Energia

Voltalia quer até 10% do mercado solar em Portugal

Pierre-Jerome Desmarquest, country manager da Voltalia em Portugal (à direita), e Carlos Amador, director de marketing e comunicação da empresa. Fotografia: Amin Chaar / Global Imagens
Pierre-Jerome Desmarquest, country manager da Voltalia em Portugal (à direita), e Carlos Amador, director de marketing e comunicação da empresa. Fotografia: Amin Chaar / Global Imagens

Multinacional francesa, que adquiriu a Martifer Solar, assume o seu “grande interesse” nos leilões que o Governo tem previstos, admitindo que pretende ficar no top 5 dos maiores produtores.

A multinacional francesa que, em 2016, comprou a Martifer Solar, está apostada em tornar-se um player de referência no mercado da energia solar em Portugal. Praticamente sem ativos próprios no país – a aposta da Martifer era, sobretudo, no desenvolvimento e na operação e gestão de parques de terceiros – a Voltalia pretende, a médio/longo prazo, ter uma quota de 5 a 10% da produção de energia solar no país, qualquer coisa entre os 500 a mil megawatts de potência instalada. No imediato, Pierre-Jerome Desmarquest, responsável da Voltalia em Portugal, assume: “Não entramos neste negócio para sermos irrelevantes. Partimos do zero, mas aqui a intenção é estarmos no top 5 dos maiores compradores no leilão”.

A empresa tem já submetidos, junto da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), pedidos de licenças correspondentes a 200 megawatts, pedidos esses que gostaria que fossem analisados à margem dos leilões que o Governo decidiu, entretanto, promover, o primeiro dos quais, correspondente a 1400 megawatts, ocorrerá já este mês. Mas o Executivo já veio dizer, pela voz do secretário de Estado da Energia, que as centrais de média e grande dimensão, ou seja, entre os 10 e os 200 megawatts, deverão ser contempladas no leilão, deixando para análise à margem deste processo os “três ou quatro investimentos de grande dimensão”, na ordem dos 1000 megawatts, que existem. “A nossa esperança é que tudo o que foi submetido à DGEG possa seguir um caminho diferente do leilão. Mas vamo-nos adaptar à realidade. No final, tudo faremos para ter ativos solares em Portugal”, afirma Pierre-Jerome Desmarquest, que garante mesmo: “Portugal vai ser um dos países mais interessantes para o grupo Voltalia no solar”. E, por isso, a empresa tem vindo já, no último ano e meio, a procurar ativamente terrenos para contratos de aluguer de longa duração.

Quanto aos investimentos, este responsável avança com o valor global previsto no grupo, que estima aplicar mais de mil milhões de euros, até 2023, para atingir uma capacidade própria instalada de 2.700 megawatts, o que representa um reforço face aos 1.600 megawatts anteriormente previstos. A maioria dos projetos serão solares, admite Pierre-Jerome, mas haverá, também, investimentos em estações eólicas, hídricas e de biomassa, bem como no armazenamento. Quanto aos principais mercados de aposta, juntam-se Portugal, Espanha e Itália ao Brasil e França, os tradicionais da Voltalia antes da compra da Martifer Solar.

Recorde-se que este negócio, ocorrido em agosto de 2016, trouxe “algum equilíbrio” de portefólio à Voltalia. Até então a multinacional francesa era fundamentalmente um IPP (produtor de energia independente), com 90% dos seus investimentos na área das eólicas. Com a compra da empresa portuguesa, o solar passou a pesar 45%, tanto como a energia eólica, sendo que o restante se divide por hídricas, biomassa e sistemas híbridos. Mais importante ainda, a aquisição da Martifer Solar permitiu integrar toda a área de serviços, quer ao nível do desenvolvimento de projetos, da construção dos parques e da sua operação e manutenção.

Presente em 20 países de quatro continentes, a empresa conta, atualmente, com uma capacidade própria de 600 megawatts, sendo que o objetivo é chegar aos mil megawatts no próximo ano. Meta que será superada, diz Pierre-Jerome. No pipeline de desenvolvimento do grupo estão projetos com uma capacidade total de 6.200 megawatts. “É isto que nos vai ajudar a passar dos mil para os 2.700 megawatts em três anos. Vamos seguir os melhores projetos, naturalmente”, diz o responsável da empresa em Portugal, lembrando que o desenvolvimento de um projeto pode levar de dois a nove anos. Mas garante: “Em condições normais, todos eles acabarão por dar origem a ativos efetivos, mais tarde ou mais cedo. Temos uma taxa de abandono muito pequena”. Cerca de 60% dos projetos em pipeline são de energia solar. “A compra da Martifer influenciou muito a forma como o grupo Voltalia olha hoje para o solar. A eólica deixou de ser a fonte principal de receitas do grupo e esse papel vai ser assumido pelo solar. Isso está perfeitamente claro”, acrescenta José Carlos Amador, diretor de comunicação e Marketing da Voltalia em Portugal.

Recorde-se que o grupo instalou, no Porto, o seu centro mundial de competências no solar, com a inauguração, em maio, dos seus escritórios, para os quais pretende recrutar 20 engenheiros até ao final do ano. O grupo dá emprego a mais de 550 pessoas em todo o mundo, sendo que 153 estão em Portugal. Só no Porto (a empresa tem, também, um polo em Oliveira de Frades) são 75 pessoas, mas os novos escritórios foram dimensionados para uma equipa de 120 pessoas.

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