Costa quer evitar rutura na Saúde, evitar confinamento geral e anuncia apoio à restauração

O primeiro-ministro, em entrevista à TVI reafirmou a confiança na ministra da Saúde e admitiu que se não for possível controlar a situação, "vamos chegar uma rutura".

António Costa admitiu que não esperava uma segunda onda "tão cedo", justificando assim alguma impreparação do governo para implementar medidas mais cedo. "Toda a Europa foi apanhada de surpresa. Ninguém esperava a segunda onda tão cedo, mas em setembro alertámos que a situação era muito grave", diz o primeiro-ministro.

O responsável do governo diz ainda que o que podia ser preparado "foi feito". "Aumentámos a capacidade de resposta em termos de chamadas da linha SNS 24, testagem e camas de internamento. Aumentámos muito a capacidade. A transmissão da doença não depende do governo, depende de cada um de nós".

O primeiro-ministro acredita que ainda é possível evitar a rutura que alguns especialistas já adivinham para as próximas semanas: "neste momento temos ainda capacidade de controlar" a pandemia.

Sobre as queixas da hotelaria e restauração, com indicações que as falências em massa vão ser inevitáveis, Costa anunciou, sem indicar qual o valor da compensação, "um pacote específico para apoiar empresas de restauração pelo que vão sofrer de receita nos dois próximos fins de semana".

A situação atual é assim "bastante mais grave do que na primeira vaga", com o primeiro-ministro a admitir que há agora "o dobro das pessoas internadas que tivemos no pior momento da primeira onda, mas ainda não se tornou incontrolável". Costa lembra que "não é possível controlar a pandemia sem perturbar a economia".

O que o país não aguenta, diz Costa, é um novo confinamento geral como o que aconteceu em março e abril. Daí que peça um "ponto de equilíbrio": "saia de casa, mas em segurança". "Não podemos repetir hoje a metodologia de março. Impacto económico e de desemprego foi brutal", explicou à TVI.

Sobre a falta de camas, Costa admite que pode haver uma rutura em breve: "se não for possível controlar a situação, vamos chegar a uma rutura".

Daí que o governo queira chegar à média da União Europeia de camas por cada 100 mil habitantes "em março de 2021". Explica o governante: "temos 704 camas para cuidados intensivos em condições de funcionar . No princípio tínhamos o menor número de camas por 100 mil habitantes da UE. Já temos mais 50 camas e teremos mais 50 até março de 2021. Se vão ser suficientes? Se conseguirmos controlar esta pandemia agora, vamos conseguir viver sem dramas."

Sobre o setor privado, podem ser acrescentadas 120 camas de cuidados intensivos com ajuda dos privados, onde diz não haver "nenhum preconceito ideológico". "O setor privado tem 120 camas de cuidados intensivos. Temos recorrido aos privados e ao setor social."

Para já, quem fica segura é a ministra da Saúde, Marta Temida, que tem "confiança reforçada" de Costa.

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