NOS Alive capta até 80 milhões de euros para Lisboa

Numa base de três dias de festival, impacto económico pode ir até aos 60 milhões de euros. Nesta primeira edição de quatro dias, estimativas somam a esse bolo mais 25%.

José Varela Rodrigues
Alvaro Covões, managing director da Everything Is New, fotografado no recinto do festival NOS Alive. É um dos pioneiros na organização de festivais de música e promoção de espetáculos em Portugal © Paulo Spranger/ Global Imagens

Os festivais de verão estão de regresso, depois de mais de dois anos de interregno e grandes incertezas devido à pandemia. E a 14.ª edição do NOS Alive é a que se segue no calendário dos grandes eventos (de 6 a 9 de julho), estimando-se um impacto económico entre 50 e 60 milhões de euros na região de Lisboa, numa ótica conservadora. Numa perspetiva mais otimista, o festival pode chegar a injetar até 80 milhões de euros na economia da capital.

"O impacto económico do evento tem resultado sempre num número interessante, entre 50 e 60 milhões de euros", revela Álvaro Covões, managing director da promotora do festival, a Everything Is New, em conversa com o Dinheiro Vivo.

O cálculo baseia-se no historial das 13 edições anteriores, que decorreram sempre em três dias. Ora, 2022 traz uma "edição especial" de quatro dias ao Passeio Marítimo de Algés. Somando mais um dia de festa à retoma do setor dos eventos e à carga emocional que se sente do lado dos festivaleiros, ávidos pelo regresso dos grandes eventos de música, garante Álvaro Covões, o impacto económico pode crescer. "Pelo menos mais 25%, seguramente. Já estamos a falar de um impacto entre 75 e 80 milhões de euros", avalia o gestor.

O líder da Everything Is New, que organiza o NOS Alive desde a primeira edição, em 2007, está confiante num regresso de grande sucesso do evento, sublinhando que, às contas já feitas sobre o contributo na economia da região de Lisboa, há um "efeito de goodwill, que não tem valor ", mas que deve ser levado em conta.

Covões refere-se, sobretudo, "à notoriedade" do festival e como isso pode ser benéfico para o turismo na Grande Lisboa. A propósito disso, a Everything Is New vai fazer um estudo de mercado com a Universidade Nova de Lisboa sobre os visitantes deste festival, revela o gestor.

Objetivo? "Queremos perceber, sobretudo entre quem vive fora de Lisboa, sejam portugueses ou estrangeiros, quantos dias vão ficar, como vieram, onde vão dormir, entre outras coisas. Já tínhamos feito esse trabalho há uns anos e percebemos que mais de 80% dos visitantes do festival ficavam cinco dias ou mais. Ou seja, aproveitavam o festival para viajar até Lisboa e depois ficavam para férias e para conhecer o país. Este número é muito interessante, porque contrapõe a estada média do turista na região de Lisboa que ronda os 2,3 ou 2,4 dias", afirma.

" é um bom conteúdo para fazer o que todos desejam: criar condições para que os turistas fiquem cá mais tempo", acrescenta.

25 mil viajam para Portugal
A afirmação do managing director da promotora do festival não surge por acaso. Covões sabe que o NOS Alive atrai festivaleiros de diferentes geografias. "Vamos ter mais de 25 mil pessoas a vir do estrangeiro e já estamos a ver que o fim de semana do evento é o que tem as viagens mais caras".

De onde vêm? "De todo o lado", diz, adiantando que já há pessoas de 96 nacionalidades com bilhete para o festival, "segundo dados dos três principais canais, que representam 80% das vendas" em bilhética do festival.

Por esta ordem, e até ao momento, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil são os países fora da Europa onde mais bilhetes foram adquiridos. Dentro do espaço europeu, excluindo Portugal, britânicos e espanhóis são os que mais procuram o Alive. Álvaro Covões garante que o festival chega "ao mundo inteiro", havendo já bilhetes comprados em países como Bahrain, Arábia Saudita, Índia, Uganda, Filipinas ou Honduras.

12 milhões para receber mais de 200 mil pessoas
A organização espera acolher 205 a 210 mil pessoas no conjunto dos quatro dias do evento, uma contabilidade que não conta com elementos da organização nem com "um pormenor que só será possível apurar no final". Os bilhetes para o NOS Alive estão à venda desde setembro de 2019. "Ou seja, não sabemos, ainda, qual o efeito da vender bilhetes em quatro anos civis diferentes", repara Covões.

Do lado da organização, o gestor não consegue identificar um número de pessoas ou empresas envolvidas em toda construção e desmontagem do NOS Alive. "Esse controlo não é feito", garante. No entanto, durante o evento haverá "seis mil pessoas a trabalhar por dia".

Os números espelham a atratividade deste festival. Por isso, a questão impõe-se: quanto custa o NOS Alive? Do lado da Everything Is New o orçamento ronda os 12 milhões de euros, segundo o líder da organização, notando que o budget de 2022 é maior do que o habitual porque "há mais um dia de festival, mais um dia de infraestruturas, mais um dia de serviços".

Quanto ao contributo dos patrocinadores para o investimento total necessário, o administrador da promotora não entra em detalhes. Diz que esses valores dependem do parceiro, que tem "uma cadeia de valor própria" e é responsável pelo custo do espaço que ocupa no recinto, pela sua equipa e pela forma como ativa a sua marca. Ainda assim, realça que a quota-parte dos patrocinadores deve somar um valor igual ao assegurado pela promotora, em termos de investimento, em linha com outros festivais de dimensão idêntica.

Percebido o orçamento, Covões confirma que os custos para levantar o NOS Alive aumentaram. "Temos noção de que há um aumento entre 20% e 30% ao nível de infraestruturas, mas, por exemplo, ainda não sabemos o custo que terá a eletricidade ou o consumo de água", refere, asseverando que o "consumo maior" no orçamento continua a ser a contratação de artistas.

"É como se fosse o meu primeiro festival"
O ano de 2022 marca o regresso "em pleno" do NOS Alive, que este ano conta com mais de 150 artistas, em sete palcos, em quatro dias. Covões nota que o setor dos eventos e da cultura está a recuperar a "satisfação profissional". A Everything Is New, realça o gestor, aguentou o choque e realizou, desde o verão de 2020, "centenas de espetáculos" mesmo em contexto pandémico. Mas, segundo o gestor, não havia mesmo condições para retomar antes.

Por isso, o regresso do festival é especial: "Estou a viver este festival como se fosse a primeira vez, o que é uma coisa inacreditável se pensar que o primeiro que organizei foi em 1995. E é engraçado ver todos os profissionais com alegria de estarem a trabalhar. Há um sentimento de realização e de dignidade", diz, lembrando que o setor dos espetáculos é uma das engrenagens da economia lusa.

A perspetiva é que o setor continue a evoluir e não volte a ser "proibido de trabalhar". No caso da Everything Is New, o impacto da pandemia foi "violento". Fazendo o balanço da atividade, o gestor revela que houve "quebras de 73%, em 2020, e de 98%, em 2021, comparando com 2019".

E qual o peso das devoluções na quebra do negócio? "Em 2020, não tivemos de fazer devoluções, mas em 2021 reembolsámos mais de dez milhões de euros no conjunto da nossa atividade, que não é só o NOS Alive, embora o festival seguramente tenha aqui um peso grande, mas não sofreu muito", conclui.

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