Tecnologia

“A transformação digital vai criar imensas oportunidades”

Siza Vieira

A digitalização dos principais serviços administrativos é um dos objetivos traçados pelo Governo para ajudar a potenciar a transformação digital na economia nacional.

Duas décadas depois daquele que ficou para a história como o bug do milénio, na viragem do século, conceitos como transformação digital continuam, ainda, por aplicar na economia portuguesa. Apesar de um caminho positivo percorrido pelo tecido empresarial, recentemente destacado pelo relatório sobre maturidade digital encomendado pela COTEC ao Banco Europeu de Investimento (BEI), no âmbito do programa governamental Indústria 4.0., há ainda muito por fazer. Questões como a alteração de modelos de negócio, formação e requalificação de trabalhadores são, por estes dias, parte da discussão que permitirá cimentar as bases para um futuro conectado e competitivo.

Durante o maior evento nacional dedicado à transição digital, o Building The Future, que ocupou o Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, esta terça e quarta-feira, Pedro Siza Vieira reconheceu, em entrevista ao Dinheiro Vivo, que “a transformação digital já está a acontecer, vai criar imensas oportunidades e campeões que vão desenvolver novos modelos de negócio com fórmulas muito mais eficientes”. No entanto, o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital alerta que a alteração da realidade empresarial pode implicar, também, a criação de “muitos riscos” para as empresas que não souberem adaptar-se, assim como para os trabalhadores. “Empregos que hoje conhecemos vão deixar de existir”, afiança.

Porém, não é apenas aos sistemas de ensino e empresarial que cabe esta responsabilidade. O Estado tem, neste campo, um papel importante, nomeadamente com medidas como a recentemente anunciada intenção de reformar os 25 principais serviços administrativos e transitá-los, na sua totalidade, para o digital, aproximando os cidadãos e as empresas da máquina pública. “Não podemos ter uma sociedade em que a economia é digital, se os nossos cidadãos não conseguem usar serviços públicos digitais, fazer pagamentos através da Internet ou comunicar com o mundo através destas tecnologias”, reforça Siza Vieira.

Panarra

Paula Panarra, diretora geral da Microsoft Portugal, elogia a prioridade anunciada pelo Governo e acrescenta que “temos todas as condições para, enquanto economia, tirar partido desta revolução”. De acordo com a líder da tecnológica, é fundamental apostar em três pilares: competências e talento; infraestruturas; e enquadramento, financeiro e regulatório, que permita a exploração da economia digital. É também esse o propósito de eventos como o Building The Future, que contou com o apoio da Microsoft, já que permitem, através da partilha de ideias e soluções já em campo, como “exemplos com realidade aumentada, sensorização, alarmística, manutenção e até combate à fraude”, enumera.

Pedro Siza Vieira acredita que este tipo de iniciativas em rede são positivas e realça que “temos de perceber que não temos a consciência das possibilidades que a tecnologia oferece sem experimentarmos, sem vermos o que os outros estão a fazer e os casos em que é utilizada”. Foi exatamente isso que aconteceu ao longo dos últimos dois dias no Pavilhão Carlos Lopes, por onde passaram cerca de quatro mil pessoas, vários oradores nacionais e internacionais, assim como outros cinco mil espetadores que assistiram ao evento através de transmissão em direto pela Internet. Esta quinta-feira, o mesmo local dedica-se à discussão da educação do futuro e à importância de uma constante renovação de conhecimento para abraçar os novos desafios.

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