Parceria com Luz Saúde: Católica é a primeira privada a ter Medicina

Curso será lecionado em inglês. Governo queria abrir mais vagas mas faculdades recusaram. Bastonário também se opôs.

A notícia chegou ao virar do dia num tweet da reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil: a universidade será a primeira privada a contar com um curso de Medicina. E de acordo com um comunicado enviado pela universidade já esta manhã, o curso será lecionado em inglês, envolvendo "uma parceria com a prestigiada Universidade de Maastricht e o Grupo Luz Saúde", distinguindo-se dos currículos tradicionais por ter "uma abordagem mais prática e integrada desde os primeiros anos".

https://twitter.com/CapeloaGil/status/1300917199109062663

Há já algum tempo que aquela escola tentava incluir esta oferta - até agora exclusivamente pública - nos seus cursos, tendo mesmo visto rejeitada a sua proposta chumbada, inclusive no recurso dirigido à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, em fevereiro deste ano.

Na sequência dessa decisão, a Católica decidiu submeter à agência nova proposta, cujo prazo de decisão terminava no final de junho, mas acabou por se atrasar devido à pandemia. Agora, vem a luz verde da agência, tornando a Católica na primeira universidade privada em Portugal a oferecer uma licenciatura em Medicina.

"Esta decisão robustece o sistema de Ensino Superior, permitindo que mais jovens se possam formar em Portugal e garantindo a supervisão da qualidade daqueles que praticam medicina no nosso país", reagiu em comunicado Isabel Capeloa Gil.

Recorde-se que há cerca de um mês o governo já assumira esta possibilidade, depois de as faculdades de Medicina terem recusado a possibilidade de abrir mais vagas nos seus cursos. "Esta é uma área fortemente condicionada por mecanismos, procedimentos e pressões corporativas a que temos de nos deixar de vincular em Portugal", afirmou então o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor. "Não é com corporativismos e com o fecho da prática da Medicina que vamos conseguir evoluir, sublinhou o responsável político, apesar de "não reconhecer quaisquer constrangimentos corporativos que possam ser razoáveis nesta área". E insistiu que é necessário "trabalhar na criação de novos cursos e no aumento de vagas" em Medicina.

É o que agora se vai concretizar, apesar da oposição também do bastonário dos Médicos. Em reação às declarações do ministro, o representante daquela classe lamentou as pressões brutais levadas a cabo pelo governo. "Nada tenho contra a formação de qualidade e se é feita no setor público ou no setor privado. Aquilo que o ministro fez - e que não está correto e antigamente era impossível - foi pressionar de forma brutal a sua própria agência, a A3ES, para que esta aprove os novos cursos de Medicina. E isto não está bem", sublinhou, acrescentando que "o ministro sabia que as escolas médicas não têm mais capacidade".

A Católica vinca que o curso contará com um "reputado corpo docente nacional e internacional", sendo aberto a estudantes de todo o mundo, "com uma metodologia centrada no aluno". "Será lecionado em instalações modernas e especificamente concebidas/adaptadas ao nível do mais avançado ensino de Medicina que se pratica nas melhores universidades mundiais", junta a universidade.

No próximo ano letivo, entre as 52 129 vagas abertas para o ensino superior (mais 561 do que no ano passado), há 1523 em cursos de Medicina. Quando a licenciatura da Católica arrancar, essa oferta deverá começar a crescer com alguma expressão.

(Notícia atualizada com o comunicado da UCP)

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