Moody's abre caminho a subida de rating apesar de incerteza mundial

A agência manteve ontem a notação portuguesa em Baa3, mas está mais otimista quanto à capacidade de o país reduzir o peso da dívida na economia.

A semana não poderia ter sido muito pior do ponto de vista da conjuntura externa, mas terminou com um sinal de confiança em Portugal. A Moodys ainda não iguala as restantes agências de rating, que têm a dívida pública portuguesa dois níveis acima do chamado ‘lixo’, mas pode fazê-lo na próxima ação sobre o perfil de crédito nacional. O papel do Tesouro continua a valer uma notação Baa3, mas o outlook passou a ser desde ontem positivo.

Para a agência, é agora mais provável que a dívida portuguesa, que trilha mínimos históricos de juros, se qualifique enquanto ativo de investimento do que o contrário. A mudança de perspetiva tem na base a perceção de que Portugal será capaz de avançar mais rapidamente na redução da dívida pública, que no final de junho atingia 251,2 mil milhões de euros.

A agência espera que o rácio de endividamento relativo ao PIB fique abaixo dos 110% em 2022.

O Ministério da Finanças destacou, em comunicado, a confiança da Moody’s no “processo de consolidação orçamental, com reflexo na diminuição do rácio da dívida pública face ao PIB, a um ritmo superior ao estimado pela agência há um ano”. E além disso, “a perspetiva de manutenção da trajetória de redução do rácio da dívida pública”.

No final de dezembro, e após revisão, este mês, da metodologia que passou a contar juros capitalizados dos certificados de aforro, a dívida pública valia 123,6% do PIB.

Além da confiança no processo de consolidação orçamental, a mudança de perspetiva da Moody’s traduzirá o percurso de crescimento económico (1,8% no primeiro trimestre com confiança das instituições numa expansão de 1,7% neste ano), o aumento das receitas fiscais, controlo de despesa, a melhoria do balanço dos bancos e os baixos juros oferecidos pelos mercados internacionais.

“A taxa de juro das obrigações da República Portuguesa a 10 anos está abaixo de 0,3%, um valor sem paralelo histórico e o diferencial face a Espanha tem vindo a reduzir-se ao longo de 2019, estando hoje as taxas de juro da dívida pública portuguesa praticamente em linha com as taxas de juro da dívida espanhola”, destacou o ministério de Mário Centeno.

A decisão da Moodys surge num contexto forte de pressão sobre o sentimento e a atividade internacional. A semana assistiu a quatro eventos particularmente negativos: o agudizar das tensões comerciais entre EUA e China com reflexo forte nas bolsas; a maior quebra da produção industrial alemã em nove anos; a primeira retração trimestral do PIB britânico em sete anos; e a perspetiva de eleições antecipadas em Itália.

O cenário externo também já ensombra a economia portuguesa, com as exportações a abrandarem ao mesmo tempo que as importações aceleram, e o Banco de Portugal a antecipar um défice na balança comercial.

As outras notações da dívida

-Standard & Poor’s - BBB

Elevou o perfil de crédito soberano, com perspetiva estável, em março. Contou a evolução da dívida pública, mas houve alertas sobre endividamento privado e a incerteza do contexto externo. A próxima ação de rating é a 13 de setembro.

-Fitch - BBB

A Fitch manteve, em maio, a notação no penúltimo grau de investimento. Mas o outlook passou a positivo, com confiança na redução do défice e da dívida, mas cautela quanto a crescimento e despesa.

-DBRS - BBB

A agência manteve o rating português em abril, mas apontou perspetiva positiva. Mais uma vez, redução do défice e da dívida pública contribuíram para a melhoria do outlook. Com sinal negativo: os prejuízos de empresas públicas e a pressão sobre pensões.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de