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Moody’s. Hospitais podem reverter sucessos de Centeno

O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP
O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP

Crescimento é limitado. "Endividamento é persistentemente alto no setor privado" e o país "tem um setor bancário fraco", acrescenta a agência.

Nos últimos anos, Portugal avançou na consolidação das contas públicas, mas “há pressões orçamentais que podem vir a desenvolver-se”, “sobretudo no setor da Saúde”, avisou esta quinta-feira, Sarah Carlson, a analista da Moody’s que segue a República Portuguesa. Os hospitais têm picos de endividamento e isso é algo que preocupa a agência de rating.

Na conferência anual da agência, em Lisboa, a mesma responsável reconheceu primeiro os “progressos” dos últimos anos em matéria de saldo orçamental e na redução da dívida. Diz que é isso que suporta bem a perspetiva positiva da nota da dívida que está em Baa3.

A Moody’s subiu o outlook para positivo a 9 de agosto. A 17 de janeiro tinha uma ação de rating agendada, mas não fez qualquer alteração. A próxima avaliação está marcada para 17 de julho.

Relativamente a 2020, Carlson tomou nota positiva da aprovação do Orçamento do Estado e disse “acreditar que o país atinge este ano o primeiro excedente orçamental desde o fim da ditadura”. O OE2020 aponta para 0,2% do produto interno bruto (PIB).

No entanto, para a Moody’s, a vida das contas públicas e dos contribuintes não será propriamente fácil nos próximos anos. A analista explicou porquê.

“Portugal tem um dos fardos de dívida pública mais elevados do nosso universo de ratings soberanos”, ainda que esteja a descer, observa Carlson.

No entanto, “as perspetivas de crescimento económico são moderadas comparando com os seus pares na Europa”, “a alavancagem [endividamento] é persistentemente alta, sobretudo no setor privado” e o país “tem um setor bancário fraco”. “Os bancos têm feito progressos, mas continuam em restruturação”, observou a economista.

Como referido, o setor da saúde ainda pode trazer algumas dificuldades às contas públicas. Segundo a Moody’s, “há pressões orçamentais que podem desenvolver-se”.

“Existem acumulações periódicas de pagamentos em atraso nos hospitais o que evidencia fragilidades no planeamento orçamental”, aponta Sarah Carlson.

Além disso, a Moody’s espera que “a despesa em cuidados de Saúde registe um dos maiores aumentos da União Europeia” até 2070, medida em percentagem do PIB.

Fonte: Moody's

Fonte: Moody’s

(atualizado 12h20)

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