Aumento da inflação está a provocar ansiedade financeira nos consumidores

A pouca literacia financeira aumenta os receios quanto à incerteza económica. Consumidores apresentam dificuldades em gerir dinheiro, mas interesse em melhorar conhecimentos.

Dinheiro Vivo
As famílias com rendimentos mais baixos têm mais dificuldade em gerir as suas finanças por falta de literacia financeira. © EPA/CLAUDIO ONORATI

O aumento da inflação na Europa, consequência em larga medida da escalada dos preços da energia e da interrupção das cadeias de abastecimento, está a aumentar a ansiedade financeira entre os consumidores, europeus que têm dificuldades em compreender como o seu dinheiro será afetado se a inflação for maior do que a taxa de juros sobre a poupança, diz um estudo promovido pela Intrum.

No Dia Internacional da Educação, que se assinala esta segunda-feira, 24 de janeiro, o relatório da Intrum revela que a atual incerteza económica está a gerar nos consumidores um novo interesse em melhorar a literacia financeira.

Segundo o estudo, as famílias com rendimento elevados (53%) consideram ter recebido educação financeira suficiente para gerir as suas finanças do dia-a-dia, embora ainda precisem de conselhos sobre questões financeiras mais complexas como, por exemplo, planeamento da reforma e investimento na bolsa.

Já as famílias com rendimentos mais baixos (27%) consideram não ter recebido educação financeira suficiente para gerir o seu dinheiro e procuram frequentemente aconselhamento externo.

O estudo identificou ainda que apenas 64% dos inquiridos compreendem como o dinheiro será afetado se a inflação aumentar e passar a ser maior do que a taxa de juros sobre a poupança.

Em Portugal, os bancos são a principal fonte de aconselhamento: 41% (mulheres) e 36% (homens). Os valores são semelhantes a nível europeu, com 40% das mulheres a recorrem aos bancos e 34% dos homens.

Em segundo lugar, 33% dos portugueses inquiridos apontam a pesquisa da informação online como origem de aconselhamento financeiro, percentagem igual para homens e mulheres. No que diz respeito à Europa, verifica-se uma variação nas percentagens, uma vez que apenas 26% das mulheres procuram aconselhamento financeiro online em comparação com 32% dos homens.

Em terceiro lugar, procurar aconselhamento na área financeira através de um consultor financeiro independente é uma opção mais usada pelos homens portugueses (20%), enquanto as mulheres referem as mães como fonte de aconselhamento (18%), valor cinco pontos percentuais acima da acima da média europeia (13%).

Para Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, "os consumidores estão a dar mais ênfase à literacia financeira e muitos dizem que a pandemia os motivou nesse sentido. Após anos com custos de empréstimos extremamente baixos, a recente aceleração da inflação e pressão sobre as taxas de juros significa que esse interesse é um sinal positivo. Compreender os riscos económicos e como gerir o dinheiro é a base do bem-estar financeiro e de um futuro estável".

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