“Na Hungria estamos cheios de medo. Os europeus estão cheios de medo”

Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, na conferência de imprensa desta quinta-feira
Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, na conferência de imprensa desta quinta-feira

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, afirma que foi Angela Merkel quem pediu à Hungria para cumprir a lei e "registar todos" os refugiados que chegam ao país. Orban rejeita as criticas da União Europeia pela situação que se vive na Hungria e acusa os líderes europeus de "não serem capazes" de dar soluções ao problema.

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“Na Hungria estamos cheios de medo. Os europeus estão cheios de medo, porque o que vemos é que os líderes europeus – entre eles os primeiros-ministros -, não são capazes de controlar a situação”, afirmou o primeiro-ministro húngaro, em Bruxelas.

Viktor Orban disse que o reforço das políticas de imigração, mais restritivas, que darão enquadramento legal à barreira de arame farpado que está a ser erguida junto à fronteira com Sérvia, a partir de 15 de setembro, visa pôr em prática as leis europeias, dando resposta aos pedidos de países vizinhos no espaço Schengen.

“A chanceler alemã e o chanceler austríaco disseram-nos claramente: ninguém pode deixar a Hungria sem ser registado. É esse o regulamento. Temos de registar toda a gente. Não podemos deixar partir ninguém da Hungria para a Áustria ou para a Alemanha sem ser registado. Não se trata de uma estratégia, mas de um reforço da lei”, afirmou, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a falar ao lado do presidente desta instituição.

Por sua vez, Martin Schulz, que preside ao Parlamento Europeu, criticou o “egoísmo”, que põe “em risco” o projecto europeu e se sobrepõe à “necessária” solidariedade entre os países da União Europeia

“Para encontrarmos soluções, precisamos de um sentimento europeu comum. O que estamos a ver, nesta altura, é egoísmo em vez desse sentimento europeu comum”, afirmou Schulz, considerando que se trata de “um momento crucial para a União Europeia”.

“Se não encararmos este desafio, na base de um acordo de todos os Estados-Membros da União Europeia, uma divisão profunda da união é um risco que não podemos excluir”, disse o alemão Martin Schulz.

Ainda no Parlamento Europeu, o primeiro-ministro húngaro considerou que o que está a acontecer em Budapeste não é um problema da Hungria, mas sim da Alemanha, já que “ninguém quer ficar na Hungria”.

“Não temos dificuldade com os que querem ficar na Hungria. Mas, ninguém quer ficar na Hungria, nem na Eslováquia, nem na Polónia ou na Estónia. Todos eles querem ir para a Alemanha. O nosso trabalho é apenas registá-los. Se a chanceler alemã insiste que ninguém pode deixar a Hungria rumo à Alemanha sem registo, nós vamos registá-los. É uma obrigação”, defendeu. É por isso que pede para que as decisões do seu governo não sejam criticadas.

“Não critiquem a Hungria por fazer o que é para ser feito. E, em vez de nos criticarem, deixem-nos apenas fazer o trabalho que tem de ser feito de acordo com os regulamentos europeus”, exigiu Orban.

Viktor Orban encontrou-se ainda com o presidente do Conselho Europeu, o qual defende que a resposta para o problema dos refugiados também está nos países que não são directamente afectados pela chegada de pessoas em dificuldades, como pode considerar-se o caso de Portugal.

“Hoje os países que não estão directamente afectados por esta crise e que experimentaram a solidariedade europeia no passado, devem demonstrá-la agora para aqueles em necessidade”, defendeu Tusk, para quem a solidariedade na União Europeia é “uma questão de urgência”.

“Tendo em conta o enorme e cada vez maior número de refugiados, os países europeus precisam de fazer mais. Todos percebem que os países europeus não vão mudar as políticas de emigração do dia para a noite. Mas, todos devem entender que a nossa atitude para os refugiados é, na verdade, uma expressão da solidariedade europeia dentro da Europa.

A falar ao lado do primeiro-ministro Húngaro, Donald Tusk manifestou compreensão com a resposta “controversa” que o governo Orban está a dar perante a chegada de refugiados à Hungria.

“Nem todos estão de acordo com a solução controversa proposta pelo primeiro-ministro Orban e eu posso entender porquê. Todavia, uma coisa é clara, o primeiro-ministro Orban tomou medidas para fortalecer as fronteiras da União Europeia”, afirmou o polaco.

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