Comércio

Negócio do chocolate está em alta

Bombons de chocolate têm vendas expressivas no Natal. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Bombons de chocolate têm vendas expressivas no Natal. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Setor estima superar este ano valores dos anos anteriores. Natal chega a representar quase metade das vendas.

Há quem goste dele aveludado, cremoso e num tom mais próximo do caramelo. Há quem o prefira negro e estaladiço, até com um travo amargo. Em barra, em figuras evocativas ou em bombons, raro é encontrar quem não goste de chocolate. E é no Natal que se vendem mais de 40% de todos os chocolates, de acordo com a Associação dos Industriais de Chocolate e Confeitaria (ACHOC).

“Desde 2014 que o mercado tem estado estagnado, mas este ano esperamos vender mais e crescer também em valor”, adiantou João Seara, presidente da Assembleia Geral da ACHOC. A associação acredita que as vendas deste Natal vão permitir superar as 13 200 toneladas de chocolate vendidas em 2015, por cerca de 200 milhões de euros.

“No ano passado, também não houve evolução nas vendas, em volume, porque o crescimento de 3% nos bombons foi acompanhado de uma quebra de 5% nas tabletes. Mas, este ano, esperamos crescer inclusive nas tabletes”, acrescentou o responsável.

Um aliado na crise

Ao contrário de outros mercados, onde a crise financeira abrandou o consumo deste alimento, em Portugal, o chocolate ganhou relevo nas épocas festivas, porventura, em substituição de outras ofertas mais dispendiosas, pelo que a quebra não foi tão significativa (-3% em 2012). Porém, o baixo consumo per capita e até a meteorologia não têm permitido uma evolução mais dinâmica do setor.

“O Natal e a Páscoa, mais o Dia dos Namorados, representam entre 65% e 70% das vendas anuais de chocolate. Mas já sabemos que quando a Páscoa é fria vende-se muito mais do que naqueles anos em que já está calor e as pessoas até vão para a praia”, explicou João Seara. “A indústria continua a investir na pesquisa e desenvolvimento para aumentar a resistência do produto a temperaturas mais elevadas, mas o chocolate continua muito dependente da meteorologia e podemos dizer que até o aquecimento global tem sido inimigo do setor”, apontou.

Se, este ano, as temperaturas têm estado mais elevadas, o aumento do consumo em Portugal pode indiciar alguma mudança de mentalidade em relação a um alimento que, consumido com moderação, pode até ser benéfico para a saúde. “Já se sabe que o cacau tem antioxidantes, com benefícios para a saúde no caso de doenças cardiovasculares. E é como tudo na vida, o consumo deve ser moderado e na dose certa”, recorda João Seara.

“No caso do chocolate, as pessoas já sabem que quanto mais preto melhor para a saúde: o tradicional de 54% já é bom, mas se quiser consumir o de 70% ou de 80% ainda melhor. E esta tendência começou nas tabletes, mas já começa a estender-se aos bombons”, notou.

Cerca de 70% dos chocolates vendidos em Portugal são importados, principalmente da Europa. Desses, cerca de 170 milhões de euros, uma pequena percentagem é exportada para os PALOP. Do pouco chocolate fabricado em Portugal, só uma percentagem residual é exportada. “Nunca vamos ser uma potência a exportar chocolates, até porque não somos produtores”, remata João Seara.

CURIOSIDADES

O que mais se vende

No global, 30% do chocolate vendido em Portugal é no formato tabletes. Outro tanto em bombons e os restantes 40% são disputados pelas drageias, ovos de Páscoa e figuras de chocolate.

Quando se vende

“As tabletes sofrem menos com a sazonalidade, os frutos secos cobertos com chocolate vendem essencialmente na Páscoa e as figuras de chocolate vendem-se na Páscoa e no Natal. Os bombons vendem-se de forma mais interessante no Natal”, revela João Seabra.

Aposta: bombons negros

Conhecidos os benefícios do chocolate preto para a saúde, surgem cada vez mais marcas a apostar nos bombons de chocolate negro. Alguns trocaram, até, o recheio doce por frutos desidratados (como arandos, mirtilos ou passas).

Valorização das origens

O gosto pelo exótico e alguma influência do mundo dos cafés influenciaram o aparecimento dos chocolates de origens. Começou pelas tabletes, mas tem tendência a alargar-se a outros produtos. Ele é chocolate da Colômbia, chocolate do Equador, chocolate da Indonésia e, até, chocolate português… com cacau africano e tempero lusitano.

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