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Moscovici. “Ministros dizem que não podem aceitar as tarifas de Trump”

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O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici. Fotografia: Olivier Hoslet / EPA

"Ficou muito claro que houve unanimidade entre ministros" em partir para uma indesejada guerra comercial com os EUA, lamentou o comissário.

Há “unanimidade” dentro do Ecofin, o conselho de ministros das Finanças da União Europeia, para avançar com uma resposta dura aos Estados Unidos e embarcar no pior cenário possível que é uma guerra comercial com o país presidido por Donald Trump, revelou Pierre Moscovici, o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Aduaneiros.

Numa sessão com jornalistas, esta terça-feira, o alto dirigente da Comissão Europeia (CE), revelou que “no Ecofin desta manhã, ficou muito claro que houve uma unanimidade entre os ministros que disseram: não podemos aceitar essas tarifas” anunciadas por Donald Trump.

Se a Europa avançar com uma resposta deste calibre, Moscovici calcula que podem ficar em xeque mais de 2,8 mil milhões de euros em mercadorias com origem nos EUA.

Na semana passada, segundo escreveu a Lusa, Trump assinou a documentação necessária para a entrada em vigor, dentro de dias (na semana que vem), de tarifas alfandegárias de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre as de alumínio.

A Europa é visada, mas outros territórios como o Brasil e Austrália também, pelo que a UE está a tentar articular uma resposta conjunta com outros territórios alvo deste ataque comercial da administração Trump.

Aos jornalistas, na capital belga, Moscovici disse que “primeiro, Bruxelas lamenta as medidas avançadas pelos Estados Unidos e, segundo, Bruxelas está a preparar medidas de resposta e de salvaguarda necessárias”. Estão ainda a ter “discussões dentro da Organização Mundial do Comércio e, portanto, estamos a forjar oposições”, acrescentou.

A ideia é que “devemos preparar uma resposta firme, proporcionada e unida”, muito embora o comissário lamente esta via.

“Pensamos que uma guerra comercial é uma coisa má, que ninguém ganha, todos perdem. Ainda estamos em diálogo porque pensamos que é melhor que não haja uma escalada, mas precisamos de encontrar soluções. Mas até agora não foi possível e temos de levar isto a sério”, admitiu perante os jornalistas na sala.

“Se não conseguirmos pela via do diálogo” a Europa deve avançar com tarifas elevadas sobre alguns produtos tipicamente norte-americanos.

“Harley-Davidson, bourbon, Levi’s”

O presidente da Comissão Europeia, há uns dias, deu exemplos de importações que podem vir a ser super penalizadas como retaliação: motas “Harley-Davidson, bourbon, jeans Levi’s”, referiu Jean-Claude Juncker.

“Há uma lista de produtos em que pode haver recuo nas facilidades dadas no passado aos EUA”, acenou de novo o comissário europeu, esta terça-feira, já depois do conselho Ecofin.

A ideia agora é, esgotada a via do diálogo (como parece estar a acontecer), concretizar a penalização das compras de certas mercadorias dos EUA dentro de três meses.

  • * Em Bruxelas. O jornalista viajou a convite da Comissão Europeia.
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