debate

Minuto a minuto: Road to China – o futuro da relação económica com Portugal

Veja o minuto a minuto da análise ao potencial económico Portugal-China e ao caminho de crescimento das duas nações.

Acompanhe minuto a minuto as principais intervenções na conferência “Road to China: Portugal-China, uma relação com futuro”, organizada pelo Dinheiro Vivo e que tem lugar no CCB esta segunda-feira. O encontro acontece no âmbito da visita do Presidente da China, Xi Jinping, a Portugal, esta terça e quarta-feira.

O debate será introduzido pelo ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, e destaca-se ainda a presença de Cai Run, Embaixador da China em Portugal, e Daniel Traça, Dean da Nova SBE.

A discussão é lançada sob o mote “Duas nações: um caminho: crescimento”, e contará com a moderação de Rosália Amorim, diretora do Dinheiro Vivo. A conversa vai contar com a participação de Luís Castro Henriques, presidente do Conselho de Administração da AICEP, Chris Lu, presidente da Comissão Executiva da Huawei, Jorge Magalhães Correia, presidente do Conselho de Administração da Fidelidade, e ainda Miguel Maya, da Comissão Executiva do Millennium BCP. Juntam-se ainda ao debate sobre o futuro das relações bilaterais entre Portugal e China, António Mexia, presidente da Comissão Executiva da EDP, Rodrigo Costa, presidente da Comissão Executiva da REN e Manuel Violas, Presidente do Conselho de Administração da Superbock Group.

9:15
Rosália Amorim, diretora Editorial do Dinheiro Vivo, inicia a conferência “Road to China – Portugal China, uma relação com futuro”.

Fotografia: Diana Quintela

Fotografia: Diana Quintela

9:23
O presidente do conselho de administração do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, abriu a conferência e lembrou que as relações Portugal-China têm mais de 400 anos, “mais um zero” do que os 40 anos de laços diplomáticos restabelecidos entre os dois países, que se assinalam no próximo ano.

Daniel Proença de Carvalho assinalou que o grupo Global Media é ele próprio testemunho dessas relações, ao ter como acionista de referência Kevin Ho, empresário de Macau, “símbolo e plataforma de relação com os países que falam português”.

Fotografia: Diana Quintela

Daniel Proença de Carvalho, Presidente do Conselho de Administração do Global Media Group | Fotografia: Diana Quintela

09:34
O Ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou esta esta segunda-feira na conferência “Road To China”, em Lisboa, que durante a visita esta semana do presidente chinês a Portugal serão assinadas várias ferramentas de cooperação em vários setores.

“A China é um parceiro comercial importante de Portugal. É o 13º cliente e o 6º fornecedor de bens. A balança comercial tem vido a crescer”, disse Siza Vieira.

Do lado português, o ministro salientou que a China deverá passar de investidor direto em participações de capital a “investidor ativo” em áreas como os setores automóvel e da mobilidade elétrica.

O ministro disse também que quer ver crescer as exportações portuguesas para a China, sobretudo na moda, bens de consumo e agroalimentar. Na mira estão também investimentos chineses nos portos portugueses e na ferrovia.

No Turismo, Siza Vieira vê com bons olhos a quantidade de turistas chineses que já visitam Portugal mas quer ver este número crescer ainda mais.

Fotografia: Diana Quintela

Pedro Siza, Ministro Adjunto e da Economia | Fotografia: Diana Quintela

09:39
O Embaixador da República Popular da China em Portugal, Cai Run, confirmou esta segunda-feira a intenção de Lisboa e Pequim subscreverem um entendimento no quadro da Iniciativa Faixa e Rota, a estratégia internacional de iniciativa chinesa para construção de infraestruturas em corredores de logística comercial.

A assinatura do memorando de entendimento entre os dois países para a inclusão de Portugal na iniciativa tinha já sido antecipada pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em outubro, durante uma visita a Macau.

Iremos reforçar as nossas relações sobre a iniciativa uma faixa uma rota”, indicou Cai Run. O entendimento deverá ser assinado durante a estada do presidente chinês, Xi Jinping, que estará em visita oficial a Portugal de amanhã a quarta-feira, chegado da cimeira do G20 que se realizou na Argentina.

O interesse em atrair a China para os portos portugueses tem vindo a ser manifestado em vários momentos pela Presidência da República e pelo governo português. Sines e o porto de águas profundas da Praia da Vitória, no Açores, são vistos como infraestruturas com capacidade de atração de empresas chinesas.

Empresas chinesas – nomeadamente, a Cosco – têm já presença em portos espanhóis como o de Valencia. No entanto, o governo de Espanha, onde Xi Jinping se deslocou no final do mês passado, rejeitou a assinatura de um memorando de entendimento para a inclusão do país na iniciativa Faixa e Rota. A decisão foi tomada por Madrid devido ao facto de a União Europeia ter, ela própria, lançado uma iniciativa de promoção de infraestruturas nos corredores euroasiáticos.

DQ_02303

9:51
Daniel Traça, reitor da Nova SBE, alertou que a China não se pode dar ao luxo de uma crise económica no país, num momento em que a sua taxa de crescimento anual se aproxima dos 6,5%, o valor mínimo definido no plano quinquenal do país ente 2016 e 2020.

Leia a mais aqui.

Daniel Traça, Dean da Nova SBE | Fotografia: Diana Quintela

Daniel Traça, Dean da Nova SBE | Fotografia: Diana Quintela

10:10
O Presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, desafiou a Huawei Portugal a realizar um maior investimento no país. E Chris Lu, presidente da empresa chinesa de comunicações, assegurou que assim será.

“Vamos pôr mais investimento e recursos para que juntos possamos ter mais desenvolvimento e cooperação”, afirmou o executivo da Huawei em resposta ao repto.

Chris Lu lembrou alguns dos projetos conduzidos com empresas portuguesas. Por exemplo, com a EDP via participação no projeto-piloto de contadores inteligentes com recurso à comunicação máquina-a-máquina [internet of things]. “Nos últimos três anos, investimos muitos recursos em Portugal em conjunto com os nossos parceiros”, disse.

Luís Castro Henriques indicou que Portugal pretende sobretudo captar maior investimento não só na área das tecnologias e serviços, mas também para o sector agroindustrial e, sobretudo, para sector automóvel. A AICEP tem em curso uma campanha para atrair um fabricante chinês, e várias delegações empresariais representando alguns dos maiores produtores de veículos elétricos têm vindo a visitar Portugal a convite da embaixada da República Popular da China.

O presidente da AICEP notou também uma evolução no investimento direto chinês em Portugal – hoje acima de nove mil milhões de euros – com novas unidades de negócio de raiz e não apenas aquisições de participações de empresas portuguesas.

“Vemos já empresas privadas mais pequenas a entrarem em Portugal, a fazerem os seus negócios, e a usarem Portugal como porta de entrada na Europa”, afirmou.

10:23
O investimento direto chinês em Portugal tem sido canalizado sobretudo para a compra de participações em empresas portuguesas, mas para Jorge Magalhães Correia, presidente da Fidelidade, tal não significa um menor investimento no país e nos negócios adquiridos”.

“A aquisição é uma forma de fazer também investimento a seguir”, defendeu, lembrando a compra da Luz Saúde logo após meio ano sobre a entrada do grupo Fosun.

Magalhães Correia afirmou também que o investidor chinês “usa as empresas nacionais como plataformas de crescimento noutras geografias”.

Um exemplo destacado foi a tentativa de nova aposta no mercado da América Latina, com a oferta pública de aquisição sobre 51% do capital da seguradora peruana La Positiva pela Fidelidade.

Debate: "Duas Nações, um caminho: crescimento" | Fotografia: Diana Quintela

Debate: “Duas Nações, um caminho: crescimento” | Fotografia: Diana Quintela

10:33
Luís Castro Henriques, presidente da AICEP destacou a necessidade de aumentar o consumo chinês de produtos externos e garantiu que a agência tem chamado a atenção para a competitividade do país e para as empresas inovadoras em que outros países estão a investir para atrair os investidores chineses.

Para isso, garante, é importante conhecer o mercado e desenvolver produtos especialmente para os consumidores chineses.

Foi o que fez a Super Bock, que exporta para o país desde 2009. Com a Super Bock Gold, a empresa procurou vender o seu produto como premium num mercado que é inovador e onde é importante ir ao encontro dos gostos locais.

A Super Bock está em 50 cidades e quer duplicar a sua presença para 100.

Na calha, garante, está o estudo e desenvolvimento de novos produtos Super Bock para o mercado chinês. “De certeza que conseguiremos desenvolver uma cerveja artesanal ao gosto dos chineses”.

10:34

REN e China State Grid têm competências diferentes, mas não é o know-how da empresa portuguesa que justifica a participação da operadora de rede chinesa no capital da REN. “Nenhum de nós morre sem a experiência do outro”, defendeu Rodrigo Costa, presidente da empresa da rede elétrica portuguesa.

Apesar de tudo, Portugal acaba por ser uma boa experiencia para a China”, e Rodrigo Costa destaca a experiência portuguesa na integração de renováveis como uma mais-valia. Ainda assim, a REN constitui-se como “um pequeníssimo investimento” para a State Grid, frisou.

“Há um interesse de ganhar experiencia, de criar contacto. E acho que tem sido bom para ambos os lados”, defendeu.

10:51
Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, disse que a Fosun como acionista do banco permitiu terminar o processo de transformação no principal banco privado. O acionista chinês sem relação com o setor financeiro detém 30% do banco, enquanto os acionistas angolanos têm 20%. Apesar disso, a consolidação é em Portugal. “É o nosso mercado principal. Não somos uma filial, uma sucursal.”, disse o CEO, sublinhando que com esta estrutura acionista ganham acesso a um conjunto de clientes chineses e angolanos

O CEO sublinhou o recente protocolo assinado com o grupo Alibaba, que tem o sistema Alipay, que tornará mais fácil o consumo e o pagamento a 260 mil turistas chineses que visitam Portugal todos os anos e que gastam 130 milhões no país, valor que pode aumentar 40%, se puderem utilizar os mesmos meios de pagamento do seu país.

11:10
A ideia é falar do futuro e não olhar para o passado, diz António Mexia, presidente da comissão executiva da EDP, a propósito da visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal a partir de amanhã.

“Para que um país possa crescer não há nada como falar do futuro e não estar a revisitar o passado”, afirmou.

O responsável da elétrica portuguesa rejeitou que o calendário da visita do líder do Conselho de Estado da República Popular da China estivesse estado ameaçada devido ao desenvolvimento do processo de oferta pública pelo controlo da EDP lançada pela China Three Gorges, que enfrenta vários desafios regulatórios em diferentes geografias.

“Quer a CTG quer os reguladores estão a fazer aquilo que lhes compete”, afirmou, acrescentando que “não se esperava nada de especial porque as coisas têm de correr no seu rumo natural”. Até aqui, a elétrica chinesa apenas obteve aprovação do negócio pelos reguladores brasileiros. Mas o processo, disse Mexia, “está a seguir com toda a normalidade”.

Miguel Maya, António Mexia e Chris Lu no debate "Duas nações, um caminho: crescimento" | Fotografia: Diana Quintela

Miguel Maya, António Mexia e Chris Lu no debate “Duas nações, um caminho: crescimento” | Fotografia: Diana Quintela

11:25 – “Gostaríamos de ver as barreiras alfandegárias mais baixas”
O grupo Super Bock admite que gostaria de ver menores barreiras alfandegárias à entrada no mercado chinês, mas pretende continuar a vender cerveja ao país que em 2017 absorveu já 40% das exportações da empresa.

“Gostaríamos de ver as barreiras alfandegárias mais baixas, mas não é por isso que vamos deixar de vender”, afirmou Manuel Violas, presidente do grupo português.

O responsável da empresa que tem vindo a reforçar a aposta na China – designadamente, com novos produtos orientados para o consumidor do país – disse acreditar que a visita de Xi Jinping a Portugal terá bons resultados para os dois países.

11:39
A Huawei Portugal vai associar-se à Altice num projeto conjunto de desenvolvimento de tecnologia. Chris Lu, responsável da empresa chinesa, revelou que o entendimento será assinado durante a visita do presidente chinês a Portugal e que os detalhes serão revelados até quarta-feira.

“Ainda não está decidido, mas esperamos assinar um acordo”, disse Lu. O âmbito da cooperação será a inovação e o desenvolvimento conjunto de tecnologia.

Em Portugal, a Huawei tem vindo a trabalhar com várias empresas, desde EDP, NOS, Volkswagen Portugal. A multinacional de comunicações tem o desenvolvimento de soluções para empresas como principal atividade a nível mundial, e também em Portugal.

Chris Lu, Presidente da CE Huawei | Fotografia: Diana Quintela

Chris Lu, Presidente da CE Huawei | Fotografia: Diana Quintela

11:57
José Augusto Duarte, embaixador português em Pequim, defendeu a necessidade de Portugal adotar “firmeza” na defesa dos seus interesses nas relações com a China.

“Temos de ser autênticos. Temos de ser nós próprios”, afirmou, num momento em que Portugal enfrenta críticas de outros países europeus e uma reputação de maior permeabilidade ao investimento direto chinês no quadro europeu.

No relacionamento de captação de investimento luso-chinês, Augusto Duarte defendeu no entanto que a grande vantagem portuguesa tem sido exatamente a capacidade de admitir capitais de Pequim em sectores estratégicos, não abertos por outros países. Tratam-se, para o diplomata, de “aspetos mais intangíveis, não despiciendos”, que são “de facto uma vantagem importante para a internacionalização da economia chinesa”.

O embaixador disse, por outro lado, que “é perfeitamente ridículo” dizer que Portugal é porta de entrada na Europa ou em África. “Há muito mais chineses em Angola do que portugueses”, ilustrou.

Em sentido inverso, para Augusto Duarte o desafio de um maior acesso ao mercado chinês exige estudar a concorrência e casos de sucesso portugueses, como o do grupo Superbock, mas também retomar o exemplo do caminho histórico feito pelos primeiros mercadores e missionários portugueses que aportaram à China no início do século XVI.

“Temos um imenso desafio pela frente. Esta visita [de Xi Jiping a Portugal] é muito importante. Que ela aconteça, só por si, já é uma vitória política”, disse ainda o representante diplomático em Pequim.

José Augusto Duarte, Embaixador de Portugal na China | Fotografia: Diana Quintela

José Augusto Duarte, Embaixador de Portugal na China | Fotografia: Diana Quintela

 

Road to Road China

Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Miguel Pina Martins, CEO da Science4you.

(Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens)

Science4you quer alargar prazo da oferta pública até fevereiro

Fotografia: DR

Trabalhadores dos impostos avançam para a greve

(Carlos Santos/Global Imagens)

Porto de Setúbal: Acordo garante fim da greve às horas extraordinárias

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Comentários
Minuto a minuto: Road to China – o futuro da relação económica com Portugal