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Motociclistas entregam manifesto na AR e recebem apoio do PCP

Manifestação do Grupo Ação Motociclista a favor da mobilidade, da economia e da defesa do meio ambiente possibilitada pelos motociclos e ciclomotores e contra a inspeção periódica aos motociclos, na Avenida dos Aliados, no Porto, 18 de fevereiro de 2018. RICARDO CASTELO/LUSA
Manifestação do Grupo Ação Motociclista a favor da mobilidade, da economia e da defesa do meio ambiente possibilitada pelos motociclos e ciclomotores e contra a inspeção periódica aos motociclos, na Avenida dos Aliados, no Porto, 18 de fevereiro de 2018. RICARDO CASTELO/LUSA

Milhares de motociclistas concentraram-se este domingo junto da Assembleia da República, em Lisboa, onde entregaram a representantes dos partidos um manifesto no qual dizem que as vítimas na estrada não podem ser usadas para criar medidas injustificadas.

“As vítimas na estrada não podem ser usadas para justificar a implementação de medidas que nada têm a ver com as causas dos seus acidentes”, diz-se no documento.

Os motociclistas consideram “uma farsa” que se exija inspeções periódicas obrigatórias às motas, e dizem que se faz uma “manipulação” aos números da sinistralidade em relação às motos, disse à Lusa António João, do Grupo de Ação Motociclista (GAM), uma associação criada em 1990 que organizou a manifestação de hoje em Lisboa e noutras cidades do país.

Uma farsa, referiu, “nomeadamente na análise sistemática e persistente do número de mortos nos períodos em que há aumento, e não analisando a globalidade dos dados”.

António João admite que houve em 2017 um aumento de vitimas motociclistas, mas acrescenta: “Quando analisamos os dados a mensagem que tem vindo a público é o contrário da realidade, há diminuição de vítimas mortais e feridos graves comparativamente com o número de motos em circulação e os quilómetros percorridos”.

E depois, acrescenta, se obrigar as motos a inspeções periódicas terá como objetivo prevenir a sinistralidade, “um estudo europeu diz que apenas 0,3% dos acidentes são causados por falhar mecânica”, especialmente devido a falhas nos pneus, diretamente relacionadas com as condições da via.

Em resumo, segundo António João, milhares de motociclistas, não vê em que medida “as inspeções às motos vão adicionar alguma mais-valia em termos de prevenção da sinistralidade”.

Na manifestação cartazes como “inspeção garante receita, não prevê sinistralidade” já indicavam a oposição dos motociclistas, que encheram o centro de Lisboa e depois as ruas à volta da Assembleia da República.

Foi lá que ouviram o deputado comunista Miguel Tiago, também ele motociclista, garantir que o grupo parlamentar do PCP não aceitará “que a sinistralidade dos motociclistas seja justificação para tomar medidas que nada têm a ver com a sinistralidade”.

“Não aceitamos que manipulem os dados”, disse o deputado, manifestando-se também contra a reversão da chamada “lei das 125 cc” (que permite a quem tem carta de condução de veículos conduza motos até 125 centímetros cúbicos), porque a lei “não tem qualquer relação com o aumento da sinistralidade”.

António João já tinha dito o mesmo à Lusa ainda no Rossio. E junto da Assembleia da República Miguel Tiago defendeu os argumentos dos motociclistas, deixando a promessa de que o grupo parlamentar do PCP não iria aceitar mudar a lei nem a obrigatoriedade de inspeções, como é pretensão, já anunciada do Governo.

Em janeiro, o ministro da Administração Interna anunciou que as inspeções periódicas a motociclos vão avançar no primeiro semestre de 2018, justificando esta medida com o aumento do número de acidentes mortais com motociclos em 2017.

Além de Lisboa, o protesto levou milhares de motociclistas às ruas do Porto, Coimbra, Faro, Funchal e Ponta Delgada.

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