Confederações internacionais destacam papel dos sindicatos na construção da Europa social

O líder da CES lembrou os "elevados montantes de dinheiro para investimento público" mobilizado pela União Europeia, "num ambicioso plano para uma recuperação sustentável" após a crise pandémica, salientando que é preciso garantir que vai ser gasto "da maneira certa".

O secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) defendeu, em Santarém, o papel dos sindicatos na construção da Europa social, alertando para as "muitas forças" que tentam deitar abaixo iniciativas legislativas importantes para os trabalhadores.

"Temos de desempenhar o nosso papel enquanto sindicatos. O nosso envolvimento é crucial se queremos ter um impacto e repor as condições certas para o futuro dos trabalhadores europeus", disse Luca Visentini, numa intervenção no 14.º Congresso da União Geral dos Trabalhadores (UGT), que decorre hoje e domingo no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.

O líder da CES lembrou os "elevados montantes de dinheiro para investimento público" mobilizado pela União Europeia, "num ambicioso plano para uma recuperação sustentável" após a crise pandémica, salientando que é preciso garantir que vai ser gasto "da maneira certa".

"Queremos ter a certeza de que desta vez o dinheiro é para os trabalhadores. É a nossa vez de recuperar alguma coisa. Não é mais o tempo de os trabalhadores pagarem o preço. Queremos que o nosso modelo económico seja mudado", declarou, lamentando que persistam "regras do passado", impostas no tempo da troika e da austeridade.

"Precisamos de mudança e isso significa que temos de mudar a governança económica europeia e temos de introduzir regras que favoreçam o investimento público em favor da justiça económica e social, em favor da democracia, inclusão e justiça para os trabalhadores de toda a Europa", disse, frisando o papel da negociação entre empregadores, sindicatos, instituições, comissão europeia, governos.

Também Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI), insistiu na exigência de avanços no novo Contrato Social europeu, que disse ser a base para a justiça social.

Dirigindo-se à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, a líder da CSI afirmou que o pleno emprego é possível e elencou três áreas em que é preciso apostar: nos serviços públicos que asseguram cuidados de saúde, educação e apoio social aos mais vulneráveis, na criação de infraestruturas para a resiliência climática e na indústria para a transição.

"Temos de lutar todos os dias pelo pleno emprego, por trabalho decente e salários justos", declarou, insistindo num novo contrato social, com empregos amigos do ambiente, direitos universais, a reforma do sistema financeiro, proteção social universal, rendimento mensal mínimo, direitos coletivos mais fortes, igualdade de género.

Antes, a ex-ministra socialista do Trabalho e atual diretora do Departamento das Atividades dos Trabalhadores da Organização Internacional do Trabalho, Helena André, salientou que o sindicalismo mudou, exigindo "pessoas de combate, audaciosas, de inovação, que tenham espírito criativo e capazes de ir à luta".

Helena André afirmou que as pessoas que estão hoje no mercado de trabalho "não têm a cultura da organização sindical, não têm a tradição de ser membros das organizações sindicais", pelo que os sindicatos "têm uma responsabilidade como nunca tiveram".

Para sobreviverem, disse, têm de ter capacidade de se "reinventarem e irem lá fora ao encontro daqueles que necessitam de ser ouvidos, de ser escutados e de ter uma voz".

O 14.º Congresso da UGT discute hoje o relatório do secretariado nacional cessante, liderado por Carlos Silva, realizando-se domingo a eleição do seu sucessor, Mário Mourão, a quem caberá a apresentação do documento programático para o próximo quadriénio.

Este congresso, que reúne 787 delegados, deveria ter-se realizado em abril de 2021, mas foi adiado mais que uma vez por causa da pandemia da covid-19.

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