MIT e Harvard colocam administração Trump em tribunal por limitar estrangeiros

Duas das principais universidades norte-americanos levam a tribunal ordem executiva de Trump que obriga aulas presenciais a estudantes estrangeiros

Duas das principais instituições de investigação e ensino dos Estados Unidos, ambas de Boston, o o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e Harvard anunciaram esta quarta-feira que interpuseram uma ação judicial contra o governo de Trump por causa de uma diretiva que remove os vistos de estudantes estrangeiros se os seus cursos forem dados totalmente online - algo potenciado com a pandemia.

A medida anunciada na segunda-feira pela Casa Branca foi vista como mais um esforço no sentido de pressionar as universidades a reabrir as suas portas a aulas presenciais e abandonar as abordagens mais cautelosas tomadas para reduzir a transmissão do coronavírus. Harvard já tinha anunciado há umas semanas que o ano letivo de 2020/21 será, na sua maioria, com aulas online - antes disso já Cambridge tinha feito o mesmo, no Reino Unido, numa tendência que tem aumentado, como referimos neste artigo mais focado em Portugal.

"A ordem executiva chegou sem aviso prévio nem negociação - e sua crueldade foi superada apenas pela imprudência", disse o presidente de Harvard, Lawrence S. Bacow, numa mensagem à comunidade universitária citada pelo New York Times.

O responsável diz mesmo que este parece uma diretiva "projetado propositadamente para pressionar as faculdades e universidades a abrirem as salas de aula no campus para a formação presencial neste outono, sem levar em conta as preocupações com a saúde e a segurança de estudantes, instrutores e outros."

É também explicado que o efeito da medida poderá ser o de reduzir drasticamente o número de estudantes internacionais matriculados no outono, o que é também prejudicado pelos atrasos no processamento de vistos devido à pandemia.

Embora alguns cursos estejam a adoptar uma abordagem híbrida de ensino, com algumas aulas presenciais - com máscaras e distanciamente - e outras online, vários cursos serão totalmente feitos de forma remota, o que poderá colocar em risco os vistos de estudantes estrangeiros, conhecidos como vistos F-1, de acordo com as novas regras.

Os estudantes internacionais cujas universidades não estão planear aulas presenciais - o que atualmente acontece em escolas como Harvard e em universidades da Califórnia - seriam obrigados a voltar aos seus países de origem, se já estiverem nos Estados Unidos e os outros não teriam autorização para entrar no país para fazer cursos online.

A medida relacionada com os estudantes estrangeiros do governo de Trump acontece na sequência de uma outra que levou a protestos das principais empresas dos EUA e foi vista como um ataque à inovação do país e à tradição de receber os maiores talentos a nível internacional.

Foi a 21 de junho que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu colocar desde universidades até gigantes farmacêuticas ou tecnológicas como a Google, Facebook, Amazon, passando por Apple e muitas outras empresas contra a ordem executiva que restringe a emissão de novos vistos de trabalho para técnicos especializados ou gestores até ao final de 2020.

Além de proibir a chegada de estudantes de doutoramento e investigadores para as universidades, retira talento estrangeiro de laboratórios e de tecnológicas, algo que muitos dizem ser “a pior coisa que podia ter acontecido à ciência e inovação nos EUA” – exemplo do professor de imunobiologia da Universidade de Yale, Akiko Iwasaki.

A medida foi vista pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, como uma oportunidade do seu país de mostrar que pode ser o melhor destino para o talento mundial como alternativa aos EUA, como o próprio explicou recentemente.

 

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