Como será a recuperação do PIB? Letras não faltam

W, K, L ou U. Há quase um abecedário próprio nas apostas para a recuperação da economia portuguesa. E também outras formas mais exóticas.

As apostas estão quase todas entre o W, o K e uma forma em V alongado, semelhante ao logótipo de uma conhecida marca norte-americana de artigos de desporto. E as fichas começam a deslocar-se para esta última hipótese. Há um ponto em comum: a recuperação vai ser mais lenta do que o inicialmente previsto, e só mesmo em 2023 é que a atividade deverá regressar aos níveis pré-pandemia de 2019.

É essa a expectativa dos economistas ouvidos pelo Dinheiro Vivo, depois de conhecida a estimativa provisória do produto interno bruto (PIB) para o terceiro trimestre, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e as mais recentes previsões da Comissão Europeia (CE) divulgadas na passada quinta-feira. Uma recessão cavada neste ano já é dada como garantida, com uma queda histórica do produto.

Mas tudo vai depender da evolução da pandemia e a incerteza é a grande inimiga das previsões económicas. "A incerteza sobre a intensidade e duração da segunda vaga da pandemia não permite grandes certezas", lembra o economista Paulo Trigo Pereira, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). "Só se poderá falar de uma verdadeira recuperação quando a dimensão epidemiológica estiver sob controlo", corrobora Pedro Brinca, na Nova School of Business and Economics (Nova SBE).

Os dois economistas apostam numa recuperação muito lenta, semelhante a um V com a segunda perna mais alongada. "Ganha força a ideia de uma recuperação que segue o famoso símbolo da marca americana de equipamento desportivo Nike", aponta Pedro Brinca, apostando numa "forte queda inicial com parte da recuperação a ser também ela bastante rápida, mas depois com uma evolução muitíssimo mais demorada".

Para o Economista da Nova SBE, o crescimento será moderado tendo em conta "a deterioração das condições económicas das famílias, ao elevado grau de incerteza que fez os níveis de poupança disparar para valores históricos e à necessidade de empresas e trabalhadores se adaptarem a este novo normal que não se prevê ainda que tenha um fim imediato à vista".

Também Trigo Pereira, que foi deputado eleito pelo PS na última legislatura, põe as fichas na hipótese. "Passe a publicidade, penso que a recuperação será em forma do símbolo da Nike", acrescentando que "o quarto trimestre terá dois efeitos de sentido contrário na procura interna (estado de emergência e Natal), mas que espero resulte num crescimento trimestral em cadeia do PIB".

Já o economista João Borges de Assunção, da Católica-Lisbon, não descarta nenhum cenário. "Em termos da descrição do que se está a passar entre março e dezembro deste ano as letras W (segunda vaga) e K (setores a sofrer muito e outros a recuperar depressa) parecem ser as narrativas, mas razoáveis", aponta.

O professor da Católica confessa que o que mais o preocupa "é a perda acumulada da economia no final de 2021 face ao quarto trimestre de 2019. Se for inferior a 2% poderá ser uma recessão relativamente rápida, se for maior as perdas de emprego, empresas e instituições podem ser grandes, deixando cicatrizes grandes na economia que demorarão muito tempo a sarar", conclui. "Choques de oferta tendem a proporcionar uma recuperação rápida. Choques da procura normalmente implicam recuperações mais lentas", lembra Pedro Brinca.

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