Portugal foi o sexto país da UE onde a pandemia mais jovens atirou para o desemprego

Segundo dados de inquérito da Eurofound, 6% dos que terminaram os estudos não encontraram trabalho e 8% perderam o emprego que tinham.

Portugal foi o sexto país europeu onde a pandemia mais penalizou a participação dos jovens no mercado de trabalho, de acordo com dados da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho da União Europeia (Eurofound) num relatório que analisa os efeitos da crise sanitária e das restrições associadas entre as gerações mais novas.

O documento, publicado nesta última semana, analisa os efeitos da covid-19 no acesso ao emprego e à escolaridade, bem como na saúde mental, dos europeus com idades compreendidas entre os 15 e os 29 anos, tendo por base os resultados de três rondas de inquérito realizadas pela Eurofound ao longo de 2020 e 2021. O relatório produz, no final, um conjunto de recomendações nas quais se destacam as de que os governos nacionais acionem medidas de longo prazo para aumentar o acesso e a segurança no emprego entre os mais jovens.

"Há uma geração de jovens na Europa que ainda está a sofrer os efeitos da crise anterior e que agora está a ser afetada por uma segunda crise, muito diferente. Há o risco de que a desigualdade de oportunidades se acumule, resultando em sentimentos de injustiça e desconfiança", alerta.
Se na crise da última década a taxa de desemprego jovem a nível europeu tocou os 20%, com um longo ciclo de recuperação para as gerações mais novas onde, apesar de tudo, continuou a pontuar a precariedade, os efeitos da atual crise são ainda incertos.

A análise das respostas dos jovens europeus quanto ao impacto da pandemia no acesso ao mercado de trabalho mostram, para já, que 12% dos inquiridos - trabalhadores e estudantes - ficaram no curso desta crise afastados do mercado de trabalho. Em Portugal, a percentagem rondará os 7%, sendo a sexta mais elevada entre os Estados-membros da UE (numa análise sem dados para Chipre e Malta), de acordo com os números apresentados no relatório. Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Bulgária são os países onde uma maior percentagem de inquiridos deu conta de ou ter perdido o trabalho ou não ter encontrado emprego após a conclusão de estudos.

Os resultados da amostra reunida pela Eurofound detalham percentagens para ambas as situações. No primeiro caso, o de jovens que tinham emprego antes da chegada da pandemia e o perderam, a percentagem para Portugal ronda os 8%, surgindo como a sétima mais elevada. Ainda assim, distante dos cerca de 30% de jovens irlandeses inquiridos que ficaram sem trabalho, ou dos 12% e 11% registados nas respostas espanholas e eslovacas, respetivamente.
Já o peso daqueles que concluíram os estudos sem encontrar trabalho, fica em Portugal nos 6%, igualmente a sétima mais elevada do grupo de países para os quais há dados. Os jovens europeus mais penalizados foram os irlandeses (15%), espanhóis e gregos (ambos com percentagens de 13%).
Ensino remoto não satisfaz

O relatório também analisa dados dos inquéritos Eurofound para perceber o grau de satisfação com as respostas educativas em contexto de pandemia (apenas 40% dos jovens europeus se mostra satisfeito com a opção de ensino remoto), e avaliar a segurança financeira entre os mais novos. Aqui, os dados refletem que mais de metade dos jovens inquiridos viviam ou passaram a viver com os pais durante a pandemia (51% no verão de 2020 e 61% na primavera de 2021), o que ajudou a atenuar as dificuldades. Nomeadamente, a insegurança na habitação - mais elevada entre jovens desempregados ou inativos (17% na primavera de 2021).

Os dados do relatório também mostram que houve percentagens elevadas de jovens europeus a recorrer aos apoios públicos que foram sendo mobilizados pelos governos, embora nem todos tenham visto os pedidos atendidos. No verão do ano passado, 26% dos inquiridos dos vários países tinham pedido algum tipo de apoio, com 17% a receberem-no efetivamente. Já na primavera de 2021, eram 33% aqueles que tinham pedido apoio, com 25% a receberem-no.

O documento mostra-se também preocupado com a saúde mental dos mais jovens, com os resultados do inquérito a devolverem uma marca de 6,3 pontos em dez possíveis quanto à satisfação dos jovens europeus com a vida que têm (desce para 6,1 pontos entre os países do Mediterrâneo, com as avaliações mais baixas). Na avaliação de bem-estar mental, a pontuação mediana dada pelos jovens fica também abaixo de 13 numa escala que vai até 25 (mais uma vez, os países do Mediterrâneo surgem com uma avaliação mais baixa, de 11,9 pontos).


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