Miralago. Credores aprovaram a liquidação da dona da Órbita

Proposta de recuperação apresentada pela administração, com a entrada de um investidor asiático, não convenceu os credores. A destino da Órbita deverá ser o mesmo

À segunda foi de vez. A assembleia de credores da Miralago, proprietária das bicicletas Órbita, deliberou esta quarta-feira pela liquidação da fábrica de Águeda. Os quase 300 credores não se deixaram convencer da viabilidade de recuperação da empresa, apesar da administração garantir ter assegurado uma injeção de capital de 1,5 milhões de euros por parte de um investidor asiático. O Tribunal de Anadia declarou a extinção da atividade.

Já a 20 de novembro, quando os credores reuniram pela primeira vez no tribunal - uma sessão que viria a ser suspensa para permitir a apresentação de um plano de recuperação -, o administrador da insolvência defendera que "a melhor solução" para a satisfação dos credores seria a liquidação imediata da empresa. Na altura, o advogado da Miralago assegurava que as negociações com o investidor estrangeiro, para a entrada de 1,5 milhões de euros, estavam em fase adiantada e que esse dinheiro iria resolver os problemas de tesouraria da empresa. Três semanas depois, os credores decidiram mesmo pela liquidação. "A proposta de reestruturação não convenceu. Era mais do mesmo, era só para continuar a arrastar a situação", declarou ao Dinheiro Vivo um dos ex-trabalhadores da Miralago presente na assembleia.

"O plano não é credível. A administração não diz quem é o investidor asiático, pretensamente por razões de confidencialidade, e não é claro que os clientes que lista no plano como estando disponíveis para regressar à Miralago o estejam mesmo. Um deles, contactado pelo administrador de insolvência, negou essa disponibilidade", acrescenta Fernando Matias. Que lamenta o fim da empresa. "A Miralago desapareceu no início do ano, quando deixaram de nos pagar, o trabalho escasseava, e os dias a passarem e nós sem respostas para darmos aos clientes. Plano de recuperação? Investidor? Há dois anos que andavam a falar nisso. Para mim, a empresa encerrou no dia em que entreguei a minha carta de despedimento. É uma pena porque ali trabalhei quase 20 anos", especifica.

Dos quase 300 credores, só quatro votaram a favor da continuidade da empresa, entre os quais a Segurança Social e o Fisco. A empresa havia acumulado quase 9,5 milhões de euros de dívidas, sendo que os seus bens estão avaliados em cerca de três milhões. A expectativa dos credores, e em especial dos ex-trabalhadores, é que, com a liquidação da Miralago, esses bens possam ser vendidos por valores superiores, já que alguns, como os imóveis, estão avaliados pelo seu valor matricial. O maior património da Miralago é a Órbita, empresa que deve, agora, seguir pelo mesmo caminho da casa-mãe, mas resta a marca, que poderá ser vendida.

Recorde-se que a unidade de Águeda estava já parada desde abril, quando a esmagadora maioria dos seus trabalhadores rescindiram os contratos pela acumulação de salários em atraso. Ontem, na assembleia de credores, o administrador da insolvência defendeu a liquidação da Miralago, considerando ser a melhor solução para os credores. "Os credores têm o poder de desligar a máquina. Deixem-na morrer com dignidade, dando lugar a outras empresas", disse Rúben Jardim de Freitas.

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