Obituário

Morreu André Gonçalves Pereira. PR lembra “inteligência e brilho”

Gonçalves Pereira com Balsemão e Freitas do Amaral em 1982 (então MNE, primeiro-ministro e vice-PM, respetivamente)
Foto António Aguiar © Arquivo DN
Gonçalves Pereira com Balsemão e Freitas do Amaral em 1982 (então MNE, primeiro-ministro e vice-PM, respetivamente) Foto António Aguiar © Arquivo DN

Antigo ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de Balsemão tinha 83 anos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou hoje a “inteligência e brilho” do antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros André Gonçalves Pereira, que morreu hoje aos 83 anos.

“O Presidente da República apresenta as suas condolências à família do Professor Doutor André Gonçalves Pereira. Jurista de excecionais inteligência e brilho, professor emérito de Direito Internacional Público, causídico de prestígio nacional e internacional”, lê-se numa nota publicada na página da internet da Presidência da República.

Ministro dos Negócios Estrangeiros no segundo governo de Francisco Pinto Balsemão, André Gonçalves Pereira “foi defensor de um Estado de Direito Democrático”, acrescentou o chefe de Estado. Marcelo Rebelo de Sousa endereçou as condolências à família do antigo ministro e deixou ainda “um último abraço reconhecido, já com saudade ao amigo de longa data”.

De origem goesa, conforme recorda o DN, doutorou-se com 25 anos e chegou a professor catedrático aos 32, na Faculdade de Direito de Lisboa, já então administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.

A par do gosto pelo ensino, o antigo ministro foi fundador da sociedade Cuatrecasas/Gonçalves Pereira, sociedade de advogados que confirmou à agência Lusa a morte do fundador.

André Gonçalves Pereira, vice-presidente, sócio honorário e figura-chave da história da sociedade de advogados Cuatrecasas, Gonçalves Pereira & Associados morreu ao início da noite de ontem.

“Foi um advogado extraordinário, inteligente e brilhante, que soube granjear um enorme prestígio que ultrapassou largamente as fronteiras de Portugal. Foi um homem incontornável da advocacia, mas também da vida académica, política e cultural de Portugal”, destaca Rafael Fontana, presidente da sociedade de advogados, que lembra ainda o seu papel enquanto “pessoa-chave no processo de integração da Cuatrecasas com a Gonçalves Pereira, o qual culminou com a primeira e mais importante fusão de escritórios da advocacia ibérica, criando o que somos hoje: uma das sociedades de advogados mais relevantes da Península Ibérica e América Latina e a mais inovadora da Europa”.

Maria João Ricou, managing partner da Cuatrecasas em Portugal e que no início da carreira teve Gonçalves Pereira como seu patrono, recorda o “académico notável, um advogado que marcou gerações, uma pessoa extraordinária, que sempre tomaremos como inspiração a nível profissional e humano, e que sempre recordaremos com profunda admiração, gratidão e saudade”.

Professor André Gonçalves Pereira_min

Perfil

Nascido em Lisboa a 26 de Julho de 1936, André Roberto Delaunay Gonçalves Pereira tornou-se advogado em 1959 e doutorou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com apenas 25 anos.

Foi professor catedrático de Direito Internacional Público, ministro dos Negócios Estrangeiros (1981-1982), membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian e representante da República Portuguesa nas Nações Unidas, Fundo Monetário Internacional, OCDE e Unesco, entre outros organismos. Foi também professor convidado na Universidade de Columbia (Estados Unidos) e nas universidades de Paris, Madrid e Rio de Janeiro.

Ao longo da sua carreira, foi nomeado Grande-Oficial da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo de Portugal (1983) e Grande Oficial da Legião de Honra de França (1982) e condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (2006), a Grã-Cruz da Ordem de Mérito de Itália (1981), a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil (1982) e a Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo II da Bélgica (1981).

(Notícia atualizada a 10 de setembro com os testemunhos da sociedade de advogados, segundo comunicado enviado ao Dinheiro Vivo)

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