greve

Camionistas decidem no próximo sábado se a greve avança ou não

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Motoristas mostram abertura para desconvocar greve, dizem que isso só acontecerá se patrões responderem às "exigências" dos trabalhadores até 6ª feira

Os motoristas dos camiões de transporte de mercadorias e produtos perigosos (como combustíveis) esperam que a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) entregue uma contraproposta negocial “até sexta-feira” para que os trabalhadores do setor a possam analisar no plenário do próximo sábado, dia 10. É o último plenário antes do dia agendado para o início da referida greve: 12 de agosto, segunda-feira — esta pode durar até 20 de agosto, se for para a frente.

Em declarações aos jornalistas emitidas pelas rádios e televisões, no final de quase cinco horas de reunião com o governo (com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos), os dois dirigentes sindicais que representam os motoristas mostram abertura no sentido de desconvocar a greve, mas foram dizendo que isso só vai acontecer se os patrões do setor fizerem uma proposta que responda às “quatro a cinco exigências concretas” que os trabalhadores querem ver satisfeitas.

Anacleto Rodrigues, do Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), declarou que “estamos à espera de uma contraproposta da ANTRAM“, mas que esta tem de ser entregue, no máximo, até ao final do dia de sexta-feira (9 de agosto) para que os trabalhadores a possam analisar no dia seguinte, no referido plenário.

Relativamente à reunião dos sindicatos com o governo, Rodrigues disse ainda que “o senhor ministro ficou agora com informação muito mais completa” sobre os problemas dos motoristas.

Recorde-se que havia uma reunião marcada para a tarde desta segunda-feira entre o Governo, a ANTRAM e a FECTRANS (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações), mas foi adiada para terça-feira de manhã, às 9h30, no Ministério das Infraestruturas, confirmou André Almeida porta-voz da ANTRAM.

O anúncio, noticiado pelo DV, foi feito ao final da tarde desta segunda-feira, depois de sucessivos adiamentos ao longo do dia.

Pedro Pardal Henriques, dirigente do outro sindicato do setor, o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), reforçou a posição verbalizada pelo SIMM, dizendo que os seus associados estão “sempre disponíveis para desconvocar a greve, mas aguardam uma contraproposta” da ANTRAM “até sexta-feira para ser avaliada no plenário marcado para sábado, o último antes da greve”.

Aumento salarial base para 1000 euros em 2025 e não 900 euros em 2022

Nas declarações aos jornalistas neste início de noite, Pardal Henriques revelou que os motoristas querem um acordo salarial mais extenso no tempo, por exemplo.

Falou de aumentar o salário base dos motoristas para 1000 euros até 2025 e não num acordo para chegar aos 900 euros em 2022 (como até aqui).

Referiu ainda que os motoristas pretendem indexar remunerações à variação do salário mínimo nacional, o que permite “um prazo mais dilatado, quer para que as empresas possam cumprir com aquilo que ficar estabelecido no contrato coletivo de trabalho para haver a paz social que o país necessita”.

“A última coisa que queremos é fazer uma greve, mas não podemos continuar com estas condições salariais e de segurança”, acrescentou, ilustrando com o facto de alguns motoristas “terem de fazer as cargas e descargas” dos camiões e de não estarem a ser pagos por isso, algo que nem está nas suas competências contratuais, exemplificou.

O setor, pela voz da ANTRAM, diz que não tem “capacidade económica” para assistir às exigências dos motoristas, que considera desfasadas da realidade.

As empresas acusam também que há casos de sindicatos que estão a avançar para uma greve “ilícita”.

“Na sequência do pré-aviso de greve entregue pelo STRUN (Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte), para o período compreendido entre os dias 12 e 20 de agosto, a ANTRAM foi convocada a participar em reunião que teve lugar dia 31 de julho, às 10h30 -, na DGERT, para definição dos serviços mínimos”.

“Apesar da falta de comparência do STRUN, a ANTRAM esteve presente na referida reunião, tendo manifestado que o pré-aviso anunciado pelo STRUN viola, em vários artigos, o Código do Trabalho, estando-se, por isso, perante uma greve que deve ser considerada ilícita”, referiu a associação empresarial em comunicado no fim de julho.

Alertou ainda que, “a manter-se a greve e caso tal ilicitude venha a ser confirmada, os trabalhadores aderentes a tal greve poderão vir a ser sujeitos à aplicação do regime de faltas injustificadas, podendo constituir infração disciplinar e determinar a obrigação de indemnizar pelos danos causados nos termos comuns da responsabilidade civil”.

Segundo os sindicatos que estão a liderar as reivindicações, as promessas feitas em maio pelos patrões das empresas de camionagem não foram cumpridas pelo que os motoristas do transporte de mercadorias e outras matérias perigosas, como gasolina, gasóleo, materiais tóxicos, avançaram com um pré-aviso de greve no próximo dia 12 de agosto, segunda-feira.

(atualizado às 23h40 com mais declarações e enquadramento)

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Empresas com quebras de 25% vão poder pedir apoio à retoma

Lisboa,  29/09/2020 - Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.
(Paulo Alexandrino/Global Imagens)

“Temos de ser cuidadosos em relação à dívida, no longo prazo ela terá de descer”

ANTONIO COTRIM/ LUSA

Governo aposta no clima e competências para recuperação – mas sem empréstimos

Camionistas decidem no próximo sábado se a greve avança ou não