Número de desempregados aumenta 45,1% no terceiro trimestre face ao anterior

A taxa de desemprego foi estimada em 7,8% entre julho e setembro, ou seja, mais de 400 mil pessoas. A população empregada aumentou 1,5%.

Paulo Ribeiro Pinto
Desemprego © Lusa

É a taxa de variação trimestral mais elevada desde 2011. "A população desempregada, estimada em 404,1 mil pessoas, aumentou 45,1% (125,7 mil) em relação ao trimestre anterior, o que corresponde à taxa de variação trimestral mais elevada da série iniciada em 2011, e 24,9% (80,7 mil) relativamente ao terceiro trimestre de 2019", revela o Instituto Nacional de Estatística.

A taxa de desemprego no terceiro trimestre foi de 7,8% ,"valor superior em 2,2 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 1,7 p.p. ao do trimestre homólogo de 2019", indica o INE no destaque publicado nesta quarta-feira.

Até agora, a taxa de desemprego registada pelo INE não estaria a refletir a degradação do mercado de trabalho devido aos critérios para se considerar uma pessoa desempregada, uma vez que é preciso fazer uma procura ativa de emprego e estar disponível para trabalhar. Com o alívio das medidas de confinamento, as pessoas puderam deslocar-se para procurar emprego, entrando no contingente de desempregados.

Tendo em conta o conceito mais alargado de desemprego - a taxa de subutilização do trabalho -, no terceiro trimestre situou-se nos 14,9%, "aumentou 0,9 p.p. relativamente ao trimestre precedente e 2,7 p.p. por comparação com um ano antes", refere o INE, explicada "maioritariamente pelo aumento do desemprego".

Nesta situação - que inclui os desempregados e os desencorajados - encontravam-se 813,7 mil pessoas, tendo aumentado 8,7% face aos três meses anteriores, correspondendo a mais 65 mil pessoas. Comparando com o mesmo período do ano passado, registou-se um aumento de 21,9% (146,0 mil pessoas).

População empregada aumenta. Inativos diminuem

O número de pessoas com emprego aumentou no terceiro trimestre 1,5%, correspondendo a mais 68,7 mil trabalhadores, mas continua a erosão face a 2019. "A população empregada, 4 799,9 mil pessoas, aumentou 1,5% por comparação com o trimestre anterior, mas diminuiu 3,0% (147,9 mil pessoas) em relação ao homólogo", indica o gabinete de estatística.

O alívio das medidas de confinamento permitiu que mais pessoas fossem consideradas desempregadas, uma vez que a procura ativa de emprego e a disponibilidade para começar a trabalhar fazem parte dos critérios para entrar nesta categoria. E isso, fez cair o número de inativos.

"A população inativa com 15 e mais anos, estimada em 3 700,9 mil pessoas, diminuiu 4,8% (185,8 mil) relativamente ao trimestre anterior e aumentou 3,0% (108,5 mil) em relação ao trimestre homólogo. A redução trimestral da população inativa foi acompanhada pelo aumento da população desempregada e, em menor grau, da população empregada", refere o INE.

Já os trabalhadores ausentes do local de trabalho diminuiu 24,4% no terceiro trimestre, face ao anterior, correspondendo a 262,3 mil pessoas. Este indicador dá uma ideia de quantas pessoas terão estado em teletrabalho

De acordo com a estimativa provisória divulgada da semana passada, a taxa de desemprego em Portugal desceu para 7,7% em setembro, o que compara com 8,1% em agosto, interrompendo os aumentos verificados desde junho. Uma evolução que estará relacionada com o alívio das medidas de confinamento e a sazonalidade do verão.

Notícia atualizada às 11h30

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