Ambiente

Ministro do Ambiente: Descarbonização deve passar pela produção e consumo

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética
João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética

Matos Fernandes considera que a economia circular é "fundamental para uma sociedade hipocarbónica, através da regeneração dos materiais que faz".

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes, disse esta quinta-feira, em Coimbra, que para Portugal atingir as metas da descarbonização em 2050 é necessário pensar a solução pelo lado da produção e do consumo.

“Alcançar a neutralidade carbónica terá de ir a par de sistemas de produção e de consumo mais inteligentes – que preservem e regenerem, ao invés de extrair e desperdiçar – e no seu centro o bem-estar social e a valorização do território”, salientou o governante.

João Matos Fernandes, que falava no encerramento da conferência “Economia Circular – Uma visão para o futuro”, promovida pelo Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), frisou que a descarbonização não pode ser pensada pelo “lado das emissões”.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética considerou que a economia circular “é absolutamente fundamental para uma sociedade hipocarbónica, através da regeneração dos materiais que faz”.

“Falo de conceber produtos que excluem logo na sua conceção a geração de resíduos e de poluição, de manter esses produtos e os seus constituintes em uso por mais tempo e de promover a regeneração dos sistemas naturais, tudo isso assente em fontes de energia renováveis”, sublinhou.

De acordo com João Matos Fernandes, “é preciso pensar e criar modelos de negócio que permitam gerar valor do mesmo produto várias vezes ao invés de uma só vez”.

“É preciso garantir que o material que sai fora da porta da empresa possa voltar para eu o reutilizar – quanto mais simples o material, mais fácil será”, destacou.

No entanto, o governante alertou para o facto de a economia ainda ser um entrave a uma mudança de paradigma na produção de produtos sustentáveis e recicláveis por se focar no preço.

“O problema é que temos mais receios do impacto económico no curto prazo dessas soluções, do que temos dos impactos físicos das alterações climáticas, da escassez de recursos materiais, ou do colapso dos sistemas naturais, porque estão longe ou não se sentem”, afirmou.

Segundo o ministro, “é preciso entender, de uma vez por todas, que este modelo [de economia] linear pode dar riqueza a cinco anos, mas tira-nos prosperidade já nas próximas duas décadas”.

O Ministério do Ambiente e da Transição Energética “tem trabalhado em baixar as barreiras à Transição para uma Economia Circular”, disse o governante, referindo a criação do Portal ECO.NOMIA.

Esse portal foi criado “para falar dos exemplos, das oportunidades de financiamento, das boas práticas, dos eventos e desenvolvemos o Plano de Ação para a Economia Circular, um pontapé de saída para o que é preciso fazer a nível de política, mas também ao nível setorial e ao nível regional”, acrescentou.

João Matos Fernandes adiantou que o Fundo Ambiental já apoiou vários projetos de pequenas e médias empresas, de startups, de indústrias e Juntas de Freguesia no montante de 6,4 milhões de euros e que, em 2019, serão investidos mais 6 milhões.

Segundo o titular da pasta do Ambiente, a mudança para uma economia circular “não depende apenas do querer do Governo”.

“Podemos construir um quadro de instrumentos políticos mais favorável, mas que de nada servirá se não houver vontade das empresas e dos cidadãos em fazer essa mudança”, rematou.

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