Preços das casas já caem em nove freguesias de Lisboa

Nas duas freguesias mais caras da capital, Santa Maria Maior e Santo António, os imóveis continuaram a valorizar. ​​​​No Porto o valor dos imóveis no último trimestre de 2020 aumentou em todas as sete freguesias do concelho.

Sónia Santos Pereira
Vista do Miradouro da Graça © (Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)

O preço da habitação em Portugal continua em rota ascendente, contornando os efeitos negativos da pandemia na economia. Nos últimos três meses de 2020, o preço de vendas das casas atingiu os 1.188 euros por metro quadrado, um crescimento de 7,8% face ao homólogo de 2019. Neste período, o valor do metro quadrado em Lisboa aumentou 4%, para 3.377 euros, consolidando um movimento de desaceleração que já está a impactar o valor do território da capital, o mais elevado do país.

Na reta final de 2020, nove freguesias de Lisboa registaram quebras nos preços das casas. Aliás, dentro do universo das cidades com mais de 100 mil habitantes, Lisboa apresentou uma variação homóloga nula, numa trajetória claramente oposta à do Porto, que viu os preços disparar 21,2%, conforme divulgou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Entre as nove freguesias de Lisboa que apresentaram quebras no preço das casas Santa Clara foi a que verificou um decréscimo mais substantivo (10,7%), seguida da Ajuda (6,4%), das Avenidas Novas (6,3%) e de Alcântara (5,2%). Na lista 'negativa', constam ainda Parque das Nações (3,9%), Campo de Ourique (3,8%), Marvila (2,2%), Misericórdia (1,2%) e Benfica (0,6%).

Em sentido inverso, as duas freguesias mais caras da capital viram o valor aumentar. Em Santa Maria Maior, o preço por metro quadrado teve um incremento de 31,9% no quarto trimestre de 2020 face ao período homólogo, para 5.914 euros, e Santo António cresceu 12,4% para 5.544 euros. Com subidas da ordem dos dois dígitos, encontram-se ainda Carnide (18,3%), Arroios (11,5%), Campolide (9,9%) e Estrela (9,8%).

Porto mais caro

Já as casas na segunda maior cidade do país estão a registar uma tendência de forte valorização. Os dados das Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local do INE revelam que o preço por metro quadrado no Porto atingiu os 2.142 euros, um aumento de 16,6% face ao período homólogo de 2019. E todas as sete freguesias que constituem o concelho apresentaram um incremento.

O preço do metro quadrado no território que integra o Centro Histórico do Porto (União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé Miragaia, S. Nicolau e Vitória) disparou 22,8% para 2.503 euros. Já na zona mais cara da cidade (Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde) aumentou 15,9%, e Lordelo do Ouro e Massarelos teve um incremento de 19%.

Mesmo as freguesias cujo preço do metro quadrado está abaixo da média da cidade não perderam o comboio: Paranhos verificou um aumento de 20,6%, Campanhã, que apresenta o valor mais económico do município, valorizou 17,8%, Ramalde cresceu 7,1% e o Bonfim respondeu por um aumento de 7,1%.

Este incremento exponencial do preço dos alojamentos familiares no Porto é encarado com cautela e preocupação pelo presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal. Como diz Luís Lima ao Dinheiro Vivo, "é um aumento que me preocupa, uma vez que o que tenho vindo a defender é precisamente, a aposta na habitação acessível para os jovens e a classe média", que sofrem as consequências da falta de uma política habitacional no país.

O líder associativo do setor imobiliário lembra que "a classe média e média baixa não têm poder de compra para suportar tais aumentos nos imóveis, bem tão pouco para fazer face aos preços do arrendamento que se praticam". Isto numa altura em que o INE revela que todas as cidades com mais de 100 mil habitantes apresentaram aumentos dos preços da habitação em termos homólogos, considerando os últimos 12 meses terminados no final de 2020.

Luís Lima alerta ainda para a "enorme incerteza" da evolução pandémica e, nesse sentido, "o mercado imobiliário deve continuar cada vez mais atento e não se deixar entusiasmar pela resiliência demonstrada até agora".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG