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Namíbia. O que tem este país para oferecer às empresas portuguesas?

A Namíbia é um país rico em diamantes, zinco e urânio. Fotografia: D.R.
A Namíbia é um país rico em diamantes, zinco e urânio. Fotografia: D.R.

A Namíbia é um mercado por explorar. As empresas portuguesas já olham para este país como potencial destino de exportações. A AEP está a dar uma mão

A Namíbia, país africano que tem fronteira terrestre com Angola, Zâmbia, Botswana e África do Sul, apresenta-se atualmente como um mercado potencial para a diversificação das exportações portuguesas. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) decidiu promover uma Missão Empresarial à Namíbia. Mas o que é que a Namíbia tem?

O presidente da AEP, Paulo Nunes de Almeida, regista que, nos últimos anos, apresenta “um histórico de crescimento económico consistente, uma inflação moderada, uma dívida pública limitada e receitas de exportação significativas”. Para as empresas portuguesas, este mercado oferece oportunidades de negócio em diversas áreas, com destaque para o turismo, o agroalimentar e o setor mineiro.

A Namíbia, com uma população de 2,5 milhões de habitantes, tem a sua economia muito assente na extração e processamento de minerais para exportação. O país é o quinto maior produtor de urânio do mundo, sendo que é rico em diamantes e zinco, e em menor escala de ouro e cobre. O setor da mineração representa 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e 50% das divisas que entram neste mercado, segundo informações da CIA, a agência central de inteligência dos Estados Unidos da América.

Oportunidades do mercado
As importações da Namíbia estão muito focadas nas commodities, ou seja, em alimentos, produtos petrolíferos e máquinas e equipamentos. O grande parceiro comercial é a África do Sul, relação que se explica quer pela proximidade quer por razões históricas. A África do Sul ocupou a antiga colónia alemã durante a Primeira Guerra Mundial e anexou o território já depois do término da Segunda Guerra Mundial. Só em 1990 é que a Namíbia conquistou a independência. A Namíbia tem também uma política monetária comum com a África do Sul. O dólar namibiano está indexado ao rand sul-africano.

O país vive um clima de estabilidade política, integrando organismos como a União Aduaneira da África Austral e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. Como sublinha Paulo Nunes de Almeida, é, como membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, um garante de ligações comerciais com os restantes 13 países que compõem esta organização, o que representa um mercado de 190 milhões de consumidores.

Para Paulo Nunes de Almeida, este país da África Austral é “um mercado alternativo para promover a diversificação de mercados para as empresas portuguesas”. As oportunidades são vastas; indústria mineira, agricultura, turismo, infra-estruturas, transportes e logística, entre outras.

A missão empresarial desenvolvida pela AEP e integrada no projeto Business on the way, que teve início a 29 de setembro e termina hoje, levou à Namíbia empresas portuguesas a operar nas áreas do papel e embalagens, balanças e equipamentos de pesagem, produtos farmacêuticos, estruturas de construção metálicas e imobiliário.

Esta não foi a primeira démarche da AEP neste mercado. A associação já tinha promovido uma missão empresarial ao gana e Namíbia, organizou um seminário sobre oportunidades de negócio neste mercado, uma sessão de Mentoring Namíbia e recebeu uma missão empresarial da Namíbia em Portugal, em junho passado. Como realçou Paulo Nunes de Almeida, essa organização “contou com a presença de cerca de 37 empresários namibianos” e o interesse de mais de 60 empresários portugueses.

Nem tudo são rosas
As ameaças e riscos também existem. A Namíbia tem falta de mão-de-obra qualificada e baixa produtividade, a que se soma a burocracia, alguma ineficácia aos níveis fiscal e judicial. Os direitos de propriedade industrial são também ainda pouco protegidos. A população, apesar de um PIB per capital elevado, é maioritariamente pobre e há uma elevada percentagem de pessoas com HIV.

O elevado desemprego e a grande desigualdade na distribuição da riqueza são ameaças à estabilidade política, que pode conduzir a uma maior intervenção do Estado na economia.

 

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