Comércio internacional

Trump anuncia revisão do NAFTA e muda-lhe o nome

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos. REUTERS/Leah Millis
Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos. REUTERS/Leah Millis

Donald Trump anunciou esta segunda-feira que, após longas negociações, os Estados Unidos e o México alcançaram um acordo comercial “muito bom” para a reforma do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). Para além disso, o presidente norte-americano quer mudar a designação do Tratado para Acordo de Comércio Estados Unidos-México pois considera que o antigo tem uma “má conotação”.

Assim, os dois países terão resolvido as suas diferenças bilaterais acerca do NAFTA que, juntamente com o Canadá, representa 1,2 biliões de dólares em comércio anual. As negociações com o Canadá, que não participou nesta fase, deverão começar imediatamente.

Nos últimos dias é que foram feitos grandes avanços entre o México e os Estados Unidos na área da energia e automóveis. As negociações méxico-americanas tinham-se focado em novas regras para a indústria automóvel, principal motivação do presidente norte-americano, que considera que o pacto tem sido um “desastre” para os trabalhadores americanos. Porém hoje Trump já pode tweetar “Um grande acordo com bom aspeto com o México!” e “É um grande dia para o comércio”.

O acordo EUA-México aumenta o limiar para acesso livre do conteúdo automóvel regional sem tarifas sob o NAFTA para cerca de 75% em comparação com os 62,5% atuais. E 40 a 45% do conteúdo automóvel terá de ser realizado por trabalhadores a ganhar pelo menos 16 dólares por hora, disse um dos representantes americanos.

Porém a administração americana tem tentado impor um limite nas exportações mexicanas de carros e SUV para os Estados Unidos sem tarifas ou tarifas de 2,5%, o que complica as negociações nesta área, segundo três fontes citadas pela Reuters.

Dois fabricantes de automóveis dizem que os EUA não querem as exportações mexicanas de carros e SUVs acima dos dois milhões de unidades, mais do que os 1,77 milhões exportados em 2017, se não contarmos com as carrinhas pick-up. Incluindo-as, o México exportou mais de 2,3 milhões o ano passado para os EUA.

Tanto o México como o Canadá têm-se esforçado por renegociar o acordo com 24 anos, assinado por Bill Clinton em 1994, que Trump insiste que é injusto para os americanos, e que se não for corrigido levará à retirada dos EUA.

Desde a eleição presidencial mexicana de 1 de julho as negociações méxico-americanas foram complicadas por diferenças de opinião entre a atual e a futura administração esquerdista mexicana na área da política energética. Esta, liderada pelo presidente eleito Andres Manuel Lopez Obrador tem-se oposto a colocar no novo NAFTA a reforma de 2013-14 no setor petrolífero e gasoso, feita pelo ainda presidente Enrique Pena Nieto.

No entanto o chefe das negociações mexicano Jesus Seade diz que a questão energética já foi resolvida e não era tema principal, e que a equipa do futuro presidente mexicano apenas queria verificar se os termos do acordo seriam consistentes com a constituição mexicana.

Para além desta questão energética, outra que demorou mais tempo foi a exigência americana para que existisse uma data a partir do qual o acordo de livre comércio deixaria de ter efeito e teria de ser renovado.

Trump deverá informar, até ao final da semana, o Congresso americano da sua intenção de assinar um novo acordo comercial em 90 dias, que daria tempo para o ainda presidente do México, Enrique Pena Nieto, assinar o acordo antes da presidência mexicana passar para o esquerdista Andres Manuel Lopez Obrador.

Trump disse ainda que ia falar com o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, brevemente, mesmo ameaçando que seria mais fácil impôr tarifas aos carros canadianos do que incluir o Canadá neste novo acordo. Pena Nieto escreveu no Twitter que falara com Trudeau no domingo à noite, incitando-o a regressar às conversações com o objetivo de concluir um acordo entre as três nações ainda esta semana.

Com a expetativa sobre o acordo, as bolsas dos três países norte-americanos estão em subida, como o NASDAQ, que superou pela primeira vez a barreira dos 8000 pontos. O peso, moeda mexicana, subiu também 1,3% face ao dólar, a maior subida diária no último mês e a bolsa mexicana atingiu máximos de sete meses, subindo 1,4%.

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