Investimento

Moçambique quer “reduzir igrejas e aumentar os bancos”

Sem ajuda financeira e a renegociar dívida, Maputo procura capital. Quer bancos e investimento na agricultura, turismo, energia e infraestruturas.

O desafio é transformar a estrutura do PIB moçambicano, que deverá crescer este ano 3%. Mas, para isso, é preciso investimento direto externo e atrair também novas instituições financeiras para o país. O mercado bancário de Moçambique é já dominado por bancos de capitais portugueses – Millenium BMI e o BCI – mas grande parte do país continua sem acesso a uma conta bancária. Maputo quer mais.

“Temos de reduzir a proliferação das e igrejas e aumentar os bancos”, defendeu esta terça-feira Lourenço Sambo, diretor-geral da APIEX, Agência para a Promoção do Investimento e Exportação de Moçambique, num encontro com empresários portugueses organizado pela portuguesa AICEP.

A bancarização do país, o investimento em negócios agrícolas, na energia, no turismo e em infraestruturas, foram as áreas identificadas como prioritárias na atração de interesse externo num fórum sobre oportunidades de investimento em Moçambique que se realizou hoje em Lisboa, e que repete amanhã no Porto.

Ragendra de Sousa, ministro da Indústria e Comércio de Moçambique, deu conta dos contratos que Moçambique tem vindo a assinar para a exploração de gás no país – Anadrako, ExxonMobil e Eni, em conjunto com a Galp. Em dezembro, avançou, haverá um novo contrato com a ExxonMobil. E, de todos estes negócios extrativos dos recursos do país, espera-se uma cascata de negócios e oportunidades”, afirmou Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização de Portugal, responsável pela iniciativa.

O problema são os constrangimentos financeiros atualmente vividos pelo país, com um nível de endividamento a superar os 110% do PIB e sem capacidade de financiar-se externamente, ao mesmo tempo que negoceia com credores cortes e extensão dos prazos para abatimento das somas em falta. Moçambique está dependente dos outros – incluindo Portugal, que acumula já uma soma de mil milhões de euros de investimento direto externo no país.

Investimento “para tudo”

Ragendra de Sousa diz que há, por isso, sobretudo, interesse em atrair investidores que financiem projetos que se paguem a si próprios, e sem necessidade de garantia bancária. “O problema principal é Moçambique ter acesso a créditos comerciais por causa do peso da dívida. Mas há outras formas de investir onde isso pode ser contornado – não muito no sector financeiro. É por exemplo BOT [build, operate and transfer], onde o risco é dos investidores”, disse ao Dinheiro Vivo.

De resto, o país quer investimento “para tudo”, e traz consigo uma carteira de projetos indicativos que gostaria de ver financiados, onde se incluem hotéis, projetos de regadio agrícola, várias centrais termoelétricas, indústria metalúrgica e parques industriais.

A visita da delegação moçambicana incluiu na última segunda-feira uma visita à Galp e à zona logística de Sines, cujo exemplo de organização o governo de Maputo pretende replicar. Ragendra de Sousa explicou ao Dinheiro Vivo que o objetivo é ter parques industriais onde os combustíveis possam ser processados e alimentar novas indústrias.

“Nós já decidimos que o gás produzido em Moçambique tem de servir também para industrializar o país. Por exemplo, já temos acordo para a produção de fertilizante. Temos acordo para a produção do jet[fuel] para aviões, para a produção de diesel. Isso são indústrias que o fazem”, disse o ministro.

“Mas, para essa indústria existir, como está lá em Sines, é preciso terreno geográfico, que também temos. Vamos aproveitar a experiência daqui para ver como é que se organiza esse processo da instalação do parque”, juntou.

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