Taxa de inflação atingiu 8,2% na região Norte no 2.º trimestre de 2022

Subida dos preços foi generalizada nas categorias de bens e serviços, mas foram os produtos energéticos que registaram o crescimento mais acentuado. Neste período a região Norte criou 9700 novos postos de trabalho, as exportações de bens aumentam 19% e as dormidas ultrapassaram valores pré-pandemia.

Dinheiro Vivo/Lusa
 © André Rolo / Global Imagens

A taxa de inflação do Norte atingiu os 8,2% no segundo trimestre de 2022, aumentando 3,6% relativamente ao trimestre anterior, adianta esta quinta-feira um boletim divulgado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte).

De acordo com o documento, a subida dos preços foi observada na generalidade das categorias de bens e serviços, mas foram os produtos energéticos que registaram o crescimento mais acentuado, fruto da guerra na Ucrânia.

"No Norte, o aumento foi de 29% no segundo trimestre de 2022 em comparação com o período homologo do ano transato", refere o boletim Norte Conjuntura.

A par dos produtos energéticos, no período em análise, a classe dos transportes aumentou 13,6%, a classe da habitação, água e eletricidade, gás e outros combustíveis (13,4%), a classe dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (12,6%) e a classe dos restaurantes e hotéis (11,1%).

Contrariamente a esta tendência, a classe do vestuário e calçado e classe da saúde registaram diminuições de preços em termos homólogos, ao fixarem-se em 0,6% simultaneamente.

"O crescimento da dívida acumulada da economia no Norte passou a ser maioritariamente explicado pela evolução da dívida das famílias, ao contrario do que se verificou nos trimestres anteriores, enquanto estavam vigentes as medidas introduzidas para controlar os efeitos negativos da crise pandémica, nomeadamente as moratórias de crédito", realça o documento.

Na região, a dívida das famílias (para habitação, consumo e outros fins) apresentou uma "variação homologa positiva de 5,1%" no segundo trimestre de 2022, tendo contribuído para tal, a evolução do crédito a habitação que aumentou 3,7% em termos homólogos e a evolução do crédito ao consumo que apresentou "um crescimento mais acentuado", tendo-se fixado em 10,1% face a 2021.

Já a dívida das empresas do Norte ao sistema bancário e outras instituições monetárias registou um aumento homologo de 2,8% no segundo trimestre.

Quanto aos novos créditos concedidos a empresas, foi observada uma variação homóloga positiva de 28% no período análise, destacando o documento que, "no entanto, este resultado compara com um período em que os novos empréstimos às empresas vinham a observar decréscimos sucessivos".

Por sua vez, os indicadores do incumprimento bancário mantiveram-se "sem grandes oscilações" no segundo trimestre de 2022, com o rácio de crédito vencido das empresas a aumentar "ligeiramente" para 2,2% e o das famílias a manter-se em 0,9%.

9700 novos postos de trabalho

A população empregada no Norte aumentou 0,6% no segundo trimestre de 2022 face ao mesmo período de 2021, representando 9700 novos postos de trabalho, indica o mesmo boletim da CCDR-Norte, destacando que "o mercado de trabalho do Norte continuou a crescer no 2.º trimestre de 2022, embora a um ritmo inferior ao observado nos trimestre anteriores".

Apesar da "desaceleração observada", as taxas de emprego e de atividade da região "continuam a apresentar valores elevados", refere o documento.

Quanto aos setores de atividade económica, as dinâmicas observadas no segundo trimestre de 2022 foram "semelhantes" às do trimestre anterior, com a população empregada no setor primário (agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca) e nos serviços a aumentar 4,2% e 4%, respetivamente, em termos homólogos. Por sua vez, a população empregada no setor secundário (indústria, construção, energia e água) registou uma diminuição de 6,1% quando comparada com o mesmo trimestre do ano passado.

No que respeita à taxa de desemprego, o documento diz ter existido um aumento ligeiro em relação ao trimestre anterior, situando-se em 5,5% no período em análise. No entanto, em comparação com o período homólogo de 2021, a taxa de desemprego a Norte diminuiu 0,8%. "Apesar da trajetória de redução da população desempregada do Norte ao longo dos últimos trimestres, observa-se com preocupação a tendência crescente no número de desempregados de longa duração", acrescenta o boletim.

Exportações de bens aumentam 19%

As exportações de bens do Norte aumentaram 19% no segundo trimestre de 2022, comparativamente ao mesmo período de 2021, dá também conta o documento. A dinâmica de "incremento" foi também sentida nas importações de bens, que em comparação com o mesmo período de 2021, aumentaram 25,5% no período em análise, pode ler-se.

"Dado o crescimento significativo das exportações e importações, o valor total do comércio internacional do Norte registou uma aceleração no 2.º trimestre de 2022, numa conjuntura marcada pelo aumento dos custos de produção, devido ao encarecimento da energia, dos custos de transporte internacional e das matérias-primas", nota o documento, lembrando que o crescimento das exportações e importações resultou do aumento dos preços finais praticados no comércio internacional.

O Norte Conjuntura realça ainda que os crescimentos mais acentuados das exportações de bens no período em análise ocorreram nos concelhos da Trofa (32,2%), Paços de Ferreira (30,9%), Felgueiras (26,8%), Santo Tirso (25,1%), Vila Nova de Famalicão (23,9%), Viana do Castelo (23,6%), Vila Nova de Gaia (22,8%), Guimarães (20,5%), Maia (19,7%) e Vila do Conde (19,5%).

Dormidas ultrapassam valores pré-pandemia

O Norte registou, no segundo trimestre deste ano, 3,2 milhões de dormidas turísticas, valor que ultrapassa, "pela primeira vez", os indicadores anteriores à pandemia. "As dormidas nos estabelecimentos turísticos do Norte foram de 3.194.089 no segundo trimestre de 2022, mais 7,9% do que no segundo trimestre de 2019", lê-se no boletim Norte Conjuntura.

De acordo com o documento, esta foi a "primeira vez" que os indicadores da atividade turística na região ultrapassaram os observados antes da pandemia da covid-19.

As dormidas de residentes tiveram um "crescimento significativo" de 14,8% comparativamente ao segundo trimestre de 2019, ao fixarem-se em 1,2 milhões no período em análise. Já as dormidas de não residentes situaram-se nos 1,9 milhões, ultrapassando também o valor anterior à pandemia em 3,8%.

À semelhança das dormidas, também o número de hóspedes nos estabelecimentos turísticos do Norte aumentaram 4,5% comparativamente ao 2.º trimestre de 2019, tendo sido registados 1.685.605 hóspedes.

A "retoma plena da atividade turística para valores superiores aos pré-pandemia" foi também sentida nos indicadores de faturação dos estabelecimentos de alojamento turístico, com os proveitos totais a atingirem 217 milhões de euros, "mais 19,5% face ao valor do 2.º trimestre de 2019".

O rendimento médio por quarto também registou uma recuperação superior a 2019, ao atingir, no segundo trimestre de 2022, 51,2 euros.

Já a taxa líquida de ocupação por cama foi o único indicador no qual o turismo do Norte não ultrapassou o período pré-pandemia, registando 45,2% em contraste com os 46,5% atingidos no segundo trimestre de 2019.

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