Economia portuguesa é das que mais travam na UE com nova vaga

Efeitos do recuo nas medidas de desconfinamento já estão a chegar à atividade económica, segundo o indicador da OCDE que acompanha a evolução semanal do PIB.

O primeiro-ministro admitiu esta semana que Portugal está a "enfrentar a quarta vaga", com a variante Delta, e os efeitos parecem começar a fazer-se notar na atividade económica. É esse o sinal dado pelo indicador semanal desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), atualizado até ao final do mês de junho.

O weekly tracker, como é chamado, é um indicador de alta frequência que analisa a evolução do produto interno bruto (PIB) com base em dados de pesquisa da Google e em algoritmos que criam de modo automático modelos de representação da realidade a partir de um conjunto de dados - é um tipo de inteligência artificial adaptada à análise da atividade económica.

Depois da recuperação pronunciada no final de abril, com o avanço das diferentes fases de desconfinamento, em junho o indicador semanal começou a apresentar maiores oscilações, acabando por fraquejar mais no final do mês passado.

Os dados mostram uma queda homóloga do PIB português de 5,7%, apenas atrás da Grécia, com uma variação de -8,62%. De entre os 17 países da União Europeia incluídos na amostra da OCDE, é o que apresenta uma variação percentual mais significativa face à semana de 20 de junho.

Para evitar grandes oscilações, dadas as quedas significativas em 2020, o autor da análise da OCDE, Nicolas Woloszko, criou um modelo, a que chamou de "contrafactual", para corrigir esse efeito base, assumindo os pressupostos das projeções de dezembro de 2019 para 2020 como se não houvesse pandemia. Assim, os resultados ficam expurgados dos impactos da covid-19 na atividade económica, permitindo também a comparabilidade entre países.
Analisando a evolução das últimas semanas, as grandes economias europeias - Alemanha, França e Itália - apresentam boas perspetivas, aproximando-se já de níveis positivos ou estando mesmo acima da linha de água.
A variante Delta do vírus SARS-CoV-2 é considerada mais transmissível e responsável por perto de 90% dos casos de infeção em Portugal, revelam os dados mais recentes do relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a diversidade genética do vírus, confirmando que já era a variante dominante no país na semana de 21 a 27 de junho.

O que dizem outros indicadores

Para identificar alterações bruscas da atividade económica, o Banco de Portugal também lançou o indicador diário com dados de alta frequência, que incluem o tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas autoestradas, o consumo de eletricidade e de gás natural, a carga e o correio desembarcados nos aeroportos nacionais e as compras efetuadas com cartões em Portugal por residentes e não-residentes.
Os últimos dados divulgados na quinta-feira, 8 de julho, indicam uma "relativa estabilização" da atividade económica face à semana anterior.

As previsões das universidades portuguesas apontam, contudo, para que os efeitos desta vaga de novas restrições não tenham impacto no crescimento económico para o conjunto do ano. O ISEG reconhece que "em junho se registou alguma desaceleração", mas manteve a "previsão para o crescimento anual no intervalo de 3,5% e 4,5%" na síntese de conjuntura de junho.

Já a Católica reviu em alta as previsões para este ano, apontando para um crescimento de 3,5%, mais 2,5 pontos percentuais face às projeções iniciais.
Por seu lado, a Comissão Europeia indicou esta semana que a economia portuguesa deve crescer 3,9%, não tendo mexido na previsão de maio, um dos países em que se manteve tudo igual, a par da Finlândia. Por causa da variante Delta, Bruxelas manifestou-se, no caso português, menos otimista do que para outros Estados-membros.

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