Tecnológicas concentram maior número de vagas de emprego

Em contraciclo com a tendência do mercado, empresas das tecnologias de informação lideram esforços de contratação.

Em tempos de crise económica causada pela pandemia de covid-19, alguns setores de atividade contrariam a tendência de despedimentos e continuam a contratar de forma intensiva. A área das tecnologias de informação (TI), especialmente o segmento focado nas telecomunicações, reúne o maior número de vagas, revelam os dados da Randstad.

No período analisado, entre 1 de maio e 9 de agosto, foram contabilizadas mais de 32 mil vagas neste setor. Com valores mais abaixo surge o setor das vendas (mais de 23 mil ofertas) e a área de apoio ao cliente, os call centers, com 16900 vagas, e serviços de consultoria, acima das 16350 vagas distintas.

Feita a análise por localização geográfica, é notória a tendência de concentração das vagas nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto. Olhando para as TI focadas em telecomunicações, Lisboa concentra mais de 66% dos 32 mil postos de trabalho registados. Em comparação, o Porto registava 5724 ofertas para esta categoria profissional, seguido por Aveiro (1025 ofertas), Braga (818), Coimbra (569 vagas) ou Leiria (407). Este setor contava com ofertas de trabalho disponíveis um pouco por todo o país, ainda que em menor número em algumas localizações: Portalegre ou Guarda apresentavam os números mais baixos, com 4 e 1 oferta, respetivamente.

A decisão de abertura de escritórios ou instalação de centros de desenvolvimento em Portugal tem ajudado a fazer mexer os números das vagas disponíveis nas TI em Portugal. Em julho, era a vez da alemã NFON, dedicada a serviços de telefonia na cloud, anunciar a decisão de instalar um centro de investigação e desenvolvimento em Portugal, com a escolha a recair em Lisboa. Até 2024, a empresa alemã quer ter até cem pessoas a trabalhar no novo escritório. Antes disso, começou os esforços de contratação pelos programadores.

Já esta semana, foi tempo de a britânica BJSS, que disponibiliza serviços de consultoria na área da tecnologia e engenharia, anunciar a expansão para Portugal, também para Lisboa, naquela que é a primeira expansão da empresa para fora da América do Norte. A consultora trouxe na mala de viagem um objetivo de recrutamento traçado: contratar até 150 pessoas no espaço de ano e meio, para posições como engenheiros de software, especialistas de interface de utilizador e sites, engenheiros de teste, programadores para aplicações móveis ou engenheiros de dados.

Se, por um lado as tecnologias de informação concentram um elevado número de vagas, também há o reverso da medalha - um setor que ainda tem falta de mão-de-obra para enfrentar a elevada procura. Com um mercado cada vez mais competitivo na procura por profissionais de TI, há quem lance iniciativas especificamente a pensar na atração de talento. A Blip, tecnológica sediada no Porto e que desenvolve tecnologia e software para jogos e apostas, é um desses casos, com um site renovado para simplificar a visualização das 70 ofertas disponíveis, anunciadas no fim de julho, e respetivas candidaturas.

A empresa, que faz parte do grupo Flutter Entertainment, revela que “pretende continuar o trabalho que tem vindo a desenvolver até ao momento, uma vez que vai continuar a contratar até ao final do ano”.

A tecnológica, que desde o início de 2020 já contratou 70 trabalhadores, ultrapassando já a fasquia dos 330 empregados, indica que o “aumento de 23%” do tráfego do site desde o início deste ano face a 2019 revela “um crescimento consolidado” pelos esforços de aproximação aos candidatos.

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