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Moody’s preocupada com a dívida prevê crescimento moderado

Fotografia: direitos reservados
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O rácio da dívida face ao PIB continua a ser um dos mais elevados da União Europeia e o mais elevado entre os países com o rating Ba1.

A Moody’s reconhece a recuperação da economia portuguesa, mas as perspetivas a longo prazo ainda são moderadas. E deixa um alerta: a dívida pública ainda é muito elevada. A agência de notação financeira publicou hoje um novo relatório sobre Portugal, em que prevê um abrandamento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,7% este ano para 1,4% em 2018.

“O perfil de crédito de Portugal é suportado pela recuperação económica, pelo regresso aos mercados de capital, pela diversificação económica e pelos níveis relativamente elevados de riqueza média”, diz Evan Wohlmann, analista sénior e coautor do relatório hoje divulgado.

Mas há um grande obstáculo ao crescimento, diz a Moody’s: o nível muito elevado de dívida. “Embora estimemos uma descida do nível da dívida em percentagem do PIB este ano, qualquer redução será apenas gradual”, alerta a agência de notação.

O rácio da dívida face ao PIB continua a ser um dos mais elevados da União Europeia e o mais elevado entre os países com o rating Ba1 – atribuído em julho de 2014, o rating de Portugal mantém-se na categoria “lixo”. Apesar da “descida gradual”, a dívida deverá fixar-se nos 125% do PIB em 2020.

Se “a consolidação orçamental e a redução da dívida acelerarem significativamente face às expectativas”, poderá verificar-se uma melhoria na classificação da dívida portuguesa, que beneficiaria também de “um crescimento económico muito mais forte”.

Contrariamente, um enfraquecimento do compromisso do Governo com a consolidação orçamental e com a redução da dívida ou a falta de apoio político para “políticas orçamentais prudentes” penalizariam o rating.

A Moody’s antecipa um abrandamento do PIB em 2018, de 1,7% este ano, resultado da recuperação económica, para 1,4% no próximo ano.

Em relação à evolução do défice, a Moody’s é menos otimista do que o Governo: deverá representar 2% do PIB em 2018, o que compara com os 1% antecipados pelo Executivo liderado por António Costa.

Sobre o sector bancário, a Moody’s destaca, no novo relatório, que “apesar dos desenvolvimentos positivos em 2017 terem ajudado a estabilizar o sector, a suscetibilidade a riscos continua a existir”. O elevado nível de crédito malparado continua a ser um problema e contribui para perpetuar “o ciclo negativo entre bancos fracos, investimento moderado e baixo crescimento económico”, diz a agência.

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