Comércio online em Portugal deverá atingir 129,5 mil milhões de euros em 2022

Compras online deverão representar 56% do PIB nacional estimado pelo Governo para este ano. Valor global está alinhado com 2021, ano em que o comércio eletrónico gerou em Portugal 121,3 mil milhões de euros.

O comércio eletrónico está a todo o gás, impulsionado por uma alteração profunda dos hábitos dos consumidores. No espaço de uma década, entre 2011 e 2021, o valor global gerado por esta modalidade aumentou cerca de 219%, passando de 38 mil milhões de euros para 121,3 mil milhões, ou seja, 56,5% do PIB nacional. Já em 2022, o montante deverá atingir os 129,5 mil milhões, o que representará uma vez mais 56% da soma de bens e serviços estimada pelo Governo para o ano corrente.

Aqueles dados integram a edição de 2022 do Estudo da Economia e da Sociedade Digital em Portugal, produzido anualmente pela ACEPI - Associação da Economia Digital em parceria com a consultora IDC. As entidades detalham que, do valor previsto para este ano, uma fatia de 121 mil milhões de euros corresponde ao comércio online realizado entre empresas e pelo Estado (business to business - B2B), enquanto outra, de 8 mil milhões, diz respeito às compras efetuadas online pelos portugueses.

Quanto ao número de compradores online em Portugal, que cresceu significativamente durante o período de pandemia, de 45% para 52%, a ACEPI prevê que suba até ao final do ano quatro pontos percentuais, para 56%, sendo expectável que a tendência de aumento se mantenha até 2026, com mais de 70% dos portugueses a fazer compras online nesse ano.

O que compram os portugueses?

Nos últimos três meses, cerca de 13% portugueses fizeram compras online mais de cinco vezes, tendo a despesa de 65% destes consumidores na internet ido até 300 euros, aponta o estudo da ACEPI/IDC.

No topo das categorias de compras realizadas pelos portugueses estão, à semelhança do ano anterior, a "roupa e acessórios de moda", com um crescimento de 10% face a 2020, os "serviços de alojamento" na categoria de serviços, e os "filmes ou séries" na categoria de conteúdos eletrónicos para download ou subscrição. Destacam-se ainda aumentos significativos nas "refeições entregues ao domicílio ou levantamento em loja", nos "produtos alimentares e bebidas" e "produtos para desporto".

"Tem sido habitual nos últimos anos constatar que muitos portugueses compram frequentemente online em sites estrangeiros. No entanto, verifica-se que a percentagem de compras online em Portugal é maioritariamente efetuada em sites portugueses (87%)", refere o relatório. Olhando para os sites com presença em Portugal, Worten, El Corte Inglés, Zara, Continente e Amazon são os mais procurados para as compras online e representam o maior nível de vendas.

A facilidade de compra e a flexibilidade de horários são as principais razões que levam os portugueses a comprar online, sendo o domicílio o local de entrega mais solicitado por estes. Em 2021, o MbWay foi o terceiro meio de pagamento no ranking nacional, com uma expressão muito similar à utilização de cartões de crédito. O Multibanco foi o método mais usado, seguido da carteira digital como o Paypal e semelhantes.

Atualmente, o telemóvel é o equipamento mais utilizado pelos consumidores (77%) para fazer compras na internet, tendo mesmo reforçado a sua liderança, quando lado a lado com a média da União Europeia (65%).

Digitalização das empresas nacionais

Com as compras online a fazer parte do dia-a-dia dos portugueses, "nenhuma empresa pode hoje ignorar a internet como canal de venda e de comunicação", diz o presidente da ACEPI, Alexandre Nilo Fonseca.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2021, 62% das empresas com dez e mais pessoas ao serviço em Portugal tinham presença na Internet. No caso das empresas de maior dimensão, com 250 ou mais colaboradores, a percentagem atinge os 94%. Já nas médias e pequenas empresas, esta é de 78% para as médias e de 58% para as pequenas.

Os negócios têm vindo a utilizar "de forma mais estruturada as redes sociais, tanto para promover os seus produtos e serviços, como para interagir com os seus clientes e parceiros. Uma presença forte nas redes sociais garante às empresas uma maior visibilidade", observa a ACEPI. A percentagem de empresas que utiliza as redes sociais tem vindo a crescer nos últimos anos, estando Portugal acima da média da UE, com 58% em 2021.

Relativamente ao comércio eletrónico, em 2021, a média de empresas portuguesas que fez uso desta modalidade foi relativamente baixa, estando equiparada com níveis de 2019 (16%) e abaixo de 2020 (20%). "Esta redução pode estar ligada à existência de uma pandemia, tendo-se verificado, em alguns setores da economia, uma redução de atividade comercial e dos investimentos", diz a ACEPI.

Outro ponto da digitalização das empresas diz respeito à faturação eletrónica. "Estima-se que, em 2021, entre 30% e 34% do volume do PIB nacional tenha sido já transacionado exclusivamente através de soluções de faturação eletrónica B2B, representando cerca de 63 e 71 mil milhões de euros e abrangendo cerca de 90 mil empresas". Para 2022, a expectativa é de que exista um crescimento de 15% a 25% relativamente ao ano anterior, estimando-se um volume entre 36% e 39% do PIB nacional, ou seja, cerca de 82 e 89 mil milhões de euros.

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