Desemprego regista maior salto mensal de sempre em abril

Crise chegou em força no mês passado com o número de inscritos nos centros de emprego a disparar. Algarve regista o maior aumento.

É um sinal da brutalidade do impacto da pandemia na economia num curto espaço de tempo. O número de pessoas inscritas nos centros de emprego de todo o país disparou no mês a seguir ao primeiro estado de emergência que praticamente encerrou o país da noite para o dia.

No final do mês de abril estavam registados 392 323 desempregados, o que representa um aumento de 22,1% face a igual período do ano passado, ou seja, mais 71 083 pessoas sem emprego. Mas, se é certo que para as habituais análises se utiliza a variação homóloga, para expurgar efeitos momentâneos no emprego e desemprego, neste caso vale a pena olhar para o que aconteceu em apenas um mês.

E nesse período, em apenas 30 dias, ficaram sem emprego mais de 48 mil pessoas, o que dá uma média de 1 618 pessoas por dia que ficaram sem trabalho. Trata-se de um aumento de 14,1% em abril, face ao mês anterior. É a maior variação mensal de que há registo nas séries longas do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e que remontam a 1977.

Recuando até ao mês de fevereiro, ainda antes do primeiro caso de covid-19 registado em Portugal (02 de março), são mais 76 761 pessoas no desemprego.

O primeiro período do estado de emergência começou às 00h00 do dia 19 de março, quando o país entrou em confinamento quase absoluto com empresas e serviços a fechar portas ou a trabalhar a menos de meio gás. O salto não terá sido mais pronunciado por efeito do lay-off simplificado que manteve muitos trabalhadores em espera. É, pelo menos, essa a explicação da ministra do Trabalho.

Turismo é o que mais sofre

Mas os dados divulgados na quarta-feira pelo IEFP permitem perceber quais os setores e regiões mais afetadas pelo impacto da pandemia. E há sinais que apontam para um setor em particular, com impacto numa região: o turismo e o Algarve, respetivamente.

De acordo com a informação referente ao mês de abril, a região do Algarve foi a mais castigada pela paragem com um aumento homólogo do desemprego a tocar nos 124%. Mais de 14 mil pessoas inscreveram-se nos centros de emprego. E este aumento estará relacionado com a prevalência do turismo e imobiliário.

“As subidas percentuais mais acentuadas, por ordem decrescente, verificaram-se nas atividades de: ‘alojamento, restauração e similares’ (60,6%), ‘atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio’ (41,2%) e ‘transportes e armazenagem’ (37,4%)”, refere o relatório mensal do Instituto de Emprego.

Voltando às regiões, o Norte foi aquela que melhor conseguiu resistir ao impacto da crise no Continente; o aumento do número de desempregados inscritos foi de 14,1% em termos homólogos, seguindo-se a região Centro com 16,4%, ambos abaixo da média. E, também nestes casos, a explicação poderá estar no facto de serem regiões com uma forte componente industrial, com muitas empresas a manterem a laboração, mesmo que parcial.

As regiões autónomas apresentam um comportamento que pouco se assemelha ao conjunto do país, com os Açores a apresentarem mesmo uma descida no número de desempregados inscritos (-6,9%) e a Madeira a registar uma subida muito ligeira (1,5%).

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