Frente Comum espera "milhares de trabalhadores" na manifestação

Para os trabalhadores poderem participar na manifestação, a Frente Comum emitiu "vários avisos prévios de greve", que poderão ter impacto no funcionamento dos serviços públicos

Dinheiro Vivo/Lusa
Mário Nogueira, Manuel Rodrigues, Arménio Carlos e Ana Avoila na faixa que encabeça o protesto organizado pela Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública. Partiu da Rotunda do Marquês de Pombal e termina em frente à Assembleia da República. O protesto decorre no mesmo dia em que foi aprovado o orçamento do estado para 2015 © Reinaldo Rodrigues Global Imagens

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública espera "milhares de trabalhadores" na manifestação nacional desta sexta-feira, em Lisboa, para contestar a atualização salarial de 0,9% para este ano, que poderá causar perturbações no funcionamento de alguns serviços.

A manifestação da Frente Comum, que se realiza a uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) no parlamento, arranca cerca das 14:30 do Marquês do Pombal, rumo à Assembleia da República.

"Estamos à espera da milhares de trabalhadores de todo o país em Lisboa", disse à Lusa o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana.

Para os trabalhadores poderem participar na manifestação, a Frente Comum emitiu "vários avisos prévios de greve", que poderão ter impacto no funcionamento dos serviços públicos durante o dia de hoje, indicou à Lusa Sebastião Santana.

"São avisos prévios de 24 horas que englobam, de uma maneira geral, todos os trabalhadores da Administração Pública e, apesar de não ser uma greve nacional, mas sim uma manifestação, haverá perturbações, sobretudo nas escolas", afirmou o líder sindical.

A manifestação foi anunciada em 26 de abril, numa cimeira de sindicatos da Frente Comum, afeta à CGTP, em resposta ao resultado da reunião com o Governo, que manteve uma atualização salarial de 0,9% para este ano, apesar do agravamento da inflação.

"Face à postura assumida pelo Governo, que não apresentou nenhuma proposta salarial, mantendo os 0,9% que nos foram impostos em janeiro, nem respondeu ao nosso caderno reivindicativo, os sindicatos da Frente Comum decidiram avançar com esta forma de luta, uma semana antes da votação final global do Orçamento do Estado" para 2022 (OE2022), disse então o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, à agência Lusa.

Para o sindicalista, a atualização de 0,9% "é completamente inaceitável porque, face ao aumento do custo de vida que se verifica hoje, representa o agravamento da perda de poder de compra".

Sebastião Santana salientou que, se o Governo tiver vontade de sanar o conflito, ainda tem tempo de alterar a situação antes da aprovação final do OE2022.

As três estruturas sindicais da administração pública reuniram-se em 20 de abril, pela primeira vez, com a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e com a secretária de Estado Inês Ramires, para definirem as matérias prioritárias para a negociação.

Antes da reunião, dirigentes e ativistas sindicais da Frente Comum concentraram-se junto à residência oficial do primeiro-ministro, em S.Bento, onde entregaram o caderno reivindicativo, que inclui o aumento dos salários para todos os trabalhadores da função pública, a valorização das carreiras e o reforço dos serviços públicos.

Além do aumento geral dos salários em 90 euros, a Frente Comum reivindica a correção da Tabela Remuneratória Única, o descongelamento efetivo das promoções e das progressões nas posições remuneratórias e a revisão do sistema de avaliação.

A reunião com o Governo ocorreu uma semana depois da entrega da proposta do OE2022 no parlamento, que não prevê aumentos salariais para 2022, além dos 0,9% já aplicados em janeiro, apesar da subida da inflação.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, quando apresentou a proposta de OE2022 aos jornalistas, afastou a possibilidade de aumentos salariais intercalares dos funcionários públicos em 2022, para fazer face à escalada dos preços, defendendo que essa decisão poderia agravar a inflação.

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