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Moody’s. Falta de reformas no mercado de trabalho empata crescimento português

Fotografia: REUTERS/Mike Segar
Fotografia: REUTERS/Mike Segar

Agência de rating vê potencial de crescimento contido para Portugal, apesar de o país ainda estar em processo de convergência com a média europeia.

O potencial de crescimento entre os países da União Europeia é curto, e mais ainda para Portugal caso não sejam levadas a cabo reformas estruturais no mercado de trabalho que assegurem melhorias de produtividade. A opinião é da Moody’s, a agência de rating que recentemente elevou o outlook do perfil de crédito de Lisboa, mas que entende que o país, em conjunto com os vizinhos do Sul da Europa, se está a desviar da média no que diz respeito às reformas na área laboral.

Em nota de análise publicada esta terça-feira, a Moody’s lembra que até 2030 o crescimento do grupo europeu deverá ficar limitado a uma média anual de 1,3%, segundo as projeções da Comissão Europeia. Apesar de haver exceções a esta dinâmica fraca no potencial de crescimento – no Centro e Leste europeu, em países que ainda estão em processo de convergência – não é o caso de Portugal, afirma a agência.

Para a Moody’s, “enquanto os países nórdicos e o Reino Unido têm necessidades relativamente limitadas de reformas no mercado de trabalho dadas as reformas implementadas há décadas, as reformas em falta em Espanha, França, Itália e Portugal são muito maiores apesar das ações tomadas durante ou desde a crise das dívidas soberanas da Zona Euro”. “As necessidades de reforma em Itália são particularmente pronunciadas”, aponta.

Em causa, na análise da Moody’s que se sustenta nas avaliações regulares de Bruxelas aos Estados-membros, estão as regras de proteção do emprego e aplicáveis aos contratos de trabalho. Por outro lado, aponta a forte segmentação do mercado de trabalho, com elevada precariedade entre os trabalhadores mais jovens. As regras de atualização salarial portuguesas também são vistas como barreira ao investimento, assim como o nível de qualificações.

A agência destaca, no entanto, a criação pelo governo do programa Qualifica – destinado à conversão de trabalhadores e apoiado por fundos europeus – como forma de ultrapassar a barreira das baixas qualificações.

A agência sublinha que as pressões demográficas que nas economias europeias tenderão a conter a produtividade e o investimento, que desenham o caminho de crescimento no grupo. Entre as barreiras principais à vista estão, defende, as do fator trabalho.

O relatório da Moody’s também avalia a necessidade de reformas no mercado de produtos e serviços, identificando barreiras que vão desde a demora de processos de licenciamento às regras aplicadas ao comércio (horários de funcionamento, promoções, localização, entre outras).

O sector do retalho é aquele em que Portugal mais surge em divergência com os indicadores médios da OCDE, nesta análise. Mas também se apontam constrangimentos na regulação profissional e, em menor grau, na capacidade de inovação e investimento em investigação e desenvolvimento. A Moody’s destaca, em particular, o número baixo de empreendedores a desenvolver trabalho conjunto com as maiores empresas em Portugal.

Última atualização às 13h18.

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