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Neeleman: “Estou cada vez mais entusiasmado com o futuro da TAP”

Acionista da TAP David Neeleman durante apresentação dos resultados de 2018 em Lisboa, 22 de março de 2019. NUNO FOX/LUSA
Acionista da TAP David Neeleman durante apresentação dos resultados de 2018 em Lisboa, 22 de março de 2019. NUNO FOX/LUSA

Acionista reage assim às notícias que davam como certa a sua saída.

“É muito importante para Portugal que sejamos todos bem-sucedidos. A TAP precisa de foco e os seus trabalhadores de paz para continuar a implementar o que tem que ser feito, que é o melhor para TAP. Especulações e outro tipo de manobras em nada ajudam a este extraordinário projeto tão relevante para Portugal.”

É desta forma que David Neeeleman reage hoje às notícias de que estaria de saída da companhia. Em comunicado enviado ao Dinheiro Vivo, o acionista de referência da companhia aérea portuguesa (que detém, através do consórcio com Humberto Pedrosa, 45% da TAP), garante mesmo estar totalmente comprometido com a empresa, que tem vindo a crescer em aviões, rotas, frequências e passageiros, apesar de ainda não ter chegado ao lucro.

“Hoje, tal como em 2015 (data em que a companhia foi privatizada), quando ninguém acreditava, estou cada vez mais entusiasmado com o futuro da TAP”, sublinha o também dono da Azul. E para provar o compromisso assumido dá o “exemplo mais evidente”: “definimos e concretizámos a estratégia de crescimento para os Estados Unidos da América e hoje, das sete rotas de longo curso, mais rentáveis da TAP, cinco são para os Estados Unidos. Tínhamos duas rotas para a América do Norte, agora temos 11”.

Num extenso comunicado em que sublinha, no seu percurso desde a aquisição da companhia até hoje, a vontade de construir valor e de se manter ao leme da empresa, Neeleman explica ainda que o futuro passa por uma transformação significativa à qual já se deu início e que passa por “continuar a reduzir o peso da sua dívida e a dependência relativamente aos mercados africanos e brasileiros”, renovando integralmente a frota de forma a torná-la mais “competitiva e sustentável num mercado cada vez mais competitivo e no qual desde 2017 fecharam cerca de 92 companhias de aviação”.

E sublinha: “Atualmente a TAP tem acionistas privados totalmente comprometidos com o plano de crescimento que tem vindo a ser implementado. Eu pessoalmente em conjunto com a Azul, empresa que eu controlo, acreditamos no futuro da TAP e detemos hoje direitos equivalentes a mais de 70% dos direitos económicos da TAP.”

Apesar de o governo de António Costa ter renegociado os termos da privatização da companhia, aumentando de cerca de um terço para metade a fatia que está nas mãos do Estado, os 50% da TAP que se mantêm públicos não correspondem a poder executivo. Na realidade, o Estado detém apenas 5% dos direitos económicos da companhia, traduzidos quase apenas na possibilidade de nomear administradores não executivos, incluindo o chairman, hoje Miguel Frasquilho. A decisão e a gestão estão totalmente nas mãos dos privados, que têm investido consistentemente na renovação da companhia, na contratação de colaboradores (só neste ano foram cerca de mil, prevendo-se semelhante ritmo de entradas em 2020) na renegociação da pesada dívida que a TAP vinha mantendo há décadas.

Investimentos e resultados

No mesmo comunicado enviado ao Dinheiro Vivo, David Neeleman resume em dez números as mudanças que já operou na TAP desde a sua entrada no capital da companhia aérea portuguesa, há quatro anos:

1. Quase duplicaram os passageiros, de cerca de 10 milhões para mais de 17 milhões.

2. A frota foi totalmente renovada (é a “mais jovem da Europa”) e aumentada em (36%) para 102 aviões.

3. Acrescentou 13 aos aeroportos de destino, voando hoje para um total de 94 (+13%).

4. Subiu em um quarto o número de voos operados, de 110 mil para 137 mil.

5. Duplicou o número de passageiros na ponte aérea Lisboa-Porto, para mais de um milhão por ano.

6. Cresceu 10% na rota da Madeira (para 990 mil passageiros) e mais que duplicou nos Açores (de 278 mil para mais de 600 mil pessoas).

7. Aumentou receitas em 40%, para 3,4 mil milhões.

8. O que levou a um aumento também na fatia aga de impostos, para 330 milhões (+28%).

9. Reduziu o peso da dívida de 11 X (rácio dívida líquida – EBITDA) em 2015 para metade, confirmando um processo de desalavancagem da empresa.

10. Contratou uma média de mil pessoas por ano desde o ano seguinte à privatização, num total de 3000 colaboradores adicionados para implantar a estratégia de crescimento.

Para David Neeleman, os números revelam uma vez mais o compromisso assumido, mesmo que o tamanho do investimento no crescimento não tenha permitido que “os resultados para os acionistas fossem tão rápidos como gostaríamos. Mas estamos no caminho certo, como demonstra a curva dos resultados trimestre após trimestre”, sublinha o acionista, dando como exemplo as contas do terceiro trimestre de 2019, em que a TAP teve uma “margem operacional acima dos seus pares europeus”.

Leia aqui mais sobre os resultados da TAP até setembro

“A TAP tem uma equipa de trabalhadores incrível que está a conseguir implementar com sucesso o plano de transformação mais ambicioso que há na Europa. Essa transformação não se faz num dia nem está terminada. Mas ao contrário do que sucedia em 2015, hoje é reconhecida por todos investidores internacionais e pelos clientes, a excelência do trabalho que todos os trabalhadores da TAP estão a realizar”, explica ainda o acionista de referência, que recorda ainda que durante décadas o Estado não conseguiu interessados para investir na TAP “dada a sua situação de iminente falência e falta de tesouraria”.

“Em novembro de 2015 a empresa tinha a frota mais antiga da Europa, devia cerca de 900 milhões à banca, com aproximadamente 80% a vencer em menos de um ano, devia 183 milhões a fornecedores, tinha apenas 79 milhões em caixa, não tendo recursos para pagar os salários dos seus trabalhadores do mês seguinte. Quando decidi concorrer à privatização e estudei o potencial da TAP, criei um plano estratégico, convidei um sócio Português, e reuni capital em conjunto com a Azul e seus acionistas para poder dar um futuro à TAP. Logo na primeira semana sob a nossa gestão, pagámos cerca de 100 milhões de euros de dívidas anteriores à nossa entrada e continuamos a fazê-lo. Hoje a TAP tem 245 milhões em caixa, mais de três vezes o que tinha na data da privatização”, frisa ainda David Neeleman.

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