Segundo golpe. S&P também ameaça Portugal de corte no rating

Mais uma decisão fora da agenda de uma empresa de ratings. S&P só previa avaliar a República a 11 de setembro.

Tal como fez a Fitch na semana passada, sem aviso, a Standard & Poor's, anunciou no final desta sexta-feira que cortou a perspetiva (outlook) da qualidade da dívida portuguesa: era "positiva" e agora passou a "estável", antecipando assim uma descida da nota da dívida (rating) a breve prazo. É mais uma decisão fora da agenda da empresa de ratings, que só previa avaliar a República a 11 de setembro.

Portugal não é o único visado neste corte no impulso do rating. Itália e Grécia também foram visadas no pacote desta sexta-feira.

Diz a S&P que "as autoridades de saúde portuguesas obtiveram sucessos antecipados na estabilização das taxas de infeção e de mortalidade na pandemia da covid-19. No entanto, a recessão global severa e sincronizada deste ano pesará numa pequena economia aberta como Portugal".

"Projetamos que o défice das administrações públicas ano aumentará até cerca de 5% do produto interno bruto (PIB) em 2020 face ao excedente do ano passado".

Por isso, "revemos a perspetiva de Portugal para estável, de um patamar positivo", mas "mantemos os ratings de crédito soberano de longo prazo em BBB", afirma a S&P. Continuam acima de 'lixo', por agora/

Embora "a perspetiva estável reflita a nossa visão de que o compromisso das autoridades portuguesas com políticas pró crescimento e finanças públicas prudentes durará mais que uma recessão global de um ano", há problemas e dúvidas graves.

O cenário menos mau

Se o contexto económico global "piorar significativamente face as nossas expectativas atuais, as consequências para as finanças públicas de Portugal podem não ser mais consentâneas com o rating atual, dadas outras vulnerabilidades de crédito como a posição externa líquida negativa elevada de Portugal".

"A nossa classificação para Portugal também pode ser negativa, se setores chave orientados para o exterior, como o turismo, sofram uma perda permanente de rendibilidade, fazendo com que as contas correntes do país caiam ainda mais, agravando o défice atualmente previsto".

O turismo vale mais de 12% do valor produzido pela economia num ano. Destes, mais de 7% são receitas pagas por estrangeiros, recorda a agência.

O cenário melhorzinho

Esta S&P, a maior agência de ratings mundial, diz que "caso a economia portuguesa recupere nos próximos três anos, alcançando uma melhoria significativa nas finanças públicas, os ratings poderão melhorar".

(atualizado 22h15)

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