Finanças Públicas

Ministro das Finanças italiano elogia Portugal e Centeno no défice

Giovanni Tria, ministro das Finanças de Itália. (Fotografia: Stefano Rellandini/ Reuters)
Giovanni Tria, ministro das Finanças de Itália. (Fotografia: Stefano Rellandini/ Reuters)

“Após o forte resultado orçamental de 2017, decorrerem esforços de consolidação com uma meta de défice de 0,7% em 2018", declarou Giovanni Tria.

Giovanni Tria, o ministro das Finanças de Itália, que hoje está a ser duramente criticado pelas altas instâncias europeias por querer expandir o défice público italiano em 2019, elogiou o seu colega português, Mário Centeno, pelos “fortes” resultados obtidos nas contas públicas.

Há cerca de semana e meia, numa intervenção dos encontros anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Bali, na Indonésia, o governante italiano referiu que “desde as últimas reuniões da primavera, a economia portuguesa continuou a registar um bom desempenho, com taxas de crescimento superiores a 2%, melhores condições no mercado de trabalho, continuação da consolidação orçamental e maior resiliência do sector bancário”.

Falando no Comité Monetário e Financeiro Internacional na qualidade de representante de seis países membros do FMI (Albânia, Grécia, Itália, Malta, Portugal e San Marino), Giovanni Tria fez o tal balanço positivo dos desenvolvimentos das contas públicas portuguesas e também reparou na melhoria das condições económicas.

Relativamente ao trabalho de Centeno, disse que “após o forte resultado orçamental de 2017, estão a decorrer esforços de consolidação orçamental, com uma meta de défice de 0,7%” este ano. O peso da dívida pública, de “124,8% do PIB no final de 2017”, “deve continuar a diminuir”.

Na economia, pegou nos dados das contas nacionais até ao segundo trimestre e destacou o “forte” crescimento do investimento, o crescimento “robusto” das exportações e a melhoria forte do emprego e a descida do desemprego.

Deixou ainda menções positivas à “tendência de redução” do endividamento privado (empresas e famílias, ainda que com um reparo. O stock da dívida dos particulares está a descer, mas “o crédito ao consumo e os novos empréstimos para compra de casa têm vindo a acelerar nos últimos tempos”.

Os bancos que operam em Portugal também “estão mais robustos” e capitalizados, com “maior capacidade de reduzir os créditos não produtivos [malparado e outros]”, apesar de subsistirem problemas de rendibilidade do negócio bancário e pressões da concorrência de outros territórios, elencou o governante italiano.

Itália defende Itália no FMI

Giovanni Tria também falou da situação italiana e reiterou os planos do seu governo, que pretende ir contra as regras de Bruxelas, fazendo subir o défice dos 1,8% previstos em 2018 para 2,4% em 2019.

Na intervenção com data de 13 de outubro, o responsável pelas Finanças da terceira maior economia da zona euro explicou que a ideia é deixar subir o défice para reanimar a economia, que está a crescer muito pouco.

“O governo decidiu subir a meta do défice para 2,4% do PIB em 2019”. Esse défice superior dará margem para nós expandirmos o investimento público e reduzir a o imposto sobre as pequenas empresas e os trabalhadores independentes, bem como para implementar um benefício fiscal sobre as empresas que invistam e façam novas contratações”.

“Além disso, dedicaremos um valor equivalente a 0,9% do PIB a uma nova política de apoio aos rendimentos e a um esquema de reformas antecipadas, aumentando assim as oportunidades de emprego para os jovens”, acrescentou.

Tria explicou que o défice de 2,4% em 2019 é uma meta alcançável e “não será excedida” já que o governo tem uma “combinação de cortes de despesas e aumentos de receita, incluindo novidades na faturação eletrónica” que vão proteger as contas italianas face a eventuais derrapagens na execução orçamental.

O défice de 2,4% no ano que vem ajudará, supostamente, a que a economia acelere de 1,2% este ano para 1,5% no próximo, com o desemprego a cair de 11,2% para 10,6% da população ativa, indica o plano orçamental da discórdia, entretanto enviado para Bruxelas. A dívida pública desce devagar, de 130,9% em 2018 para 130% em 2019, mantendo-se assim como a segunda maior da Europa (a seguir à da Grécia).

Mais guerra, mais juros

Atualmente, como referido, Itália está em guerra aberta com a Comissão Europeia, que acabou de mandar para trás o plano de projeto orçamental dos italianos.

O governo de Roma, pela voz do seu ministro do Interior e líder da extrema-direita (Liga), Matteo Salvini, já veio dizer que Bruxelas pode mandar as cartas e fazer os avisos que bem quiser, que a proposta de Orçamento fica como está.

Como seria de esperar, os mercados de dívida pública (retalho, secundários) estão a penalizar Itália. No final do dia de quarta-feira (24 de outubro), as taxas de juro das obrigações do tesouro italiano de longo prazo (10 anos) subiram para 3,62%, bem acima dos juros cobrados a Portugal, que aliviaram ligeiramente para 1,97%.

As duas maiores economias do euro, Alemanha e França, enfrentam taxas de juro de 0,39% e 0,77%, respetivamente, no mesmo mercado a dez anos.

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