Hotelaria de novo sem Páscoa vê início do ano "severamente comprometido" 

Grande parte da hotelaria em Portugal está fechada devido à ausência de procura. Setor espera que a partir de maio a situação comece a inverter-se.

Com ou sem bom tempo, a Páscoa tipicamente convidava a uns dias de férias e a uma escapadela. Uns escolhiam praia, outros campo. Mas devido à pandemia, grande parte da hotelaria em Portugal está de portas fechadas, agravando os elevados prejuízos do ano passado.

A Páscoa, como nota Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), "é um período, num ano normal, forte na hotelaria". Mas a quadra, neste ano, tal como em 2020, não conta com o turismo internacional, e "em razão da renovação do estado de emergência e restrições que conhecemos, não pode haver turismo interno, pelo que até depois da Páscoa a maior parte da hotelaria estará encerrada".
Em 2020, no primeiro confinamento, na segunda quinzena de março e, quase um mês depois, na Páscoa (que foi a 12 de abril), grande parte das unidades hoteleiras também estavam encerradas. As que permaneciam de portas abertas tinham como clientes sobretudo profissionais que, devido à pandemia, não podiam regressar a suas casas.

"Será por isso o segundo ano consecutivo sem Páscoa na hotelaria. Aliás, o primeiro quadrimestre do ano está severamente comprometido", acrescenta a responsável da AHP. Os dados disponíveis até ao momento só ilustram a realidade até fevereiro, mas as quebras são significativas, em especial na comparação com o mesmo mês de 2020, quando a crise pandémica ainda não tinha chegada à Europa.

Os dados preliminares divulgados nesta semana pelo Instituto Nacional de Estatística apontam que, em fevereiro, as unidades de alojamento para turistas contaram com 208,2 mil hóspedes e 472,9 mil dormidas, o que representa quedas de 86,9% e 87,7% respetivamente e face ao período homólogo. Dado que o mês de março também contou com elevadas restrições, tanto em Portugal como noutros países, é possível que os números, quando forem divulgados, não ilustrem grandes alterações. Abril não contará com o efeito Páscoa nem com o efeito de grandes eventos desportivos, uma vez que não terão público. Mas o país está a preparar-se para entrar na segunda fase de desconfinamento. E esta reabertura gradual da sociedade, a continuar a verificar-se, pode levar mais pessoas a viajar dentro do próprio país. E alguns estrangeiros também vão começar a chegar, à medida que o verão se aproxima.

Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo hoteleiro Vila Galé, nota que "face às restrições em vigor, não se regista qualquer procura para a Páscoa deste ano". O segundo maior grupo hoteleiro nacional tem quatro hotéis em funcionamento: o Vila Galé Porto Ribeira (Porto), o Vila Galé Ópera (Lisboa), o Vila Galé Ampalius (Vilamoura) e o Vila Galé Santa Cruz (Madeira).

"Neste momento e pelo menos até dia 19 [de abril], os hotéis têm uma forte limitação nos serviços que podem oferecer aos seus clientes, já que restaurantes, bares, piscinas, parques infantis, spas têm obrigatoriamente de estar encerrados. Não prevemos que antes do final de abril haja condições para que os hotéis possam voltar a funcionar em pleno, pelo que só a partir de meados do mês começaremos a abrir progressivamente as 24 unidades Vila Galé que permanecem fechadas", acrescenta o administrador do grupo.

A Discovery Hotel Management (DHM), que gere 17 unidades hoteleiras, diz que não teve atividade nesta altura festiva, porque praticamente todos os hotéis estão fechados. "Dado que mantemos as nossas unidades hoteleiras encerradas, à semelhança do que aconteceu no ano passado, apenas estamos a registar reservas para períodos após as datas de reaberturas estipuladas. A única exceção, neste ano, é o Furnas Boutique Hotel, que está com uma taxa de ocupação média a rondar os 75% para o fim de semana da Páscoa, sendo que definimos um limite de ocupação de 80% para garantir mais espaço e mais conforto para os nossos hóspedes", revela Francisco Moser, managing director da empresa.

A AHP tomou o pulso ao setor e o seu inquérito mais recente aponta que "a partir de abril, se tudo correr como o previsto, irá arrancar a reabertura progressiva da hotelaria". A quebra do turismo e da hotelaria regista-se em todo o país, mas Cristina Siza Vieira assume que "há e haverá assimetrias. As regiões onde estão inseridas as grandes cidades, como Lisboa e Porto, Fátima e o Algarve são as que estão a sofrer mais. A título de exemplo, 80% da hotelaria do Algarve estava encerrada em janeiro e fevereiro" .

Esperança no verão

Apesar deste arranque negativo para o setor, o governo português acredita que o resto do ano poderá compensar, tornando 2021 melhor que 2020. A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques indicou recentemente que as "melhores estimativas [do governo] estão em linha com as estimativas das organizações internacionais". "A maioria das organizações internacionais diz que, se a vacinação continuar a desenvolver-se a uma rapidez razoável na Europa, provavelmente acabaremos o ano de 2021 com um crescimento de 20 a 30% quando comparado com 2020", assinalou a governante.

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