Greve dos motoristas

Motoristas lançam “desafio público” aos patrões para reunir 5ª feira à tarde

O porta-voz do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, Pardal Henriques. FOTO: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O porta-voz do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, Pardal Henriques. FOTO: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Do lado do Executivo o dia terminou com a decisão de não avançar para o alargamento da requisição civil.

O terceiro dia de greve terminou com o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas a lançar um inesperado “desafio público” aos patrões da Antram. O porta-voz do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, deu um passo em frente e marcou encontro com o seu homólogo da associação patronal, André Matias de Almeida. “Amanhã estarei no ministério do Trabalho às 15 horas e apelo ao bom senso dos dirigentes da Antram”.

O porta-voz lançou “o desafio” aos patrões para “terminar com este caos que já se instalou e vai continuar a aumentar”, porque acredita que os motoristas “vão continuar a parar”. “Estamos dispostos a encontrar um entendimento, com cedências de parte a parte para resolver esta situação”, disse em Aveiras de Cima. Apesar de querer voltar ao diálogo, o sindicato não pretende suspender a greve, pedindo à Antram que abra “uma exceção”. Os patrões têm dito e repetido que não negoceiam com uma “espada em cima da cabeça”.

O Governo optou por não avançar para o alargamento da requisição civil e mostrou disponibilidade para acolher uma eventual reunião entre sindicatos e Antram na quinta-feira à tarde. “Se as partes quiserem reunir, a DGERT está naturalmente disponível, em qualquer ocasião, como aliás sempre esteve”, adiantou fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Outra surpresa do dia foi a tomada de posição do PSD, que só agora veio apontar o dedo: “O Governo abusou da força que tem” e “tem ajudado a espalhar o alarmismo”, explicou o vice-presidente do PSD, David Justino, que foi o porta-voz do partido substituindo Rui Rio, “que está de férias”. O responsável explicou ainda que o executivo tentou humilhar os trabalhadores e dirigentes sindicais, em vez de tentar um diálogo entre ambas as partes envolvidas. “O Governo privilegiou o exercício desproporcionado da autoridade, a demonstração de força com um aparato coercivo injustificado e a tentativa de humilhação dos trabalhadores e dirigentes sindicais, para que pudesse mais tarde reclamar vitória!”, disse Justino em conferência de imprensa.

O PSD, que indica que o Governo demonstrou “falta de isenção e excessos no exercício da autoridade do Estado” fez “tratamento diferenciado perante diferentes corpos profissionais” e espera agora para ver o que se vai passar amanhã com a possível reunião entre o sindicado e a ANTRAM. Entretanto, Rui Rio antes da conferência de imprensa fez referência à mesma no seu Twitter.

Mais tarde, à saída de uma reunião de cinco horas com a Fectrans, a federação do setor afeta à CGTP, Matias de Almeida não respondeu ao desafio de Pardal Henriques e anunciou apenas que as duas partes produziram um “documento histórico”. “Foi um trabalho árduo e agora vamos ao Ministério das Infraestruturas e Habitação apresentar o documento”, disse Matias de Almeida. Já a Fectrans, o porta-voz disse que foi feito um trabalho de negociação. “Evoluímos numa série de matérias. Agora temos de trabalhar o resto que é preciso trabalhar com o Governo”.

Do lado do Executivo, e depois do ministro do Ambiente e da Transição Energética Matos Fernandes ter considerado “perturbadoras” as declarações de Pardal Henriques dizendo que os motoristas não vão cumprir os serviços mínimos nem a requisição civil, em solidariedade com os colegas que estão ameaçados de prisão, o dia terminou com a decisão de não avançar para o alargamento da requisição civil. Entre os patrões, o pedido era para que a mesma abrangesse a totalidade do país e dos serviços de cargas e descargas.

O dia tinha começado cedo em Aveiras, com Pardal Henriques a incendiar os ânimos. “Ninguém vai cumprir nem serviços mínimos nem requisição civil. Se um motorista vai ser preso, então o sr. ministro tem de trazer grandes autocarros para levar os 800 motoristas do país”, atirou Pardal Henriques. Depois de 14 motoristas terem sido notificados pelo incumprimento da requisição civil na terça-feira à noite, 24 horas depois o SNMMP dava já conta da notificação de vários motoristas nas suas próprias casas, pelas forças de segurança, para depois serem escoltados até à respetiva entidade patronal para dizerem se estão ou não dispostos a trabalhar. O vice-presidente do SNMMP diz que “a lista chega até às 50 detenções”, mas a GNR esclareceu que ninguém se encontra detido.

Em comunicado, o Ministério do Ambiente e da Transição Energética anunciou que “feita a avaliação do cumprimento dos serviços mínimos, conclui-se que estes foram genericamente cumpridos”. Os únicos casos de incumprimento dos serviços mínimos registados, diz o Governo, “prendem-se com o transporte de JET para os aeroportos de Lisboa e de Faro, situações que já estão abrangidas pela requisição civil em vigor”. “Neste momento, 18 equipas das Forças de Segurança e das Forças Armadas estão a fazer o transporte de combustível para o aeroporto de Lisboa e seis equipas da GNR a fazer serviço idêntico para o aeroporto de Faro”, refere o mesmo comunicado.

De acordo com o balanço feito às 17h de quarta-feira pela Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), Beja era o distrito com menor percentagem de gasóleo (34%) na rede de emergência de postos de abastecimento. Aveiro era o distrito com mais gasóleo (89,7%). Já na gasolina, Beja era também a região com menos gasolina (29,86%), seguida por Bragança (31%), Setúbal (33%), Leiria (34,77%), Santarém (36,64%). Castelo Branco era o distrito com mais gasolina disponível na REPA (58,92%). No Algarve, que era na terça-feira ao final do dia o distrito que mais preocupava o governo, a REPA contava às 17h de quarta-feira com 47,26% de gasóleo e 42,2%.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes. MÁRIO CRUZ/LUSA

Famílias ficam com um pouco mais de salário ao final do mês

Miguel Almeida, CEO da NOS

Comité de Ética da NOS vai ouvir os administradores envolvidos no Luanda Leaks

O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa durante a cerimónia de tomada de posse do XXII Governo Constitucional, liderado pelo secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 26 de outubro de 2019. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Marcelo: É bem-vindo a Portugal todo o investimento no respeito da legalidade

Motoristas lançam “desafio público” aos patrões para reunir 5ª feira à tarde