Contas nacionais

Mínimo histórico. Famílias só poupam 4% do que ganham

António Costa, primeiro-ministro, e Mário Centeno, ministro das Finanças, num debate parlamentar sobre o OE2019. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante
António Costa, primeiro-ministro, e Mário Centeno, ministro das Finanças, num debate parlamentar sobre o OE2019. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

INE. Ritmo de expansão do consumo continua a superar o ritmo dos rendimentos (salários, pensões e outros). Estes últimos só subiram 1,1%.

A taxa de poupança das famílias portuguesas bateu um novo mínimo histórico de 4% no final do terceiro trimestre, indicou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Isto é, as famílias só estão a conseguir ou decidir guardar 4% do que ganham. O resto (96%) vai para consumo.

De acordo com as contas nacionais por sectores da economia até final de setembro, “a taxa de poupança das famílias diminuiu para 4% do rendimento disponível” no terceiro trimestre porque o ritmo do consumo continua a superar o ritmo dos rendimentos (salários, participações em lucros e outros).

A referida taxa tinha sido de 4,5% no segundo trimestre, o que já por si é um valor bastante baixo.

Fonte: INE

Fonte: INE

A degradação da poupança é um problema considerado grave e estrutural na economia portuguesa. O INE reitera que isso é “resultado do aumento do rendimento disponível inferior ao da despesa de consumo final”.

O mesmo instituto explica que “a taxa de poupança das famílias mede a parte do rendimento disponível que não é utilizado em consumo final, sendo calculada através do rácio entre a poupança bruta e o rendimento disponível (inclui ajustamento pela variação da participação líquida das famílias nos fundos de pensões)”.

Impostos comeram mais rendimento às famílias

O INE explica que “o aumento menos acentuado do rendimento disponível das famílias foi determinado pelo crescimento de 3,3% dos impostos sobre o rendimento no 3º trimestre de 2018 (diminuição de 1,3% no trimestre anterior)”.

O mesmo estudo refere que o aumento do rendimento disponível foi de apenas 0,3% no 3º trimestre de 2018. O contributo das remunerações ficou-se pelos 0,7 pontos percentuais, ao passo que o excedente bruto de exploração (uma medida próxima dos lucros) ajudou apenas com 0,1 pontos.

O INE nota ainda que os impostos pagos pelas famílias “sofreram algumas perturbações no perfil trimestral nos dois últimos anos devido, em grande medida, às diferentes cadências dos reembolsos do IRS, afetando em particular a evolução entre o 2º e o 3º trimestres de cada ano”.

Em contrapartida, para piorar as coisas, o ritmo dos rendimentos recebidos manteve-se relativamente baixo. No terceiro trimestre, “as remunerações recebidas registaram um acréscimo idêntico ao do trimestre anterior (1,1%)”.

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