Falta de maquinistas reduz comboios no Norte 

CP suprimiu mais de duas dezenas de viagens nas últimas semanas. Empresa assume carência de pessoal.

As férias dos maquinistas estão a obrigar a CP a suprimir comboios no Norte do país. Ficaram por realizar mais de duas dezenas de viagens nas últimas duas semanas nos suburbanos do Porto. A empresa assume os cancelamentos, enquanto o sindicato que representa a área de tração da empresa lamenta a falta de trabalhadores.
As supressões afetam os comboios que partem ou chegam a São Bento e Campanhã para destinos como Ovar, Marco de Canaveses, Famalicão e Braga. Basta faltar um maquinista para deixarem de ser realizadas várias viagens de uma só vez.

A transportadora, para tentar minorar os impactos, cancela algumas das viagens que não param em todas as estações e apeadeiros. Noutros casos, esses comboios passam a ter mais paragens.
Com menor frequência, cada automotora acaba por transportar mais passageiros. Em tempo de pandemia falha a regra de promover o distanciamento social entre utentes e arrisca-se uma lotação superior aos dois terços atualmente permitidos. As supressões afetam principalmente os comboios nas horas de ponta da manhã ou da tarde.
Ao DN/Dinheiro Vivo, fonte oficial da CP assume a "falta de capacidade para satisfazer toda a oferta atual", devido ao gozo das férias dos maquinistas. António Domingues, presidente do sindicato que representa estes trabalhadores (SMAQ) recorda que "há uma grande falta de efetivos ao longo de todo o ano" e que "é potenciada pelo gozo de férias".

Sem maquinistas suficientes a partir do Porto, a transportadora tenta evitar as supressões ao deslocalizar as viagens entre centros de trabalho. "Um maquinista de Coimbra assume um serviço atribuído a Coimbra e que originalmente era do centro de trabalho do Porto", nota António Domingues. Mas a situação pode, depois, penalizar as operações da empresa ferroviária no centro do país.

O recurso às horas extraordinárias é a outra medida da CP para evitar os cancelamentos. Com falta de efetivos, o que deveria ser uma opção pontual acaba por tornar-se em algo sistemático e contestado pelo SMAQ. A situação levou o sindicato a convocar um pré-aviso de greve às horas extraordinárias para os dias 8 a 18 deste mês mas acabou, na véspera, por suspender a paralisação.

Problema com uma década

Nos últimos três anos e meio, a CP contratou mais de 60 maquinistas: dez em 2018, 42 em 2019 e nove já em fevereiro deste ano. Mas a idade média dos profissionais da área de tração já ronda os 50,5 anos, o que potencia as ausências ao trabalho por doença. O sindicato dos maquinistas lamenta que "as admissões sejam insuficientes", porque "durante dez anos não entraram trabalhadores na CP".

Equilibrar o quadro de pessoal de maquinistas e compensar as saídas por reformas implica a "admissão imediata de 50 a 60 pessoas", diz o sindicato. A dupla tutela da transportadora, entre os ministérios das Finanças e das Infraestruturas, no entanto, tem travado a marcha das contratações, lamenta o sindicato dos maquinistas.
diogofnunes@dinheirovivo.pt

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