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Metalurgia cresce 16% com mais de uma década de recordes

A metalurgia e metalomecânica abrangre desde agulhas a grandes estruturas metálicas. Fotografia: Hannibal Hanschke / Reuters
A metalurgia e metalomecânica abrangre desde agulhas a grandes estruturas metálicas. Fotografia: Hannibal Hanschke / Reuters

As expectativas são para que o ano encerre acima dos 19 mil milhões. Agroindústria, vinhos, cortiça, têxtil e madeiras também crescem

A campeã das exportações continua em alta e, tudo o indica, caminha para o seu décimo primeiro ano consecutivo de vendas recorde ao exterior. No primeiro semestre do ano, as empresas de metalurgia e metalomecânica exportaram 9556 milhões de euros, mais 16% do que em 2017, o que permite antecipar que o sector encerre o ano a ultrapassar os 19 mil milhões de euros exportados. Em 2017, exportou 16,4 mil milhões. “É impressionante”, diz o vice-presidente da associação metalúrgica, a AIMMAP, que imputa ao esforço de internacionalização os resultados que o sector agora colhe.

“Fomos a mais feiras e levamos mais empresas. Somos cada vez mais e oferecemos cada vez mais produto, qualidade e preço”, garante Rafael Campos Pereira, que destaca a “consistência” da aposta internacional sob o uso da marca “Metal Portugal”, que “ajudou a catapultar” a indústria. “Finalmente, há a perceção de Portugal como um país de tecnologia e inovação, com qualidade, quer ao nível das máquinas e equipamentos, quer das peças técnicas de elevado valor para indústrias tão diversas como o automóvel, a ferrovia ou o nuclear, nas quais a flexibilidade, a qualidade e a excelente relação preço qualidade que apresentamos são vantagens determinantes face a outras geografias”, lembra.

Por outro lado, também o crescimento do turismo a nível mundial está a beneficiar a indústria metalúrgica e metalomecânica nacional. “A procura de cutelaria e à loiça metálica está em crescimento, quer para os grandes projetos na Ásia como para os Estados Unidos. Os clientes estão a redescobrir o design e a qualidade dos nossos produtos”, frisa.

Os bons resultados nos mercados europeus, e em especial em países como a Alemanha, Espanha, França, Itália e Áustria, estão na origem do crescimento da fileira. E a guerra comercial entre os EUA e a China ainda não se fez sentir. “O nosso receio é que, algumas incertezas a partir de outubro, com o aumento das taxas de juro e a indefinição com o brexit, possam vir a arrefecer a conjuntura económica”, diz Rafael Campos Pereira, lembrando que “a indefinição é o pior no mundo dos negócios”.

No agroalimentar, as notícias são também boas, com as exportações a crescerem 5,9% para 2444 milhões de euros. O crescimento intracomunitário foi o mais significativo, passando de 1485 milhões para 1630 milhões.

Performance similar têm, também, os vinhos portugueses, que estão a crescer 6%, para 369 milhões de euros. Mas o preço médio por litro exportado caiu 1,2%, para 2,47 euros. Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, que alerta para a “grande volatilidade” das análises semestrais, destaca o comportamento de países como Angola, que continua a cair 18%, ou o Brasil, que cresce 28%. E o preço médio acompanha, com um aumento de 13,2% para 2,84 euros por litro.

O acréscimo de vendas para os EUA é de, apenas, 1%, mas para o Canadá é de 4%. Do Reino Unido as notícias são menos boas: as vendas de vinhos nacionais estão a cair 1,3%, muito à custa do vinho do Porto, que regista uma quebra de 19% neste mercado. Em contrapartida, os restantes vinhos com denominação de origem crescem 60%.

Mas Jorge Monteiro destaca, sobretudo, “a boa surpresa” nos espumantes, categoria em que os produtores portugueses “ainda apostam pouco”, mas que cresceu 57,4% no primeiro semestre, com um ganho de 22,5% no preço médio que é de 6,13 euros o litro. “Este é um crescimento muito interessante, que se deve muito ao Brasil e ao Canadá, e que é bom manter”, destaca este responsável.

Não admira, por isso, que também as exportações de cortiça estejam em alta, com um aumento de 6,5% no primeiro semestre, para 557,5 milhões de euros. Um balanço “muito positivo”, diz o presidente da APCOR, João Rui Ferreira, admitindo que, se se mantiver este ritmo até ao final do ano, o sector “verá, assim, alcançada a meta dos dois mil milhões de euros de exportações”. As rolhas valem 70% do total exportado.

Em termos de destinos, França, Estados Unidos e Espanha lideram o top 3 de maiores compradores e crescem 2,6%, 4,47% e 24,9%, respetivamente. A China, que possui já a segunda maior área de vinha do mundo, cresceu 23,9% e as vendas para a Austrália subiram 25,5%.

Na fileira da madeira e mobiliário, a rota é também de desenvolvimento, com as vendas ao exterior a aumentarem 4% para 1303 milhões de euros. Só o mobiliário, exportou 869 milhões, mais 6% do que no período homólogo. Vítor Poças, líder da Associação das Madeiras e Mobiliário de Portugal (AIMMP), destaca a “grande consolidação” do sector e assegura que, desde 2010, as exportações da fileira cresceram quase mil milhões de euros, prevendo-se que, este ano, ultrapassem a fasquia dos 2500 milhões de euros. A França é o principal mercado de destino das exportações portuguesas de mobiliário, colchoaria e iluminação, tendo passado de uma quota de mercado de 27% em 2015 para 32% em 2017. No primeiro semestre de 2018 ainda subiu para os 33%.

Mais modesta é a performance da indústria têxtil e do vestuário (ITV), que cresce, mas apenas 2% para 2700 milhões de euros. Um valor “notável”, garante Paulo Vaz, diretor-geral da associação sectorial, a ATP, “dadas as circunstâncias que vivemos”. E explica: “Além das quebras importantes em dois dos principais mercados, a Espanha e o Reino Unido, a ITV portuguesa está a enfrentar a pressão da concorrência da Turquia, cuja desvalorização contínua da moeda (quase 40% desde janeiro), acaba por ter impactos negativos em Portugal, pois desvia muitas encomendas”. Se no caso de Inglaterra são os efeitos diretos do brexit, do lado espanhol está a “mudança de política de aprovisionamento da Inditex”, que procura “aumentar margens no negócio” escolhendo destinos mais baratos.

Em contraciclo evoluíram, no primeiro semestre, as exportações do calçado e da cerveja, com quebras de 1,38% e de 11,66%, respetivamente. No calçado, o principal mercado, a França, continua em queda, menos 3,51%, e as vendas para Espanha também recuam 2,83%. Os EUA, a grande aposta do sector este ano, está a cair 14,93%. Já na cerveja, as vendas para a China recuaram 27,3%, e 82,7% para Angola, que chegou a ser o principal destino das exportações da indústria: em 2014 vendemos 149 milhões de euros em cerveja para Angola.

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