Indústria do calçado

Micam. Coronavírus vai custar 20% dos visitantes da feira de Milão

Luís Onofre, presidente da APICCAPS (à esquerda) e Amílcar Monteiro, socio-gerente da Kyaia (à direita) na visita do secretário de Estado da Economia, João Neves, ao stand da Fly London, um dos 69 expositores portugueses na Micam. Fotografia: Direitos Reservados
Luís Onofre, presidente da APICCAPS (à esquerda) e Amílcar Monteiro, socio-gerente da Kyaia (à direita) na visita do secretário de Estado da Economia, João Neves, ao stand da Fly London, um dos 69 expositores portugueses na Micam. Fotografia: Direitos Reservados

Em setembro, passaram pela maior feira de calçado do mundo cerca de 44 mil pessoas. Menos 20% serão 8800 visitantes.

Milão é, habitualmente, uma cidade efervescente, mas que ganha toda uma outra dimensão, em fevereiro e setembro, quando a Semana da Moda e a Micam, a maior feira de calçado do mundo, juntam na cidade italiana milhares de visitantes dos cinco continentes. Neste ano, a cidade está diferente. Na chegada ao aeroporto, a tranquilidade pouco habitual em vésperas do arranque do certame, já o fazia prever, mas os corredores vazios em alguns dos pavilhões neste primeiro de cinco dias da feira vieram prová-lo. E a própria organização da Micam já assumiu que são esperados menos 20% de visitantes. Qualquer coisa como menos 8.800 pessoas.

Desde o início de fevereiro que a associação italiana dos industriais de calçado, Assocalzaturifici, vinha tentando desdramatizar o efeito do coronavírus no certame. E em entrevista a um jornal local, o diretor geral desta entidade destacava que os visitantes asiáticos representavam, apenas, 7% do total de visitantes da feira e garantia mesmo que o coronavírus já estava a favorecer a indústria italiana, com empresas estrangeiras a solicitar a produção de amostras em Itália, “tanto por problemas relacionados com o coronavírus quanto por questões de qualidade”. “É também por isso que estou convencido de que a Micam, como sempre, terá boas surpresas reservadas “, salientava Tommaso Cancellara.

Luís Onofre, presidente da associação portuguesa de calçado, a APICCAPS, não vai tão longe. “Não tenho, ainda, uma posição tomada sobre isto. É algo novo e não sabemos bem a dimensão que este problema pode assumir na nossa economia. Vamos esperar para ver, mas é algo que nos preocupa sobremaneira”, admitiu, em declarações aos jornalistas, à margem da visita do secretário de Estado da Economia, João Neves, aos expositores portugueses na Micam. Para evitar ruturas de stocks de alguns dos materiais que a indústria importa da China, designadamente tecidos, acessórios e produtos para componentes, com as palmilhas, Onofre diz que a prevenção é a melhor solução. “Estamos a tentar apostar em novos fornecedores europeus”, diz. E sem embandeirar em arco – há que não esquecer a polémica gerada pelas declarações da ministra da Agricultura na feira em Berlim, falando de uma oportunidade para as empresas portuguesas -, o presidente da APICCAPS sempre vai admitindo que “poderá haver clientes que estavam na China [a produzir] e que venham a Portugal” e que a indústria estará “preparada para os receber”.

Carlos Abreu, responsável da Fábrica de Calçado Trópico, de Vila Nova de Gaia, que detém a marca Perlato, é da mesma opinião. “Uma doença nunca é boa, mas isto até pode ser benéfico para as empresas portuguesas”, disse ao secretário de Estado. Alguns dos clientes habituais da Perlato não estarão na Micam este ano, quer americanos quer japoneses, mas Carlos Abreu vai fazer-lhes chegar a coleção. “Não podemos perder o mercado”, afiança, admitindo que os clientes estão preocupados. “As lojas estão fechadas há semanas e perder uma temporada é complicado, sobretudo num sector em que as margens são tão pequenas”, lembrou.

Também Luís Onofre irá recorrer às novas tecnologias, seja o skype ou o facetime, para dar a conhecer a sua nova coleção aos quatro clientes asiáticos da marca que não puderam vir a Milão. “Temos de lhes fazer chegar os produtos, tem que ser feito”, frisa.

* A jornalista viajou a Milão a convite da APICCAPS

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