expo 98

Na “aldeia” que nem café tinha, a freguesia nasceu na farmácia

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(Diana Quintela/ Global Imagens)
L (Diana Quintela/ Global Imagens)

É um dos negócios mais antigos do Parque das Nações. Foi a farmácia dos tuaregues na Expo 98 e o quartel-general da Junta de Freguesia

Já morava gente no bairro quando a farmácia abriu. O negócio de Teresa Vital Reis foi dos primeiros a desabrochar no Jardim dos Jacarandás. “No mesmo dia, 1 de junho de 1998, abri eu e o banco Totta aqui ao lado.

Como não havia mais nada na zona fiquei amiga dos funcionários. Mas desse tempo já não resta ninguém”, conta a proprietária da Farmácia Parque das Nações. Vinte anos depois, o Totta deu lugar ao Santander, já não é preciso ir à bomba de gasolina tomar café e o número de lojas deixou de caber numa mão cheia. “Estão sempre a surgir negócios novos. Há dias abriram uma loja de desporto e uma boutique”.

Os primeiros clientes da farmácia, além dos poucos moradores, foram os membros das delegações internacionais que participavam na feira e estavam alojados nos andares de cima. “Lembro-me da primeira vez que entraram aqui os tuaregues. Nunca tinha visto tal coisa, marcou-me muito. Acabámos por fazer amizade e eles vinham cá muitas vezes. Mas havia gente de todo o mundo, tínhamos de comunicar por gestos ou por desenhos para eu perceber o que eles queriam”.

Teresa Reis admite que “o início não foi nada fácil” mas garante que nunca teve medo. “Sempre acreditei que iria ter sucesso aqui. A Expo de Sevilha não correu bem e nós tínhamos de mostrar que éramos melhores, e conseguimos. Valeu a pena porque o dinheiro não é tudo e aqui vivemos uma coisa única”, sublinha a farmacêutica, que além de pioneira no comércio é também uma das moradoras mais antigas da Expo.

Foi na sua farmácia, aliás, que a freguesia do Parque das Nações começou a ganhar forma. “Isto era uma aldeia, toda a gente se conhecia. E depois da Expo, entre moradores e comerciantes, começámos a pensar que fazia sentido agregar toda a zona de intervenção da Expo numa freguesia única. Foi aqui na farmácia que se fizeram as primeiras reuniões”. Em 2012, o sonho concretizou-se.

A “aldeia” que também é “uma Lisboa em miniatura” já não é a mesma que o país viu nascer do nada em 98. A crise mandou embora muitos dos primeiros moradores. Os estrangeiros que comunicam por gestos continuam a passar por lá, “mas ficam pela zona do Oceanário, não chegam aqui à parte norte”. Vinte anos depois, Teresa Reis tem a certeza de que não trocava o Parque das Nações por outro bairro da cidade. “Estou muito grata à Expo 98. É um privilégio viver e trabalhar aqui”.

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