Portugal Mobi Summit 2019

Ministro anuncia fim das borlas em carregamentos com privatização da rede Mobi.e

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O ministro marca presença na sessão da abertura da segunda edição da conferência Portugal Mobi Summit

O ministro do Ambiente e da Transição Energético, João Pedro Matos Fernandes, anunciou esta quinta-feira que o Governo quer privatizar a rede Mobi.e e para isso vai lançar até ao final do ano, “o mais tardar no início de dezembro”, um concurso público para que todos os postos de carregamento da rede de mobilidade pública passem a ser operados por privados.

Ou seja, depois de há um ano, a 1 de novembro, terem começado a ser pagos os carregamentos pelos utilizadores de carros elétricos mas apenas nos postos rápidos na rede pública, agora toda a restante rede Mobi.e vai passar também ser paga.

Apesar disso, o ministro garantiu que a mobilidade elétrica vai ser mais barata que a atual mobilidade a gasolina e gasóleo, apesar do número de deslocações ter tendência para aumentar. O governante diz que a razão para isso prende-se com a maior produção de energias renováveis em Portugal, o que vai fazer com que “a energia seja mais barata” no futuro. “Vai ser mesmo mais barata a energia para a mobilidade e as deslocações que temos de fazer”, disse o ministro.

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No total, frisou Matos Fernandes, serão 600 postos de carregamento, divididos por 10 lotes (de 60 a 70 carregadores), cuja gestão será entregue a empresas privadas via concurso, garantiu o ministro. O objetivo, disse Matos Fernandes é que na primavera de 2020 estes portos já estejam entregues a empresas que “vendem eletricidade” e que no Governo seja apenas o regulador da rede.

“O governo tem preparado para breve, ainda este ano, o lançamento da concessão de todos os carregadores da Mobi.e associados à rede de carregamento elétrico”. O anúncio do ministro foi feito em entrevista à TSF, antes da sessão da abertura da segunda edição da conferência Portugal Mobi Summit, que este ano tem lugar nos dias 24 e 25 de outubro na Nova SBE, em Carcavelos.

ministro2Aos jornalistas, à margem do vento, o ministro explicou que “há cerca de 600 a 700 carregadores em todo o país, que vão ser colocados em concurso até ao final do ano. Essa é a rede que queremos concessionar, num concurso com 10 lotes para que na primavera toda a rede já esteva concessionada e a partir daí o Estado já seja apenas o regulador desta atividade. E que seja quem sabe vender eletricidade para automóveis que faça a gestão, a operação e o desenvolvimento da rede”.

O governante, que tomará de novo posse no próximo sábado, agora com mais responsabilidade e como ministro do Ambiente e da Ação Climática, falou também do investimento necessário – feito sobretudo por famílias e empresas – para chegar às metas já definidas por Portugal: ser neutro em carbono até 2050 e reduzir as emissões em 40%. O ideal é que os cinco milhões de motores a combustão que hoje circulam em Portugal sejam substituídos por elétricos, mas admite que a descarbonização no setor dos transportes é “mais complicada”.

O ministro estima que seja necessário um investimento de dois mil milhões de euros em cada ano para atingir estas metas, sendo que 90% do investimento cabe às famílias e apenas 10 a 15% ao Estado.

Há um ano, também na Mobi Summit, Matos Fernandes anunciou o início do pagamento dos carregamentos nos postos rápidos a partir de 1 de novembro de 2018. Já em abril de 2019 passaram também a ser suportados pelos utilizadores os carregamentos nos postos da rede Mobi.e localizados em espaços privados, como parques de estacionamento de grandes superfícies, sendo que aqui cabe aos operadores dos postos de carregamento decidir se cobram ou não o valor da eletricidade carregada.

À TSF, o ministro do Ambiente disse também que quer mais incentivos à compra de carros elétricos. João Matos Fernandes lembra que se Portugal quer cumprir o compromisso de ser neutro em carbono até 2050 tem de investir na substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis.

O ministro do ambiente quer uma fatia maior do Orçamento para incentivar o consumo de veículos elétricos, além dos 3000 euros atribuídos aos “primeiros veículos elétricos que foram atribuídos durante este ano e nos anos anteriores”. Na visão do ministro, em 2020 “esta medida tem de ser aumentada, não no valor individual mas no orçamento global para esta política”, disse Matos Fernandes à TSF. “É normal que estando em causa a descarbonização do país o Estado ajude e apoie com incentivos fiscais essa mesma descarbonização”, referiu o ministro.

“É uma transição que merece ser apoiada e tem de ser apoiada”, destacou João Pedro Matos Fernandes, em declarações em direto na Manhã TSF especial a partir da Portugal Mobi Summit. “É normal que estando em causa o superior bem público que é a descarbonização do país que o Estado ajude e apoie fiscalmente, com incentivos, essa mesma transição”, defende. “Para sermos neutros em carbono até 2050 o país tem que investir mais dois milhões mil de euros do que seria expectável em cada ano.”

Desse valor, aproximadamente 90% corresponde ao investimento das famílias, já que é necessário substituir quase cinco milhões de veículos movidos a combustíveis fósseis.

É por isso que dos “10, 12% ou 15% de investimento público em prol descarbonização a maior fatia está nos transportes”, justifica João Pedro Matos Fernandes – “no investimento que tem de ser feito na ferrovia no país todo e nas áreas metropolitanas, no transporte urbano e metropolitano de Lisboa e Porto.

Recentemente, o ministro tinha já admitido ao Dinheiro Vivo que que “a rede de carregamento de veículos elétricos tem de crescer significativamente nos próximos tempos” e anunciou mesmo a “instalação de mais 100 postos de carregamento rápidos” na rede Mobi.E, quando hoje são apenas 50/55.

“Até ao final deste ano toda a rede piloto estará concluída nos carregamentos lentos e a partir daí podemos lançar concursos para a concessão dessa rede. A rede tem de crescer para satisfazer uma procura que será muito grande daqui a 10 anos”, disse Matos Fernandes.

Veja toda a cobertura do Portugal Mobi Summit 2019.

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