixar mais de 2.000 milhões de euros com a venda de negócios não estratégicos para o grupo, identificando sobretudo ativos em regime de mercado e centrais térmicas em Portugal e Espanha. A alienação deverá ser concretizada “nos próximos 12 a 18 meses”, ou seja, algures durante 2020.

A EDP contratou dois bancos de investimento – Morgan Stanley e UBS – para gerir a venda das barragens e mini-hidroelétricas, que terão já entrado em contacto direto com pelo menos 10 potenciais investidores. Entre eles as principais empresas energéticas espanholas e vários fundos de investimento, sendo que todos eles manifestaram interesse prévio na compra dos referidos ativos.

Na lista de empresas e fundos que já receberam a “documentação” (apresentação dos ativos e respetivo caderno de encargos enviada pelos bancos em nome da EDP) figuram nomes como a Repsol, Iberdrola, Naturgy, Endesa, Engie e os fundos Brookfield, Macquarie (através da sua participada Viesgo) e a alemã Aquila Capital.

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