Energia

Mexia promete novidades sobre a OPA para o início de 2019

António Mexia, CEO da EDP
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
António Mexia, CEO da EDP (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Há sinais claros que a CTG está a avançar com as aprovações regulatórias exigidas no contexto da OPA, disse Mexia.

Foram os dois temas mais sublinhados pelo CEO da EDP, António Mexia, durante a apresentação de resultados do 3º Trimestre de 2018, numa conference call esta manhã com analistas e investidores: a OPA lançada pela China Three Gorges à EDP e a venda de ativos por parte da empresa num valor acumulado de cerca de 380 milhões de euros, no âmbito de um contexto de lucros a cair a pique nos primeiros nove meses do ano: uma descida de 74% até setembro de 2018, face a igual período do ano passado.

Mexia disse também que espera que o governo acabe com o mecanismo clawback em Portugal agora que Espanha decidiu rever os impostos sobre o setor. “Este mecanismo existia para anular a diferença entre os dois países. Se o imposto em Espanha desaparece, o mecanismo também devia desaparecer”, disse Mexia.

Sobre a oferta pública de aquisição que pende sobre a EDP por parte dos chineses da CTG, Mexia satisfez hoje a curiosidade de analistas e investidores com o processo, numa altura em que começam a surgir dúvidas sobre se a OPA avançará mesmo ou não, tendo em conta todos os diferentes países onde a operação tem de obter sinal verde (sendo os mais importantes a União Europeia e os Estados Unidos) e tendo em conta também o forte impacto nas contas da empresa dos cortes já decretados pelo governo relativamente aos custos de manutenção do equilíbrio contratual (CMEC).

“A CTG está a fazer o que lhe compete. A OPA está a avançar e a EDP mantém o diálogo com a CTG”, disse Mexia, prometendo mais novidades ao mercado já no início de 2019. “Vamos falar do futuro da EDP no primeiro trimestre do ano, depois de obtermos mais clareza sobre o assunto”, disse o CEO, sublinhando: “Estamos sob uma OPA mas estamos a fazer o que nos comprometemos com o mercado”

Na apresentação aos analistas e investidores, a EDP frisou três questões: que há sinais claros que a CTG está a avançar com as aprovações regulatórias exigidas no contexto da OPA (e falou da recente aprovações pelo CADE noBrasil e da pré-notificação recebida por Bruxelas e confirmada esta semana); que o Conselho de Administração mantém a mesma posição já avançada em junho, de acordo com a qual não rejeita a OPA mas avisa que o valor oferecido é demasiado baixo; e que a empresa se mantém focada na criação de valor para os acionistas com a manutenção de projetos de baixo risco.

“São várias as geografias onde é necessária autorização”, disse Mexia falando em pelo menos 14 países e garantindo que, na grande maioria, a operação já foi aprovada. “O mais importante é a Europa. Mas a CTG está a fazer o que lhe compete”.

Ontem, depois do comunicado enviado à CMVM ter mostrado que os lucros da EDP caíram de 1147 milhões para 297 milhões de euros, no acumulado até setembro, o administrador financeiro Miguel Stilwell de Andrade tinha já justificado os maus resultados da elétrica com as decisões tomadas pela ERSE e pelo governo. “O tema dominante este ano é o impacto que temos tido em Portugal por via da regulação e das alterações legislativas. No total são cortes de cerca de 320 milhões de euros, o que leva a que tenhamos registado apenas 18 milhões de euros de resultados líquidos em Portugal. Se juntarmos as renováveis, passa para 16%”, disse ao Dinheiro Vivo Stilwell de Andrade. As operações em território nacional dizem assim respeito a apenas 6% dos lucros da EDP. “Temos 84% do resultado líquido a vir de operações fora de Portugal, sobretudo de Espanha e do Brasil”, explicou o administrador.

Já esta sexta-feira a EDP anunciou ter acordado com a Aquila Capital a venda, por 164 milhões de euros, da totalidade do capital da EDP Small Hydro, que detém direta e indiretamente 21 centrais mini-hídricas em Portugal. Segundo a elétrica portuguesa, as 21 centrais mini-hídricas em questão “têm uma concessão residual média de 14 anos, situam-se na região Centro e Norte de Portugal e totalizam 103 MW [megawatts] de capacidade instalada”.

Os analistas bombardearam, Mexia com questões sobre as recentes venda de ativos mas o CEO da EDP garantiu que “faz parte da estratégia”. “Estava refletido no nosso guidance e faz todo o sentido porque aumenta o valor e reduz o risco. A venda de ativos faz parte do negócio e fará cada vez mais. O setor está a mudar”, disse Mexia, acrescentando que as vendas ainda não estão finalizadas mas ascendem a cerca de 380 milhões de euros, entre as mini hídricas já vendidas no Brasil e agora em Portugal. A ideia, explicou Mexia, “é reduzir tudo o que está sub-escalado e muito longe do que é o nosso negócio, o que não é fulcral”. “Assim temos mais dinheiro para investir onde é importante”. Mexia sublinhou o investimento de três mil milhões de euros em novas centrais hídricas.

Tal como a venda de 50% da EDP Produção Bioeléctrica S.A. à Altri, acordada a 31 de julho por 55 milhões de euros, esta nova transação enquadra-se na estratégia de “otimização do portfólio” da EDP, “através da alienação de atividades não estratégicas e de escala reduzida em Portugal, bem como da alocação destes fundos a outras áreas de crescimento”.

 

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