Nauru, Kiribati mais 12 novos mercados

ng3121490

Nauru, Kiribati, São Pedro e Miquelon ou Santa Helena… Estes são
apenas alguns dos 14 novos destinos dos produtos portugueses 2012, ano
em que as exportações portuguesas chegaram a um total de 208 países de
todo o mundo, no valor global de 45 358,9 milhões de euros. Estes 14
novos mercados compraram, o ano passado, bens portugueses no valor de
428.943 euros. Sim, o valor é quase irrisório, mas são mercados
completamente novos e que resultam dos esforços de diversificação de
destinos dos empresários portugueses que tentam fugir da tradicional
dependência excessiva da Europa.

Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE) e mostram que, entre os 14 novos destinos das exportações portuguesas, só as Ilhas Marshal são uma presença constante nos últimos três anos. E mesmo para este país da Micronésia, vizinho do Kiribati, as vendas portuguesas sofreram um revés, já que passaram de 2,915 milhões de euros em 2010 e para um valor estimado de 49.290 euros em 2012.

Mas há outros nomes tão ou mais exóticos do que os já referidos entre as novas apostas das empresas portuguesas. É o caso de Anguila, território britânico ultramarino nas Caraíbas, Samoa e Samoa Americana (ambas na Polinésia) ou Vanuatu (Estado soberano insular da Melanésia). Os Territórios Franceses do Sul, o Laos, a Coreia, o Lesoto e a Somália terminam a lista dos ‘top 14’ das novas apostas portuguesas pelo mundo.

E se saber quais são as empresas que estão a vender para estes países se revela tarefa praticamente impossível, perceber a estratégia de quem aposta em destinos tão exóticos não é, assim, tão difícil. Basta ter em conta que as exportações portuguesas fecharam 2012 a crescer 5,8%, mas impulsionadas pela variação positiva de 19,8% no comércio extracomunitário. As vendas no seio da União Europeia avançaram, apenas, 1% no mesmo período. Apesar das relações comerciais das empresas portuguesas continuarem dominadas pela UE, não é menos certo que esse peso tem vindo a diminuir, fruto de um esforço de diversificação de mercado: em 2012, a UE absorveu 71,1% dos bens exportados, versus os 74,4% de 2008.

Esse é um caminho que não se trilha de um dia para o outro. “Leva tempo a procurar novos mercados e leva tempo a conquistá-los. Sobretudo se for em áreas onde não temos grande tradição e em que é difícil entrar”, refere João Duque, que dá como exemplo “a prestação de serviços particularmente sofisticados, eventualmente na área da consultoria high tech”, para lembrar que a má imagem que o país tem no exterior, não ajuda nada. “O país tem sido primeira página do Finantial Times uma série de vezes no último ano, não é é por boas razões”, lembra. Por isso defende que, “o melhor que nos podia acontecer” era que os mercados internacionais associassem a recuperação económica do país “a alguma coisa, a alguma fileira, à agricultura, ao turismo, algo de que todos falassem”.

Mas não há bons sectores, questionamos? E os casos de sucesso tão falados, como a moda portuguesa, o calçado, a cortiça? “Há sinais de que há bons setores. O calçado, por exemplo, tem estado a apostar bem, mas não é suficiente”, refere o economista.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
lisboa casas turismo salarios portugal

Turismo em crise já pensa no day after

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira. TIAGO PETINGA/LUSA

Governo estima que mais de um terço dos empregados fique em lay-off

Mário Centeno, Ministro das Finanças.
Fotografia: Francois Lenoir/Reuters

Folga rara. Custo médio do petróleo está 10% abaixo do previsto no Orçamento

Nauru, Kiribati mais 12 novos mercados